Massificação de visitação ao Everest será menor em 2016

Por definição massificação é o ato de popularizar uma certa atividade para poder ser mais abrangente em todos os níveis, e é por este processo que a escalada ao teto do mundo passou os últimos anos.

O que é visto todos os anos na temporada de escaladas ao Monte Everest é uma invasão semelhante à que passam as praias brasileiras na temporada de verão : um volume de pessoas acima do normal, e do ideal.

Como o Monte Everest não é exatamente uma praia e foi esquecido, na massificação do turismo de montanha, e na ganância de lucros e notoriedade de pseudo-personalidades interessadas em realizar vazias e pasteurizadas palestras motivacionais, que cada vez menos montanhistas de carreira que de fato se prepararam por anos para chegar lá ficaram espremidos entre tantos “farofeiros do Everest”.

Após duas primaveras seguidas sem realização de cumes na vertente nepalesa, os permissos (licença fornecida pelo governo nepalês) para escalar o Everest este ano de 2016 caiu drasticamente.

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Foto : Elisa Ikaly

A título de curiosidade, o custo unitário por interessado a ir ao Everest está entre € 27.500 e € 80.000 em média.

Como o valor a se gastar é alto, até mesmo para quem ganha seus rendimentos em Euro, poucas pessoas querem investir uma grande quantidade de dinheiro em um projeto de ascensão ao Everest e, no caso de algum problema, nem sequer passar do campo base.

Há casos de pessoas que literalmente foram arrastadas pelos sherpas contratados, mas isso vai da consciência de cada um. Neste caso vale lembrar a retórica (comum aos palestrantes motivacionais) de que o corpo físico desta pessoa esteve lá, só não foi pela própria força física nem capacidade técnica.

Chegar ao topo do Everest, sob qualquer hipótese de meios utilizados, requer sobretudo arriscar-se às consequências de uma eventual avalanche na barraca.

Determinado a agregar um valor real da conquista de chegar ao cume do Everest, o governo do Nepal ainda não se pronunciou oficialmente, mas estima-se que haverá um curriculum mínimo para tentar a escalada.

Cascata de Gelo do Khumbu | Foto-SPer Radson

Cascata de Gelo do Khumbu | Foto-SPer Radson

Organizadores de expedições ao Everest já declaram que a procura está muito menor que nos anos anteriores. Muito disso por estar os mais inexperientes e aspirantes a palestrantes motivacionais esperando ao menos uma temporada sem maiores problemas para voltarem a planejar a sua escalada (tanto social quando ao cume).

Segundo noticiou o blog de Stefan Nestler para a Deutche Welle : “Muita gente quer ver uma temporada segura e exitosa antes de se arriscar. Portanto a temporada de 2016 será muito importante, assim como determinante, de que ainda se pode escalar o Everest de forma relativamente segura”.

Notícias oficiosas (leia-se rumores) anunciam que a metade dos permissos solicitados para subir ao Everest, além de uma situação calamitosa do país que dificulta a disponibilidade de combustíveis, remédios e outro tipo de provisão para serem utilizadas no acampamento.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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