O que você precisa saber para escalar o Mont Blanc

A maior parte das informações desse artigo podem ser encontradas na Internet, em sua maioria em inglês.

O que eu fiz foi juntar o principal e adicionar minha opinião pessoal, estive lá em cima em 2009 com meu amigo Walker Figueiroa. Com isso acho que posso contribuir um pouco para nivelar e desmistificar a experiência.

O objetivo do artigo é abordar “como”, “quando” e “o que “você precisa para tentar escalar o Mont Blanc. Informações e descrições a respeito das possíveis rotas podem ser encontradas nas referências ao final do artigo.

O quê, quando, e onde

Mont Blanc significa “Montanha Branca” e  está situado entre as regiões do Vale de Aosta, na Itália e Haute-Savoie, na França.

É a segunda montanha mais alta da Europa, com 4.810 metros, perdendo apenas para o Monte ElBrus (5.624m), na Rússia. As duas cidades mais famosas perto do Mont Blanc são Courmayeur no Vale de Aosta, e Chamonix em Haute-Savoie, França.

Ao contrário do que muita gente pensa, o Mont Blanc não é um pico isolado, mas sim o maior do chamado Maciço do Mont Blanc. É composto por uma série de outros picos de menor altura, todos repletos de fascinantes histórias de conquista e superação.

O maciço é um destino altamente popular entre montanhistas, hikers, esquiadores e snowboarders. O Mont Blanc em si é escalado por uma média de 20.000 pessoas por ano.

Pode também ser considerado um dos piores lugares dos Alpes no que se refere a multidão e aglomeração, o que muitas vezes implica em falta de segurança por conta de rochas sendo deslocadas por grupos mais acima, ou mesmo pessoas sendo nocauteadas para fora da crista por conta de outros escaladores. Enervantes ultrapassagens sob cristas estreitas e muito, muito expostas.

Época

O verão é considerado a alta estação, quando o pico está mais lotado e o tempo mais confiável.

Setembro é normalmente um dos melhores meses para subir pois as condições são mais amenas e estáveis, e mesmo nessa época, quando a cidade “frita” sob um sol escaldante de 30ºC não é difícil o cume registrar temperaturas entre -10 e -20ºC.

Chegando e se virando por lá

A grande maioria das pessoas que escalam o Mont Blanc pela primeira vez saem de Chamonix, a forma mais fácil de chegar até lá é voar para Genebra e de lá pegar um trem ou uma van até a cidade.

Diversas empresas como por exemplo a Cham Van (http://www.cham-van.com) oferecem serviços de translados de Geneva a Chamonix por cerca de 25 euros. Esses translados costumam rolar de hora em hora, das 9 às 23h30.

Informações sobre acomodações, transportes locais e demais generalidades podem ser obtidas na Internet e também no centro de informações da cidade. Mesmo em alta temporada conseguir acomodação não é problema desde que não se deixe tudo para a última hora. Se você pretende acampar, uma boa pedida é o Deux Glaciers que fica a aproximadamente 3km de Chamonix, na direção de les Houches.
Não tenho certeza dos preços atuais, mas eles não aceitam cartão de crédito. A cidade é pequena e andando pode-se facilmente chegar a qualquer lugar. O transporte público também é ok, com ônibus regulares e trens que levam para todos os lados.

Existe uma variedade infinita de restaurantes e ótimos lugares para comer, de acessíveis sanduíches até caros omeletes de trufa. Chamonix não é famosa pela comida barata e mesmo supermercados costuma ter preços um tanto quanto salgado. Se você está na “pendura” o ideal é comprar numa das vendinhas da cidade e cozinhar no hostel.

Rotas

Se você está lendo esse texto provavelmente não vai ao Mont Blanc para tentar uma das rotas mais obscuras e hard-core. Dentre as rotas “fáceias” existem basicamente três opções: Grands Mulets, Col du Midi (ou Três Montes), e a rota do Goûter.

  • Grands Mulets

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A Grands Mulets é a rota original pela qual o Mont Blanc foi conquistada em 1786, e é muito pouco utilizada atualmente, o que faz uma ótima pedida para quem busca uma ascensão com um feeling mais remoto.

Famosa pela beleza e isolamento, é bastante longa e tem um ganho de altura bem elevado, principalmente no segundo dia, o que faz com que seja a mais “difícil” da três. Ela é também potencialmente exposta a seracs entre Jonction e o Petit Plateau.

