O fio condutor para o bom aprendizado

Uma aprendizagem contínua é importante. O aprendizado pode incluir leituras de livros ou realizar atividades como a escalada. É de grande ajuda ter um fio condutor para nos conduzir através do caos do aprendizado.

O fio condutor para o programa do Guerreiros da Rocha é focar a atenção na tarefa e continuamente redirecionar a atenção quando esta se distrair. Este fio precisa atravessar tudo que fazemos, nos dando um centro desde onde podemos operar.

Primeiro, precisamos saber que existem três fases para o aprendizado: preparação, transição e ação. Cada fase requer que nós usemos a atenção de formas diferentes.

Precisamos empenhar nossa atenção para apenas uma dessas fases de cada vez. Se nossa atenção está dividida entre duas ou mais fases, então não podemos fazer cada fase efetivamente.

Segundo, precisamos saber quais tarefas constituem cada fase. Quando estamos na fase de preparação, nós focamos nossa atenção em pensar com a mente. Quando estamos na fase de transição, focamos nossa atenção em tomar uma decisão que favoreça o aprendizado.

Quando estamos na fase de ação, focamos nossa atenção em tomar a ação com o corpo e permanecermos abertos para o processo de aprendizagem.

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Foto : http://mojagear.com/

Terceiro, precisamos entender como que o processo de aprendizagem encaixa nas três fases. A aprendizagem consiste em transformar o estresse em conforto. Para pensar efetivamente, durante a fase de transição, precisamos estar dentro na zona de conforto.

Se houver muito estresse, então a qualidade de nosso pensamento irá diminuir. Nós usamos a inteligência analítica da mente para pensar sobre o risco e coletar informação.

A seguir, nós rompemos a barreira externa que define a zona de conforto. Entramos na fase de transição e tomamos uma decisão intuitiva. Se ela é apropriada, então definimos uma intenção para entrar em ação.

Finalmente, nós entramos em ação ao nos engajarmos no risco. Entramos na zona do estresse. Aqui é onde transformamos o estresse em conforto e aprendemos. Nós ativamos o corpo e permanecemos abertos para modificar nosso conhecimento atual.

A maioria das pessoas afirma o que elas já sabem. Isto indica uma inconsciência; elas não aprendem e permanecem dentro de suas zonas de conforto.

O estresse não pode ser transformado em conforto através da afirmação; devemos abordar a aprendizagem com uma atitude modificadora.

Pois bem, nós conhecemos as fases, as tarefas de cada fase e como que o processo de aprendizagem encaixa nas fases. Uma vez que entendermos essa estrutura, nós simplesmente precisamos ser intencionais.

Precisamos saber em qual fase estamos, em quais tarefas estamos focando nossa atenção e manter uma atitude de modificação. Essa é nossa base. Depois, precisamos de atenção para perceber quando nossa atenção é distraída e redirecioná-la à tarefa.

Digamos que queremos ler um livro. Antes de começar, nos comprometemos com a fase de preparação, que é pensar. O resultado final é aprender, a consequência não é aprender, e o plano envolve ler com uma atitude modificadora para que possamos aprender.

Depois, nos comprometemos com a fase de transição tomando uma decisão intuitiva baseada no que se sente mais apropriado para nosso processo de aprendizagem neste momento. Uma vez que escolhemos um livro, nós estabelecemos uma intenção de lê-lo com uma atitude modificadora.

Finalmente, nos comprometemos em realizar a ação de ler o livro. Se percebemos que estamos focando em validar e afirmar o que já sabemos, então nossa atenção foi desviada para longe de nosso objetivo.

Estamos manifestando a consequência de não aprender. Nós redirecionamos e intencionamos novamente nossa atenção para modificarmos e permanecermos abertos.

Na escalada, nós nos comprometemos a parar em descansos para preparar, descansar e pensar. Nós pensamos sobre o próximo descanso, a consequência, e desenvolvemos nosso planos. Fazemos isto dentro de um conforto relativo de um descanso da via.

Depois mudamos para a fase de transição e nos empenhamos no processo de tomada de decisão. Tomamos uma decisão intuitiva e estabelecemos uma intenção de entrar em ação, mudando da zona de conforto para a zona de estresse. Nos comprometemos com a fase de ação e mantemos uma atitude modificadora ao confiar no corpo enquanto escalamos até o próximo descanso.

Se notamos que estamos frustrados ou com medo, então nossa atenção desviou da zona de estresse para a zona de conforto, o que interrompe o processo de aprendizagem. Nós redirecionamos e intencionamos novamente nossa atenção para modificarmos e permanecermos abertos.

Nós podemos estar lendo um livro ou escalando ao tentar encontrar nosso caminho através do caos do processo de aprendizagem. Ter um fio condutor que nos ajuda a focar nossa atenção na tarefa e continuamente redirecioná-la nos dá um centro e uma base para andarmos pelo caos.

Nós simplesmente precisamos prestar atenção em qual fase estamos e depois focar e comprometer nossa atenção nas tarefas que constituem essa fase. Quando nossa atenção é desviada para validar e afirmar nosso conhecimento atual, então nós simplesmente redirecionamos a atenção para a tarefa.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em : http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês : Gabriel Veloso

Sobre o Autor

Arno Ilgner

Arno Ilgner

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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