Mosquetões – Quando, como e qual usar

Mosquetões são peças fundamentais para muitos esportes de aventura em especial a escalada e alpinismo. Hoje existem no mercado equipamentos com a mais alta tecnologia possível agregada nestas peças com intuito de otimizar peso e tamanho porém será que sempre usamos da maneira correta?

Existem muitos tipo e modelos, mas cada um tem sua finalidade. Queremos com este artigo acabar de uma vez por todas com as dúvidas em torno destes equipamentos e proporcionar ao leitor um bom e resumido guia para compra-los e usá-los.

CE EN e UIAA

De acordo com a norma européia, os mosquetões são classificados como EPI de terceira categoria, aquela com maior risco de acidentes, qualquer empresa para fabricá-los é preciso obrigatoriamente dispor da certificação ISO 9.000.

Eles precisam ser marcados com alguns dados, por exemplo, código do respectivo fabricante, carga de ruptura e carga de segurança, número de série, tipo, ano de fabricação, para com isso informar ao usuário estes dados na hora do uso.

No caso a UIAA coloca algumas regras mínimas de segurança ao qual precisam ser atendidas.

Na foto abaixo o número 0426 é a empresa KONG, EN 12275:98 é a norma que rege equipamentos para uso esportivo (abordaremos ela mais abaixo) possui também o número de série da peça e as cargas de ruptura

Antes de entrarmos no assunto é importante chamar atenção para algumas nomenclaturas adotadas, são elas:

  • SWL (safe work Load) carga segura de trabalho.
  • WLL (work load Limit) carga limite de trabalho.

Carga segura de trabalho 10% da indicação do fabricante em caso de material têxtil como as cordas e 20% em caso de metálico. Ou seja, se uma equipamento indica 25 kN (quilo Newton), significa que :

  • WLL é de 25 kN
  • SWL é de 2,5 kN

Vale ressaltar que no estudo da física existem cálculos muito complexos para no final obtêm uma força com 25 kN, mas não basta dizer que se aguenta 25 kN posso levantar um carro, pois existem diversos fatores como velocidade e aceleração que vão influenciar e que obrigatoriamente em medidas de força não se usa kg (quilo gramas).

Portanto quando alguém te falar que tal material suporta 250 ou 2.500 quilos, mude de assunto pois esta pessoal não entende nada de física. Atenção com a diferença na resistência entre aberto/ estravado e totalmente travado, pois diminui drasticamente sua resistência.

Os que chamamos de alumínio ou duralumínio na verdade são feitos com uma liga (mistura de vários metais) chamada Zicral – liga com composição média de

Podem ter travas automáticas ou de rosca e diversos formato

Os mosquetões com travas automáticas devem ser usados em elementos vitais e que não precisam ser muito manuseados.

Em geral não são muito cômodos de se usar. Mas não confundir com os que possuem fechamento automático com molas e sem travas.

Os de rosca são os mais utilizados porém deve ser ter extrema atenção para manter sempre rosqueados e travados, em geral deve-se deixar ele de ponta cabeça de maneira que a rosca fechada esteja na parte mais baixa, assim não existe o risco de vibração e a gravidade fazer com que a rosca se abra.

Nas certificações de quem trabalha suspenso (acesso por corda como a norma NR 35 cita), deixar de travar o mosquetão é considerado uma falta (discrepância leve) e com duas o aluno estará reprovado. O que significa que terá de fazer uma nova avaliação no prazo de 60 dias (pagando cerca de R$ 300) ou então terá de fazer novamente todo o curso, que dura uma semana, só porque esqueceu de rosquear a trava por duas vezes.

Também deve se tomar cuidado com a manutenção pois alguns podem travar e lhe causar grandes problemas. Sem travas, somente com molas, devem ser usados em elementos não vitais ou no transporte de cargas pequenas ou suporte de objetos.

Na prática esportiva são usados nas costuras (elemento que mantem a corda presa a determinados pontos da rocha afim de minimizar o fator de queda).

Os mosquetões podem ter diversos formatos de acordo com a atividade em que será usada os mais comuns são os em formato D ou pera e assimétricos assim podem ter uma boa abertura e se mantem estáveis nos apoios onde serão clipados.

São divididos em duas categorias, Trabalho e recreativo

Mosquetões para trabalho, acesso por corda, alpinismo industrial etc. São regidos pela norma EN 362:

  • Classe A: Conector de ancoragem

Usado como ponto de ancoragens para permitir a conexão em determinado local, vigas tubos etc. podem ter grandes aberturas para isso, exemplo são aquelas varas usadas para instalar a corda afim de possibilitar a primeira subida.