  • Col du Midi

A beleza dessa rota a torna a segunda mais popular das rotas de acesso ao Mont Blanc. Ela começa em Chamonix, onde toma-se um teleférico na estação de Aiguille du Midi que leva até o Col du Midi, onde passa-se a noite no abrigo Cosmique, ou acampa-se no glaciar. Acorda-se muito cedo (2 da manhã) e para chegar ao cume é necessário passar antes pelo Mont-Blanc du Tacul (4248m) e Mont Maudit (4465m).

A rota apresenta um considerável ganho de altitude e é bem mais exigente física e tecnicamente do que a rota do Goûter, porém é uma ótima oportunidade para se fazer 3 quatro mils em uma tacada só.

Convém mencionar que boa parte da subida, principalmente no começo, é altamente exposta a uma enorme banda de seracs que costuma matar um bocado de gente regularmente. Você também vai precisar de uma maior gama de técnicas e conhecimentos tais como:  navegação e resgate em gretas.

Essa rota também requer boas condições de neve no Tacul e no Maudit, e uma vez passado esse último, não existe nenhuma forma fácil de abortar a ascensão.

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Rota do Goûter

Conhecida como a “via normal”, é a mais popular e “menos” difícil das três. Por conta de nosso objetivo e experiência na época, foi a rota que eu e o Walker fizemos em 2009. É direta, sem complicações, e fácil de encontrar informações a respeito. Essa seria a que eu recomendaria para quem está começando no alpinismo e pensando em ir sem guia.

Começa em Saint-Gervais (ou mais pra frete, em les Houches) onde pega-se o bondinho que sobe até Nid d’Aigle. Dali a subida passa pelo corredor do Goûter e sobe para o refúgio de mesmo nome onde se passa a noite. Então por volta das 3 da manhã os escaladores saem para o topo. O problema dessa rota é sua alta popularidade, principalmente no verão. O abrigo costuma estar lotado e longe de condições ideias.

Outro problema é a necessidade de atravessar o Grand Couloir, logo após o abrigo Tête Rousse. Embora não muito largo, esse lugar é famoso palco de diversas avalanches e pedras rolando. Em 2011 esse trecho havia sido temporariamente “interditado” em razão de uma enorme avalanche.

Atravessá-lo é como uma rolate russa, olha-se pra cima em busca de pedras caindo, não vem nada? Corra como um louco e cruze o trecho o mais rápido possível.

Após o colour deve-se escalar cerca de 500 metros de pedras soltas até chegar-se ao refúgio do Goûter. Existem cordas fixas e corrimões nos pontos mais expostos então a escalada não é tão difícil, porém não da para sentir muita segurança, e caso você escorregue (por exemplo sob mau tempo, ou com as rochas cobertas de gelo), pode haver problemas…

Condicionamento, altitude e complexidade

Quão experiente e preparado deve-se estar para tais escaladas? Essa talvez seja a pergunta mais difícil de responder. Se você escolher a rota do Goûter precisará de muita calma e pouca experiência técnica, nada além de andar sob crampons em terreno ultra exposto, e agarrar-se a cordas fixas que estão presas nas partes mais perigosas e difíceis.

Ainda assim a escalada é muito exigente fisicamente, e para quem vai sem guia é sempre bom ter certeza do que se está fazendo. Se você for planeja fazer a rota a partir de Aiguille du Midi, a coisa já complica e você precisa de um maior repertório de técnicas e experiência, além de ser ainda mais exigente fisicamente.

No meu entender, a rota do Gouter pode ser realizada por qualquer pessoa com relativo condicionamento físico. Ok, e o que é relativo condicionamento físico? Como diz o nome, isso é relativo… Eu diria que se enquadra nessa categoria alguém que faça exercícios físicos regularmente, cerca três vezes por semana, a pelo menos alguns meses.

Quando eu digo exercício, eu digo ir na academia e suar a camisa, e não ficar lendo revista e/ou olhando pra bunda dos outros. Claro, nada impede que o Senhor barriga, sedentário a mais de 20 anos, resolva pular da cadeira e sair correndo montanha acima. Agora, vai ser divertido? Acho que não.

Alpinismo é sofrimento, isso não tem como mudar. Uma hora está muito calor, na outra muito frio. Se está muito calor você sua e fica molhado. Se está muito frio você sua e tudo congela. Molhado, cansado, com fome, com sede, peso no lombo, isso tudo faz parte da brincadeira. Não gosta, vai jogar golf. Agora, quando mais condicionado se está, melhores as chances de se aproveitar o visual e não simplesmente passar o dia com vontade de chorar a cada passo.

