O que é, e para que serve, as sapatilhas de escalada com tecnologia “No Edge”

Lançadas a pouco tempo no mercado, pela marca italiana de calçados de montanha La Sportiva, as sapatilhas de escalada que utilizam o conceito “No Edge” em seu solado são anunciadas como mais modernas, e mais eficientes, para escaladores em rocha.

Assim como acontece com todo produto, existe uma diferença abissal entre o que ele oferece de verdade e o que os escritórios de marketing tentam fazer com que o público acredite.

Por isso, como toda tecnologia estreante no mercado, a tecnologia “no edge” foi recebida com certa desconfiança pelo público alvo, e teve pouca discussão e difusão entre a comunidade de escaladores.

Este artigo, portanto, é para que o usuário entenda o que é a tecnologia, e não para fazer propaganda de nenhum produto, nem nova linha de sapatilhas. Para isso não há referência a nenhum modelo, apenas uma explicação da tecnologia e o que significa.

A tradução mais literal do que seria o “no edge” seria: cantos, ou contornos, arredondados.

Mas o que significa então em termos práticos uma sapatilha possuir uma tecnologia “no edge“?

Cantos (edge) em calçados

Todo equipamento que possui beiradas ou cantos, é chamado na indústria de design de produto como “edge”.

Para calçados o conceito de edge, ou canto, fica restrito ao detalhe de encaixe entre a sola e o bico do sapato.

Nas sapatilhas de escalada aquela pontinha de borracha, que é resultado da vulcanização do solado com o corpo do calçado, afasta o contato da ponta do pé com a superfície da rocha.

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Levando em conta que na escalada a sensibilidade do dedão do pé é importante para o equilíbrio e posicionamento do escalador, após várias pesquisas uma equipe de designers concluíram que o canto que havia na ponta das sapatilhas tirava um pouco da sensibilidade do escalador.

O formato que seria ideal para um calçado de escalada em rocha, teria de seguir a o contorno de todo o dedão do pé, pois assim haveria uma maior sensibilidade da superfície pisada ao escalador, dando-lhe também maior superfície de contato de borracha com a rocha.

O design da sapatilha de escalada teria uma perfeita concordância geométrica com a linha do corpo do calçado, bico e início de solado.

A concordância geométrica é a inter-relação entre duas ou mais entidades geométricas (linhas e círculos) através de tangência entre elas.

A ideia é que a nova tecnologia permita que uma sapatilha de escalada envolva o pé do escalador como uma meia, ou seja sem existir nenhuma beirada (daí o conceito batizado de “no edge“).

Assim a melhorias oferecida ao escalador é que mesmo que o usuário não seja tão técnico, a sapatilha se adapta melhor a qualquer superfície do que um mesmo produto com borda (edge).

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Ressola

Para quem se preocupa bastante com o tema do desgaste da borracha, a La Sportiva (empresa que criou a tecnologia “No Edge”) foi anunciado também pela empresa que o desgaste de uma sapatilha com a tecnologia se desgasta menos, quando comparada à sapatilhas que possuem bico com canto.

Como o bico e o solado praticamente são uma coisa só, a tecnologia “no edge” exige agora de ressoladores uma maior preparação, além de treinamento adequado, para manusear um calçado com este tipo de tecnologia.

A empresa também disponibilizou fêrmas de ressola de sapatilhas com o formato “no edge“, para que os modelos com a tecnologia tivessem boa longevidade.

Batizada pelos seus criadores, a tecnologia “no edge” foi aplicada primeiramente em poucos produtos, e hoje está se espalhando a outros modelos, tornando-se mais disponível para o escalador encontrar em lojas de equipamentos outdoor.

Mas funciona?

Como toda novidade, existem muitas pessoas que não se adaptam rapidamente à alguma mudança de paradigma. O mesmo pode acontecer com escaladores com sapatilhas com tecnologia “no edge”  pois o posicionamento do corpo, assim como o uso dos pés, tendem a mudar sensivelmente com a nova tecnologia.

Obviamente que para quem utiliza sapatilhas para escalar em aderência, não sentirá muito esta diferença, mas para os boulderistas e escaladores esportivos deve haver um período de adaptação.

A realização da pressão com os pés tem de ser reavaliada, pois aquela pontinha quadrada de borracha não existe mais.

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Com uma sapatilha com a tecnologia “no edge” a pressão deve ser feita de maneira uniforme, pois a força se distribui melhor entre todos os dedos e na superfície da sapatilha.

A sola mais fina, se compara com outros modelos da marca, aumenta também a sensibilidade, dando a sensação de que se “abraça” com os dedos os desníveis da rocha.

Em linhas gerais: A nova tecnologia funciona, mas exige do escalador técnica e comportamento diferentes do que pode estar acostumado.

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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