Na ponta dele deve estar um mosquetão classe “A” e “T” existem uns bem desconhecidos no Brasil porém amplamente utilizados na Europa chamado wire que possibilita fazer a ancoragem em tubos, estes são classe “A”.

  • Classe B: Conector de Base

O mais comum usado para fazer ligação entre equipamentos, corda com chapas ou nas paradas. Podem ter vários formatos : D simétrico ou assimétrico, pera, oval etc. Mas cada formato se adapta para uma função ou um equipamento.

Por exemplo: para ser usado com uma polia deve-se usar o tipo oval, já para conectar em uma chapa, ou outro elemento de ancoragem, é melhor usar o forma pera. Os assimétricos possuem uma resistência um pouco maior devido ao seu formato.

Em geral o mesmo equipamento classe “B” pode possuir a certificação tanto para esporte, atendendo a norma EN 12275 tipo “H” por exemplo, quanto para trabalho. Não confundir este “B” com o tipo “B” da norma UIAA 12275.

  • Classe M: Conector Multiuso

Em aço, podem ser utilizados para diversos fins.

Há quem use esta classe para tudo, desde ancoragem até para fazer ligação entre equipamentos.

  • Classe Q: Malha Rápida

Aqueles com roscas igual parafuso que podem ser apertados com chave, são usados em ancoragens ou em locais que devem permanecer fixo por um longo período.

Podem ser utilizados para transporte de carga. Na parte esportiva são usados para abandono na via e algumas conexões como o pedal do ascensor de mão.

  • Classe T: Conector terminal

Possibilita executar a força somente em uma direção, exemplo são os MGO’s utilizados nos talabartes na construção civil no Brasil pela norma deve ter uma abertura mínima de 55 mm.

Recreacional, são regidos pela norma EN 12275 e devem ter a certificação da UIAA

Mosquetões somente com mola, sem trava de segurança, normalmente com abertura de 15 mm. Amplamente utilizados em todos os seguimentos.

No alpinismo são utilizados nas costuras e para fazer ligação de partes não vitais como pedais e movimentação de equipamentos. Muito fácil e prático de se usar devido a única trava de mola, porém jamais devem ser utilizados em partes de seguranças vitais como conectar descensores ou em ancoragens. Isso porque sua resistência é muito baixa para isso e o sistema de fechamento não é indicado para tal fim.

Não confundir tipo “B” da norma 362 que muitos mosquetões vêm timbrados com este “B” da UIAA. É muito comum que o mesmo mosquetão atenda a norma 362 “B” e a norma 12275 “H” ou “X”

  • EN 12275 tipo “H” ou HMS

Devem ser usados nas cordas. Possuem este nome com origem no Alemão “Halbmastwurfsicherung” que significa que pode ser usado para fazer segurança com nó UIAA (no Brasil conhecido como Meia Volta do Fiel, na Itália “mezzo barcaiolo” ).

Este mosquetão é aquele usado para efetuar segurança do 2º ou freio para descida. Só devem ser feitos em mosquetões que possuam a marca H ou HMS timbrado,s pois não farão mal à corda (danificar) e são fabricados e projetados para isso.

  • EN 12275 tipo K

Mosquetão para ser usado em ferrata. Na Alemanha via ferrata chama “Klettersteig”.

Os mosquetões adotados pela CE e UIAA para tal atividade ficaram conhecidos e identificados com um “K”. São de base larga e com travas automáticas que podem ser duplas ou simples.

É exigido uma resistência um pouco mais alto de no mínimo 25 KN.

  • EN 12275 tipo Q

Malha rápida, trata-se daquele mosquetão que sua trava parece um parafuso, normalmente usado para ser deixado fixo no local, abandono na parada da via. Deve ser utilizado aqueles que são certificados pela UIAA e possuam carga de ruptura acima de 22 KN.

Podem ter diversos formatos, delta, oval, D etc. Porém cada formato tem sua função. Por exemplo: o Delta serve para unir a duas partes de cadeirinhas de espeleologia ou peitoral.

  • EN 12275 tipo X

Mosquetão de formato oval com curva simétrica dos dois lados. Indicado para ser utilizado com roldanas e outros equipamentos como freios, trava quedas etc. que requerem uma ligação estável e uniforme, para não sofrer forças extremas em um só ponto.

Não deve sofrer cargas dinâmicas ou seja quedas com trancos. Também muito usado para carregar peças de escaladas moveis pois ficam mais estáveis penduradas em um mosquetão oval.

Bibliografia

Alexandre “Francês” Gazinhato é paulistano, Técnico em Segurança do Trabalho, Jornalista, Alpinista Industrial IRATA, escalador esportivo e membro do Clube Alpino Italiano e Gruppo Speleologico de Marche da Itália.

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