O Mont Blanc é um 4 mil e como tal requer um processo de aclimatação. O ideal pra quem tem tempo é fazer uma escalada de aclimatação antes. Quando fomos, nós subimos direto para o Gouter e posso te garantir que a não ser que você suba devagar, se hidratando adequadamente,

o dia seguinte não vai ser legal. Enjôo, cansaço, mal estar e dores de cabeça são a ordem do dia. Inesquecível o som das diversas pessoas passando mau durante a noite, se você não está se sentindo legal o correto é descer imediatamente. As vezes algumas poucas dezena de metros são suficientes para uma melhora considerável.

Outro ponto importante é o esgotamento físico. Quando chegamos ao Gouter, sob uma forte nevasca, meu parceiro simplesmente sentou no chão e não se mechia mais. Eu nunca havia presenciado algo assim, é um sintoma normal em altitude, após intenso esforço físico. A pessoa simplesmente não tem mais força, nem pra se alimentar. Assim morrem muitos e se você está sem guia, essa fadiga não pode ocorrer jamais.

Preste atenção ao corpo e seus sinais, jamais queime todas as suas energias. Você sempre deve ter um pouco de reserva guardada para eventuais problemas e complicações, tanto com você como em relação aos outros.

É perigoso?

O Mont Blanc é considerado uma das mais mortais montanhas do planeta.

Sim, também são perigosos qualquer outro pico no Himalia ou nos Andes, então porque tal fama? Devido ao número de pessoas que morrem em expedições para essa montanha. Todo mundo lembra da enorme avalanche que matou nove escaladores recentemente.

Apenas uma semana depois, mais dois outros espanhóis morreram congelados vítimas de mau tempo. Um pouco tempo antes de todos esses acontecimentos, quatro escaladores italianos morreram no Aiguille du Midi e ainda antes dois escaladores ingleses foram mortes no Colouir Gervasutti. Ano passado morreram um total de 58 pessoas nessa montanha, 10 outros ainda estão desaparecidos e dados como possivelmente mortos.

Mesmo assim, todos os anos milhares de pessoas se arriscam novamente para tentar a montanha e porque isso? Porque a escalada é muito boa. A razão do número de pessoas que sobe (ou tenta) pelo número de pessoas que morre (ou desaparecem) é muito menor e quase insignificante quando comparada com escaladas traiçoeiras como o K2, Annapurna, Kanchenjunga e Everest.

Segundo o pai dos burros, perigo é 1. uma situação de ameaça, 2. fonte ou situação que pode causar dano, então eu diria que sim, escalar o Mont Blanc apresenta um certo perigo. O grau de perigo varia em função da experiencia individual, do grupo com que se escala, dos equipamentos que se leva (ou não) pra cima, e das condições meteorológicas – e claro, um pouco de sorte sempre ajuda.

Tome por exemplo a rota a partir de Aiguille du Midi, visual espetacular, tecnicamente descomplicada e de fácil acesso a partir de Chamonix. Durante os bons dias de primavera e verão é comum avistar uma longa linha de escaladores subindo a encosta do Tacul, que da acesso a travessia que passa pelos cumes do Mont Mait e Mont Blanc.

A escalada não é mais do que uma pesada caminhada de altitude, que muitas empresas de guia oferecem a novatos ao final de uma semana de curso, mas os perigos da rota podem ser vistos desde o início.

A aproximação passa por um glaciar repleto de cravassas, e o início da ascensão é sobre um terreno inclinado e ameaçado por uma gigantesca banda de seracs. As encostas também podem originar enormes avalanches, dependendo da temperatura, vento e nevascas recentes. Todos os anos morre gente ali, e esse é o paradoxo do montanhismo, muitas vezes a rota mais “fácil” é mais mortal e perigosa do que a rota mais “difícil”.

O fácil acesso, e também o fato de que muitos desses cumes são acessíveis a menos de um dia de caminhada, gera um pouco de complacência. Enquanto a mídia tende a focar nas mortes no Everest e outros picos remotes do Himalia, a triste realidade é que a maior parte dos montanhistas irá morrer não em uma expedição a algum pico remoto, mas em uma das montanhas mais acessíveis do mundo, servida de teleféricos e gigantescos abrigos cujos padrões muitas vezes se igualam a verdadeiros hotéis.

