Nepal implementa medidas para combater fraudes nos resgates por helicóptero

O governo do Nepal ordenou que fosse revisado todo o procedimento de resgate por helicópteros nas montanhas do país. A ordem foi motivada após descoberta de uma fraude milionária, que obrigava montanhistas a utilizar este tipo de serviço. Caso algum montanhista não fizesse o serviço, poderiam ter até mesmo a comida contaminada por integrantes da fraude. O esquema funcionava há mais de cinco anos, segundo dados da indústria de seguros, causando até mesmo a morte de uma pessoa e que envolvia dezenas de empresas de helicópteros, operadores turísticos, hotéis e hospitais.

De acordo com a investigação do governo nepalês, milhares de escaladores foram obrigados a abandonar a escalada no primeiro sinal de enfermidade, para realizar os caríssimos trajetos de helicópteros até hospitais privados. A conta de todo o serviço ficava a cargo das companhias de seguros de viagens, que os montanhistas contratavam antes de ir ao país. A rede de subornos incluía guias de escalada, hotéis e, às vezes, também alguns escaladores.

Segundo a investigação das próprias seguradoras, este ano foi realizado mais de 1.600 resgates de helicópteros. Foi apurado que um em cada três resgates de helicóptero era fraudulento. Estimam-se que o custo disso para as operadoras seja de três milhões de euros. Várias companhias internacionais de seguro ameaçaram retirarem-se do Nepal se o governo não fizesse nada. Na semana passada, o Ministério de Turismo do Nepal emitiu novas regras para as companhias de helicópteros, operadores de trekking e hospitais que recebem por resgates para apresentarem as contabilidades a um novo comitê governamental em 10 dias.

Também foram pedidas ações legais contra 15 empresas nepalesas acusadas de internações ou retiradas desnecessárias. Segundo fontes próximas à investigação, de acordo com o jornal inglês The Guardian, os próximos meses haverá mais empresas investigadas.

Foto: http://www.everestnepaltours.com/

Empresas de seguro afirmaram que o problema começou por volta de 2010, quando as empresas de resgate nepalesas começaram a investir pesadamente em helicópteros e, consequentemente, necessitavam recuperar o investimento. Somente no ano de 2013, houve seis resgates em um único final de semana.

De acordo com o artigo publicado pelo The Guardian, o aparecimento de tantos esquemas de corrupção é uma consequência da popularidade do turismo de montanhismo que existe no Nepal. A proliferação de fotos em Instagram e de pessoas que utilizam o montanhismo no país para promoção pessoal. Nos últimos cinco anos, afirma a reportagem, são vendidos de 20% a 30% mais seguros de viagem a pessoas que viajam ao Nepal.

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