O uso de helicópteros em operações de busca e salvamento

Ao contrário do que se possa imaginar, o emprego de helicópteros em operações de busca e salvamento em região de mata, floresta e montanha, envolve riscos extremamente elevados. Se em locais urbanos os riscos já são consideráveis, em áreas remotas estes riscos são muito maiores.

membros do Grupo de Resgate em Montanha/GRM de Joinville/SC, bombeiros voluntários e GERAR, em treinamento na base da Companhia de Aviação da PMSC – aeronave ÁGUIA 01 da PMSC

membros do Grupo de Resgate em Montanha/GRM de Joinville/SC, bombeiros voluntários e GERAR, em treinamento na base da Companhia de Aviação da PMSC – aeronave ÁGUIA 01 da PMSC

Conceitualmente, helicópteros são considerados aeronaves de asas giratórias, que dependem da combinação de uma série de fatores para que possam voar.

Para que uma aeronave destas tenha condições de resgatar uma vítima, por exemplo, que esteja ferida em uma encosta montanhosa, todos estes fatores terão que ser favoráveis.

Do contrário, ou a missão terá que ser abortada, ou será executada com altíssimos riscos para a tripulação, e para a própria vítima.

membro do Grupo de Resgate em Montanha/GRM de Joinville/SC, ajudando a encher o reservatório de água para o combate a incêndio em área remota – aeronave ÁGUIA 01 da PMSC

membro do Grupo de Resgate em Montanha/GRM de Joinville/SC, ajudando a encher o reservatório de água para o combate a incêndio em área remota – aeronave ÁGUIA 01 da PMSC

Fatores como temperatura, pressão atmosférica, umidade do ar, velocidade do vento, quantidade de combustível disponível (geralmente as aeronaves operam com apenas cerca de 60% da capacidade total do tanque de combustível, para diminuir o peso, e ganhar desempenho), tem enorme influência no desempenho que o helicóptero apresentará.

Dias frios e secos, apresentam melhores condições para um vôo seguro. Contrariamente, ambiente quente, úmido, e em altitudes elevadas, podem acarretar dificuldades muitas vezes insuperáveis. Ainda mais se aliada a instabilidade das correntes de ar.

No Brasil, são raríssimos os casos de resgates noturnos, com o emprego de helicópteros. Pois isso exige também equipamentos de visão noturna (Night Vision Goggles – NVG). Ao que se sabe, no momento, apenas a Força Aérea Brasileira (FAB) possui esta plena capacidade operacional, especialmente para uso em missões de resgate de combate (CSAR – Combat Search and Rescue).

Tendo realizado seu primeiro resgate noturno sobre águas, em fevereiro de 2015, executado pelo Esquadrão Falcão, pilotando helicópteros H-36 Caracal.

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Isso significa que, se o acionamento dos órgãos públicos ocorrer no final da tarde, ou início da noite, será preciso esperar até o amanhecer. Para que só então o helicóptero possa partir para a missão de resgate, em ambiente natural.

Mesmo em condições CAVOK – Ceiling And Visibility OK (expressão da aviação militar, que significa “teto e visibilidade ok” – condições propícias para vôos), uma operação de busca e salvamento em região montanhosa ou de mata, nunca será tarefa fácil.

O helicóptero pode ser facilmente desestabilizado por uma simples rajada de vento, por um rapel mal realizado (que gere um efeito pendular – para baixo dos esquis de pouso) pelo membro da equipe ao sair da aeronave para chegar até a vítima, ou pelo simples acréscimo de peso dentro da aeronave, com a entrada da vítima.

membro do Grupo de Resgate em Montanha/GRM de Joinville/SC, fazendo o desembarque a baixa altura – aeronave ÁGUIA 01 da PMSC

membro do Grupo de Resgate em Montanha/GRM de Joinville/SC, fazendo o desembarque a baixa altura – aeronave ÁGUIA 01 da PMSC

Ao público em geral, em regra, não são fornecidos dados sobre acidentes aéreos envolvendo helicópteros militares, ou dos órgãos de segurança pública. Pois toda a investigação, por questões de segurança nacional, são mantidas em sigilo.

Quando muito, as notícias que se dispõe sobre acidentes relacionados a helicópteros que estavam em missões de resgate, são apenas aquelas veiculadas pela mídia. Que também não fornecem maiores detalhes.

Como por meio do telefone celular/móvel, geralmente se consegue sinal mesmo em regiões remotas, os visitantes destas áreas de difícil acesso, muitas vezes, tem a falsa impressão de que, se tiverem algum problema, basta acionar as centrais de operação da polícia ou bombeiros. Que, imediatamente, será despachado um helicóptero para a remoção das vítimas.

Quando a realidade é bem diferente, porque antes de ser autorizado o resgate com o emprego do helicóptero, a tripulação fará uma análise minuciosa de todo o contexto. Para só então tomar a decisão pela realização, ou não, do resgate.

Em outras palavras: sem dúvida que estas aeronaves estão capacitadas para estes tipos de resgate, especialmente porque seus pilotos são altamente qualificados. Mas, jamais se deve desconsiderar os grandes riscos que são inerentes a estes resgates aéreos.

Os praticantes de esportes e turismos de aventura, assim como todos aqueles que visitam áreas em ambientes naturais, precisam ter ciência destes riscos.

De maneira a que zelem pela segurança na atividade ao ar livre, evitando a necessidade de um resgate aéreo.

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Sobre o Autor

Sergio Netto

Sergio Netto

Sérgio de Oliveira Netto é Diretor Operacional do Grupo de Resgate em Montanha (GRM) em Joinville – SC

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