Algumas fatalidades também são apenas produto de “má sorte”. Montanhismo, mais do que escalada em rocha, requer um aceitamento de um nível diferente de exposição ao risco, muito além do controle do escalador. Esses são chamados de “perigos do objetivo” e incluem blocos que se desprendem, relâmpagos, tempestades, etc.

Muitas das pessoas que vão para lá estão de férias, e ver aquele precioso tempo ser perdido por conta de mau tempo de fato faz com que as pessoas sejam motivadas a assumir riscos maiores apenas pra tentar a escalada. Infelizmente, a montanha não liga se você estão de férias.

Para iniciantes, a primeira experiência em grandes montanhas é também uma inclinada curva de aprendizado. Diversas habilidades precisam ser absorvidas, andar seguro em glaciares, resgate em glaciares, navegação, o etc. Tarefas rotineiras como um rappel, em uma grande e instável montanha ficam mais assustadoras e difíceis. Achar o caminho de volta, desidratado e exausto, em uma tempestade ou após escurecer em um dia que pode ter começado as duas da manhã requer um tipo de preparo e atenção que a maior parte de nós, independente do quão em forma, não experimenta no dia a dia.

O aquecimento global também fez os Alpes ainda mais perigoso. Enquanto quedas de rocha foram sempre um problema, o derretimento de “gelo eterno” faz com que gigantescos blocos de rocha agora tornem-se instáveis. Nos últimos anos uma série de maciças avalanches de rocha tem acontecido em diversas faces como por exemplo no Dru, um elegante pilar que pode ser visto de Argentiere.

As vezes se precisa de muito pouco, uma manhã mais quente, uma encosta menos estável do que o previsto, e a roleta russa esta armada.

Guiando ou guiado?

No meu entender existem 3 formas de se escalar uma montanha, você pode contratar um guia e ir com apenas ele ou estar num grupo maior. Pode escalar com um amigo ou grupo (mas sem guia), ou pode escalar sozinho. Tudo é uma questão do que se está buscando, da experiência pessoal, e do risco que se está disposto a correr. Ingenuidade ou inocência nessa escolha podem fazer com que você volte pra casa num saco preto.

No meu trabalho quem manda é o meu chefe, em casa quem manda é a minha mulher, e na montanha quem manda sou eu. Se eu não consigo por mim mesmo, eu não vou. Esse é o meu ponto de vista, mas se você não tem muita experiência, e quer ter 90% de certeza de voltar pra casa, considere seriamente um guia. Vida não tem preço, e as suas changes de cume aumentam exponencialmente.

Normalmente contrata-se um pacote de alguns dias onde o guia irá explicar como usar crampons e piolets, técnicas básicas de glaciar e auto-resgate. O guia então irá leva-lo para alguma escalaminhada de aclimatação e depois parte-se para o Mont Blanc, que costuma ser feito em dois dias.

O procedimento básico é o guia amarrar uma ponta da corda nele e a outra nos clientes e “tocar o pau”. Me lembro de cruzar diversas pessoas visivelmente despreparadas que estavam sendo literalmente rebocadas pelo guia, infelizmente isso é praxe. Um guia deve custar entre 500 e 600 euros por pessoa.

Se você tem aspirações de ir sem guia, ou mesmo sozinho, eu recomendo no mínimo um ótimo condicionamento físico. Você vai querer estar 100% capaz de resolver qualquer merda que aconteça. Imagine-se esgotado, depois de 10 horas subindo e descendo, ter que se envolver no resgate de um parceiro, ou mesmo no seu próprio, escorregando encosta abaixo em direção a Itália…. Nada ideal.

Logística e equipamentos

O estilo Mac Donald’s dos Alpes permite que se suba leve e sem maiores preocupações. Pode-se reservar espaço no abrigo (faça com bastante antecedência) e eles também servem café da manhã, almoço e jantar, além de venderem a preços absurdos itens essenciais como água e cerveja.

Assim, se você for nesse esquema não precisa levar saco de dormir, nem barraca, nem isolante, nem nada.. Recomendo levar protetores auriculares porque todo mundo dorme amontoado num gigantesco quarto e o ronco e problema de altitude dos outros ocupantes tornam bastante difíceis cair no sono.

Também recomendo levar dinheiro ao invés de cartão de crédito, para evitar contratempos. Assim, você vai precisar apenas dos equipamentos individuais e de algum lanche para se energizar durante a subida e descida.

