Obsolescência programada em equipamentos outdoor – Qual a durabilidade de cada equipamento ?

Obsolescência programada é a decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar, distribuir e vender um equipamento para consumo de forma que se torne obsoleto, ou não-funcional, para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto. Filosoficamente falando podemos encarar este tipo de estratégia como um efeito colateral do capitalismo e economia de consumo. Mesmo aqueles produtos que possuem “garantia para toda a vida” (lifetime warranty), também são fabricados com a filosofia da obsolescência programada.

Este tipo de filosofia faz com que se gaste muitos recursos ao longo do tempo. Se você não nasceu em um berço de ouro e nunca teve de se preocupar com dinheiro, talvez não se importe em aumentar a longevidade de seu equipamento outdoor. Por outro lado, para quem sente na pele os preços salgados de todo e qualquer equipamento outdoor, saber cuidar de seus equipamentos é disciplina obrigatória na escola da vida. Por isso uma pergunta que qualquer pessoa deveria fazer no momento de comprar seu equipamento é : quanto tempo durará seu equipamento outdoor sem perder suas propriedades básicas ?

Portanto após uma investigação detalhada em vários manuais de usuários, documentos de pesquisa, registros de patentes, etc, conseguimos listar alguns produtos com suas respectivas durabilidades e sinais de envelhecimento.

Jaquetas impermeáveis

  • Vida útil : A duração de uma jaqueta impermeável de poliuretano, devidamente usada e cuidada, é de três anos. As jaquetas com Gore-Tex e similares é de cinco anos.
  • Sinais de envelhecimento : A parte exterior da jaqueta começa a ficar empapado com facilidade, começa a vazar água com menos de uma hora de chuva contínua. Um outro sinal é quando o tecido começa a perder rigidez na superfície, se comparado ao seu funcionamento quando era nova. As costuras seladas começam a descascar ou aparecer bolhas.
  • Cuidados básicos : Evitar a lavagem excessiva de roupas impermeáveis é fundamental para garantir a longevidade. O ideal é que somente uma ou duas vezes no ano seja feito uma lavagem da jaqueta e somente no local onde está sujo, com esponja (do lado macio) e sabão neutro. Nunca guardar jaquetas impermeáveis molhadas durante vários dias seguidos, procurando sempre deixar secar à sombra.

Calças de trekking

  • Vida útil : Dois anos para as de tactel (metade disso se for de baixa qualidade) e 10 anos para as que utilizam cordura. Os tecidos tipo stretch possuem longevidade de dois a três anos dependendo de sua espessura.
  • Sinais de Envelhecimento : Aparecimento de furos na parte traseira, desgaste de costuras, “aparência de taturana” nos locais onde há mais abrasividade (nos modelos de baixa qualidade aparece em apenas três meses).
  • Cuidados básicos : Não utilizar tecidos stretch muito finos em terrenos abrasivos ou com vegetação espinhosa. Evite secar em lavadoras de roupas ou próximo de fontes de calor artificiais. Para as versões finas confeccionadas em algodão evitar a lavar seguidamente.

Fleece

  • Vida útil : De três a dez anos, dependendo da versão e qualidade do material. Fleeces mais finos (gramatura 50 a 100) tendem a ter uma longevidade menor.
  • Sinais de envelhecimento : Formação das bolinhas nos locais de maior contato com a mochila como ombros e costas. Apresenta perfurações nos cotovelos e punhos. Há uma visível perda de espessura além de menor impermeabilidade ao vento e água nos modelos com revestimento externo de softshell.
  • Cuidados básicos : Evitar lavagens seguidas, sobretudo os modelos impermeabilizados com tecnologias windstopper e similares. Evitar usar mochilas com alças e cinturão abrasivos (tecidos tipo cordura ou nylon grosso)

Tênis de trilha

  • Vida útil : os modelos de material sintético de 1 a 3 anos, e 2 a 5 anos de é de couro (dependendo da espessura da cobertura).
  • Sinais de envelhecimento : Aparecimento de furos no bico e partes laterais próximo ao calcanhar. Perda acentuada da espessura do solado. O calcanhar se deforma acentuadamente e as costuras começam a ceder, principalmente na parte de maior flexão. A palmilha interna começa a deteriorar-se, e a capacidade de amortecimento começa a ficar comprometida.
  • Cuidados básicos : Sempre limpar com pano úmido lamas e poeira após o uso, utilizar spray para eliminar o mal cheiro. Utilizar spray que mantém a impermeabilização do equipamento. Não deixar guardada sob peso ou dentro de mochila.

Mochilas

  • Vida útil : Dependendo da qualidade da mochila (densidade do acolchoamento e rigidez das costuras), e da espessura do tecido, de 3 a 10 anos.
  • Sinais de envelhecimento : Sinais de abrasão e perfuração na cintura e acolchoamento das costas, perda de espessura das alças e falha constante no zíper. Costuras começam a abrir, sobretudo na parte lateral e aparecimento de furos no fundo. Para modelos com impermeabilização, descascamento da película interna. A estrutura interna começa a apresentar empenamento, surgindo mais dores nas cosas de quando era inicialmente usada.
  • Cuidados especiais : Lavar somente em casos extremos. Sempre deixar a mochila guardada vazia. Quando manusear, nunca arrastar nem forçar os zíperes (mesmo quando começarem a emperrar). Limpar sempre o interior com pano úmido e os zíperes com papel higiênico ou papel toalha. Evitar carregar objetos com arestas muito proeminentes, nem deixar restos de comida ou vegetação no interior.

Saco de dormir

  • Vida útil : Dependendo da qualidade do material e do forramento de 5 a 15 anos.
  • Sinais de envelhecimento : Perda acentuada da espessura (muito mais rápido no caso de fibra sintética), costuras começam a parcialmente (em alguns casos totalmente) na parte dos pés e do pescoço. Aparecimento de furos nos pés. Zíper começa a apresentar sinais de desgaste e abrir facilmente.
  • Cuidados especiais : Evitar a lavagem, sobretudo dos sacos de dormir de fibra sintética. Não deixar guardado longos períodos em sua embalagem. Para sacos de dormir de pena de ganso lavar somente em máquina de lavar especializadas com água frio e produtos adequados. Guardar sempre pendurado mas não dobrado. Sempre utilizar um isolante térmico, mesmo quando houver bivac, de preferência inflável.

Barracas

  • Vida útil : Uma barraca depende muito da qualidade do material que é confeccionada. Para as barracas vendidas no Brasil em supermercados (a famosa barraca da “calcinha”) ou as de montagem rápida, muito provavelmente somente uma viagem. Barracas fabricadas para montanhismo duram de 3 a 10 anos, sendo os modelos de quatro estações os de maior longevidade.
  • Sinais de envelhecimento : Descascamento da selagem interna das costuras, mal funcionamento do zíper e tela mosquiteiro começa a rasgar e apresentar furos. Fundo da barraca, quando de nylon, começa a descascar pelo ressecamento e apresentar furos. Após uma chuva de 2 a 4 horas, começa a apresentar goteiras e entrar água facilmente. Quando as varetas são de plástico começam a romper facilmente.
  • Cuidados especiais : Não deixar uma barraca montada em pleno sol mais de três dias seguidos. Evitar o contato da barraca com ganhos ou rochas pontiagudas. Limpar o solo com pano úmido, sem produto químico, sempre que chegar em casa. Nunca guardar a barraca molhada.

Sobre o Autor

Natalia De Marco

Natalia De Marco

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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