Aquecimento global faz toneladas de fezes de montanhistas aflorar no Denali

O Denali (6.194 m) é a montanha mais alta da América do Norte e faz parte do Seven Summits. Todos os anos a montanha recebe mais de mil montanhistas tentando chegar ao cume. De acordo com a estação Walter Harper Talkeetna, que compila um resumo das atividades de montanhismo no Parque Nacional e Reserva Denali desde 1979, em 2018 aproximadamente 1.200 pessoas tentaram o cume.

Como noticiado aqui na Revista Blog de Escalada, desde 2018 os montanhistas que forem ao Monte Denali ten de recolher suas fezes ao voltarem. O motivo alegado pelas autoridades do National Parks Service (NPS) é de que, após pesquisa científica, ficou comprovado alto índice de dejetos humanos no gelo. O A montanha é a mais alta da América do Norte. O geólogo responsável por estudar o glaciar do Denali, Michael Loso, calcula que 36.000 montanhistas visitaram a montanha entre 1952 e 2012, deixando próximo de 100 toneladas de dejetos sólidos na montanha.

Entretanto, a medida resolveu apenas uma parte do problema. A outra parte do problema está aparecendo com o aquecimento global. A geleira do Denali está derretendo e com isso, as fezes enterradas há muito tempo, estão aflorando na região. Uma pesquisa do National Park Service, publicada pelo jornal norte-americano USA Today, descobriu que, nos últimos 50 anos, a área coberta por gelo nos parques do Alasca diminuiu em 8%.

Isso significa que os resíduos depositados no acampamento de escalada mais baixo na montanha poderiam começar a reaparecer em breve, talvez até mesmo nesta temporada de escalada, que começa em abril. Resíduos depositados mais acima na montanha levarão mais tempo para aparecer. A equipe do Serviço de Parques está monitorando a situação, mas não estão fazendo diligências especiais para procurar por excrementos.

No Monte Everest (8.848 m), geleiras que estão derretendo acabam expondo os corpos de montanhistas que há muito foram enterrados pela neve e no gelo. Como a altitude do Denali é mais baixas que a do Everest, a maioria dos montanhistas que falecem na montanha é recolhida.

Michael Loso, um glaciologista do Serviço Nacional de Parques que estuda o problema do excremento de montanhistas no Denali há quase uma década, sugere que, em geral, as bactérias e outros insetos que vivem nas fezes sobrevivem depois de terem sido enterrados na neve ou depositados em uma fenda. Testes dos rios nos quais são oriundos do degelo encontraram bactérias coliformes fecais. Entretanto, estes coliformes fecais ainda são em quantidades bem abaixo do padrão para lagos e rios da região.

“O lixo emergirá na superfície não muito diferente de quando foi enterrado. Este lixo será biologicamente ativo, então a E. coli (bactéria que habita o intestino de animais endotérmicos) que estava no lixo quando foi enterrada estará viva”, completou Michael Loso.

Na nova regulamentação, que entrou em vigor em 2018, os montanhistas serão obrigados a coletar as fezes em uma espécie de recipiente próprio, batizado de Clean Mountain Can (popularmente conhecida como CMC) e removê-las da montanha. O recipiente, de acordo com o NPS possui capacidade de 10 a 14 usos (calculando média de 250 gramas) com capacidade máxima de 7,11 litros (1,88 gallons).

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