Os ultra puristas podem querer levar sua própria comida, barraca e o demônio na mochila, mas aí também devem evitar qualquer trenzinho ou auxilio e subir e descer tudo na pernada desde Chamonix, uma tarefa um tanto laboriosa. Isso seria o “real fair means” de subir a montanha… algo pouco visto ultimamente.

O que levar

O uso de crampons é absolutamente necessário. Você não precisa deles se não pretende ir além do abrigo Tête Rouse (mesmo se houver neve), mas não seria esperto ir sem crampons muito além desse ponto.

As botas “sérias” de alta montanha não são necessárias, pelo menos no verão. Boas botas de trekking podem ser suficientes, desde que elas tenham alguma proteção do frio e solas rígidas para serem usadas com os crampons. Se você for comprar os crampons o ideal é levar sua bota na loja para ver se eles “casam”. .

Piolets são tecnicamente dispensáveis e algumas pessoas chegam a usar bastões de caminhada, porém o caminho é estreito e muito exposto, e um piolet faz toda a diferença se você que tiver que se salvar de um escorregão.

Capacete é outro item que eu considero fundamental, apesar de que muita gente não usa. Se você não tem nada na cabeça, não precisa de capacete, se valoriza seu cérebro, seria estupidez não usar um. Você também vai precisar de uma head lamp, baterias reservas, e óculos de sol categoria 4. Outro item obrigatório é uma corda (que pode ser curta) e ao menos um mosquetão, você irá precisar disso para cruzar o Grand Couloir.

Em Chamonix você pode comprar todos os equipamentos, e com uma boa pesquisada pode-se conseguir preços bastante compatíveis. Outra opção – e mais econômica – é alugar tudo, e foi o que fiz quando estive lá.

Então fica mais ou menos assim:

Equipmento individual

Mochila (40L)
Botas (que permitam o uso de crampon)
Gaiters (dispensável)
Piolet (comprido, não técnico)
Crampons
Bastões de ski (ajudam bastante, principalmente na volta)
Cadeirinha, mosquetão de rosca e freio
Capacete
Lanterna
Roupas quentes (primeira e segunda pele)
Jaqueta a prova d´água com gorro (Gore tex é bom mas dispensável)
Calça impermeável
Gorro/balaclava
Óculos de sol
Luvas leves
Luvas quentes ou mittens
Kit leve de banheiro e primeiros socorros (protetor é essencial para o corpo e lábios)
Garrafa d´água (1L)
Faca de bolso
Aperitivos / lanche
Barraca, saco de dormir, isolante (dispensável)

Equipamento do grupo

Corda (50m)
Seleção de fitas
Mosquetões (8)
Parafusos de gelo (4)
Compasso / Altímetro/Mapa 1:25000
Cobertor de emergência
Telefone celular (com os números de emergência já gravados)

Perto do topo o frio e o vento podem aumentar consideravelmente (mesmo sob bom tempo), assim roupas quentes são essenciais. Hoje em dia muita gente vai vestida com roupas específicas para montanha, mas da muito bem pra improvisar com roupas de inverno normais.

Normalmente você vai precisar de uma primeira pele, um fleece, e um anorak por cima. Uma jaqueta mais grossa é interessante para o caso da coisa piorar demais. Na época eu fui com um anorak velho da Trilhas e Rumos que apesar de encharcar serviu legal.

Outro item que irei abordar num futuro artigo mas considero indispensável é a aquisição de um seguro. Um resgate em montanha pode custar milhares de euros então é sempre bom prevenir.

Conclusões e reflexões

Cada um sabe onde lhe aperta o sapato. O que é fácil pra um, pode ser o limite do outro.

Desafio é individual, e a aventura é mental. Não cabe a ninguém julgar uma escalada fácil ou difícil porque mais do que pessoal, a escalada em si está 100% sujeita as condições atmosféricas do momento. Num dia de céu azul, sem vento, da pra levar a vovó lá pra cima sem problema.

Agora, o tempo muda, e rápido e aí, quando a merda bate no ventilador, você está moído, perdido no white-out, e tem que se virar pra voltar. É aí que nego cai na cravassa, congela, some, desaparece.

Espero ter contribuído com idéias gerais do que é necessário para se escalar essa famosa montanha.

A Internet está repleta de artigos que descrevem em detalhes cada uma das rotas apresentadas e dão dicas complementares de como fazer sua escalada o mais divertido possível. Faça seu dever de casa, estude as rotas, adeque ao seu nível e boas escaladas!

Dicas e informações técnicas

• Ao alugar os equipamentos dê um jeitinho brasileiro, explique que você vai escalar apenas “no dia seguinte” e peça um redução na diária do aluguel. Tivemos que deixar um depósito no cartão, de 250 euros;

• O setor de informações turísticas fornece previsões atualizadas todos os dias;

• Em muitos hostels o banho é pago a parte, uma ficha para 5 minutos custa em média 35 centavos de euro;

• Os hostels fornecem um cartão que permite livre transporte nos ônibus de Chamonix;

• Ligar a cobrar pro Brasil: 0800 990055 / Ligação direta: 00 55 DD FFFFFFF

Abrigos

Refúgio do Goûter

http://www.lesrefugesdumassifdumontblanc.fr
Reservas:
06 43 84 44 92 (de 26 abril a 7 Junho)
04 50 54 40 93 (de 8 de junho ao final de setembro)

Hostels

Hostel Chalet Ski Station

http://www.skistation.fr/
6 Route des Moussoux. 74400 Chamonix Mont Blanc
Ao lado do teleférico do Brévent, abrem apenas durante a alta temporada. Bons preços e ampla cozinha.

Locação e compra de equipamentos

Sportmarche Technique Extreme, http://www.technique-extreme.com/english/
Tel 04 50 53 63 14
Loja bem barata, boa pra comprar roupa e coisas básicas de camping.

Snell Sport, http://www.cham3s.com/
104 Rue Paccard. 74400 Chamonix
Tel: 04 50 53 02 17 / [email protected]
Essa é uma loja bem mais cara e tradicional.

Previsões, Números de Resgate, …

OHM – Office de haute montagne de Chamonix (previsões e demais informações)
http://www.ohm-chamonix.com/
Tél: +33(0)4.50.53.22.08
[email protected]

França: 112
PGHM. Chamonix 04 50 53 16 89
Canal de emergência: 161 300

Durante uma chamada de emergência, calma e distintamente informe os seguintes dados:
• Nome e número de telefone
• Tipo do acidentte (rock fall, serac fall, fall into a cravasse, avalanche, …)
• Número de vítimas
• Tipo do(s) ferimento(s) (sangramento aberto, fratura, …)
• Localização exata (ex. Mont Blanc, Arrète des bosses 2/3 up the Vallot)
• Itinerário (ex. Route, face)
• Altitude
• Tempo
• Condições de tempo (vento, visibilidade, temperatura)

Murilo Lessa é natural de Piracicaba e desde 2008 mora em Londres, na Inglaterra. Analista de Sistemas, também pratica canyoning, trekking, e é piloto de paraglyder. Se dedica a escalada e ao montanhismo desde 2009, e faz mil malabarismos para balancear treinos e ambições egoístas com a família e o trabalho.

There are 10 comments

  1. Marlon

    Parabéns pelo blog e pela maneira que expos as informações. Gostei!

    Escalei o Mont Blanc em 2004 pelo Col du Midi, e foi sensacional! Porem foi uma escalada bastante técnica em alguns pontos e com certeza muito dificil para iniciantes. Eu tinha feito bastante ascenções nos meses anteriores com picos que variavam dos 3000m até 3800m e algumas escaladas até mais dificeis tecnicamente como a travessia do Bluemsalphorn na Suiça e estava em plena forma física e técnica, porém confesso que a altitude a partir dos 4500m e o frio cortante dificultaram um pouco a subida. Porem sem maiores percalços.
    Recomendo a quem quiser ir que vá ao Mont Blanc pois é sem dúvida um clássico, mas LEMBRE-SE ou voce esta preparado (fisicamente tendo feito outros picos inclusive e tecnicamente ainda mais para nós brasileiros que não conhecemos a neve e os equipamentos) para que seja prazeroso e não um sofrimento e para que volte vivo.
    aBARços

  2. Raí Giovani

    Grande Murilo por favor, to pensando em ir pra la em Setembro, vc tem ideia dos custos, eu mais dois companheiros estamos pensando em alugar equipamentos lá. E ficar em um hotel baratinho.Gostaria de dicas mais especificas, pois achei mais barato ir de Lion até chamonix vc tem ideia desse trajeto?Aguardo resporta no e-mail…G\rande abraço

  3. Guilherme Ramos

    Excelente relato, sensato e bem escrito, parabéns!

    Um comentário: as fotos com as linhas das rotas ficaram trocadas: a primeira foto é da grands mulets, a segunda do trois monts, e a terceira do gouter.

    Um abraço,
    Guilherme

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