Marie Kondo: Como utilizar o método KonMari de arrumação para equipamentos outdoor

À medida que o tempo de experiência vai crescendo, o número de equipamentos outdoor de um praticante também cresce. Alguns são invariavelmente aposentados, já outros ficam guardados esperando uma outra oportunidade de serem reusados (ou mesmo doados). À medida que a quantidade de coisas acumulam em armários, quartos, baús e etc, uma montanha de bagunça de forma. Muitos podem negar, mas ela realmente acontece.

Cada pessoa tem uma maneira particular de arrumar os seus equipamentos. Não existindo, portanto, uma maneira mais certa que a outra. Para quem gosta de sentir-se organizado todo o tempo, tendo ojeriza de equipamentos desarrumados, já deve ter esbarrado no método “magico” de Marie Kondo. Amada por multidões, contestada por alguns (especialmente aqueles que querem fazer literalmente mágica na arrumação sem mudar o modus vivendi), a pequena japonesa de 1,40 metro de altura e 52 quilos é a maior guru da arrumação da atualidade.

Quem é Marie Kondo?

Você é montanhista e passou os últimos tempos no Tibet, Himalaia ou patagônia, sem acesso a redes sociais ou televisão? Saiba que Mari Kondo está para a organização doméstica o mesmo que o escalador norte-americano Alex Honnold está para a escalada em estilo solo. Kondo é atualmente uma das maiores especialistas no assunto.

Seu método, batizado de KonMari, é conhecido e reconhecido pela efetividade em organizar a casa e eliminar pertences desnecessários. Kondo também trabalha para que a pessoa não somente arrume a casa, mas também ajuste o estilo de vida para que ela permaneça arrumada. O método consiste, entre outras coisas, em manter apenas os itens que trazem felicidade. Dessa forma, ao pôr ordem em qualquer lugar, você deve avaliar peça por peça, tocando-as uma por uma, para perceber se aquele item deve ser mantido ou não.

Mas Marie Kondo definitivamente chegou ao patamar melhor personal organizer do mundo com o seriado “Ordem na Casa” no Netflix. A japonesa de 34 anos de idade já escreveu quatro livros sobre organização pessoal, os quais venderam milhões de cópias e foram traduzidos do japonês para mais de 40 idiomas. Seu primeiro best-seller “A Mágica da Arrumação” foi publicado no chegou ao Brasil em 2015. O método KonMari é, na prática, um “choque de gestão” na arrumação doméstica.

KonMari

Foto: Joshua Myers | http://goeast.ems.com

Organizar sua sala de equipamentos com o Método KonMari pode parecer complicado no começo, especialmente se participar de inúmeros esportes outdoor e, por conta disso, possuir uma montanha de equipamento. Neste caso, caso tenha equipamentos de escalada, camping, bike, trekking, entre outras atividades de montanha, muito provavelmente deve estar meio bagunçado (a menos que seja hiper organizado).

Lidar com a organização de todas essas coisas de uma só vez parece cansativo. Portanto, um dos ensinamentos de Marie é observar objetos e padrões de comportamento e questioná-los sobre suas reais utilidades. O método KonMari propõe alinhar pontos importantes:

  • Procure fazer toda a arrumação em só dia: Escolha bem essa data e planeje com antecedência. Porém, caso seja a casa inteira enorme, comece focando em um cômodo por vez, sem deixar para depois.
  • Guardar não é sinônimo de arrumar: Pelo método KonMari, guardar é simplesmente tirar coisas inúteis do seu campo de visão e continuar a acumular e acumular… Esta acumulação leva à bagunça.
  • Separe seus objetos por categoria e não por cômodos. Existem coisas que você possui que são guardadas em mais de um lugar, portanto se guarda objetos do mesmo tipo em locais diferentes, quando começar a arrumar cada cômodo por vez, nunca vai conseguir, porque as coisas estão espalhadas. O ideal é dividir os objetos e seguir essa ordem:
    • Roupas
      • Separe nas seguintes categorias: camisetas, calças, roupas de pendurar, meias, roupas íntimas, bolsas, acessórios, roupas especiais e calçados
    • Livros
      • Separe nas seguintes categorias: livros que trazem diversão, livros de referência, livros de fotografia.
      • Jogue fora as revistas, ninguém mais lê revistas impressas
    • Papelada
      • Conseguir se desfazer de tudo que é inútil (como revistas impressas)
      • O que é importante separe por: materiais de estudo, comprovantes de pagamento, garantias de eletrônicos e cartões de visita
    • Komono (pequenos objetos, itens variados, coisas sem muita importância)
      • DVDs, equipamentos, ferramentas, utensílios de cozinha e outros
      • Faça um inventário, descarte e guarde o restante com reflexão
    • Itens de valores sentimentais
      • Descarte o que não for necessário sempre pensando em quem você é hoje.

Foto: Tim Peck

O leitor (a) mais atento deve ter percebido que o método KonMari foca na raiz da questão que é a organização está em nossa cabeça. O Método KonMari ficou famoso por causa da quantidade de coisas inúteis que possuímos e descartamos. O descarte deve sempre vir primeiro, como forma de proporcionar a sensação de andar com a vida adiante. O critério para descarte de algo, é pensar se é útil ou não e, a partir disso, perguntar a si mesmo:

  • “Você fica alegre rodeado de equipamentos outdoor que nunca usou e que sabe que não tocarão seu coração?”
  • “Você fica feliz usando roupas que não te trazem nenhuma sensação boa?”

Se a resposta for “não”, descarte. Este descarte deve ser seguindo as categorias e a ordem descrita acima. Comece por itens de menor importância e sua capacidade de decidir será treinada quando chegar nos objetos mais sentimentais.

Como descartar é um processo de desapego, procure fazer isso num ambiente silencioso.

 

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O método KonMari não é sobre descartar itens, é decidir o que manter. Ao passar pelo lugar que guarda seus equipamentos, segure cada item em sua mão e faça a pergunta: Isso me traz alegria? Pode parecer bobo (afinal, quanta alegria pode uma velha mochila evocar?), mas ficará surpreso com a rapidez com que a resposta chegará até você.

Uma das lições mais simples que você pode tirar de Marie Kondo é certificar-se de que todo o seu equipamento tenha seu próprio local adequado para ficar. Ao designar locais para ele, tente manter itens próximos uns dos outros. Por exemplo, guarde seu equipamento de escalada perto de suas sapatilhas de escalada, capacete de escalada e saco de magnésio. Dessa forma você sempre irá lembrar de levar seu capacete na próxima vez que for escalar.

No final de sua atividade, não jogue sua mochila em um canto. Procure certificar-se de que todo o seu equipamento foi devolvido ao local designado. Isso inclui revisar todos os bolsos (jaqueta, calça, mochila, etc.) para garantir que nenhum item pequeno, como dinheiro ou headlamp, esteja escondido e não esteja recolocado nos seus locais apropriados.

Um outro bom exemplo, que todos já devem ter passado, é aquele softshell que nunca usa por causa de sua cor estranha ou porque não tem a qualidade que você gosta. Presenteie-o a um amigo que precise desesperadamente de uma atualização de equipamento. Aquelas antigas peças de escalada que ficam sempre encostadas, mas você nunca da um fim nelas, como um backup “apenas no caso de precisar”? Chegou a hora de dar um novo dono a elas. Sabe aquelas sapatilhas de escalada que apertam os dedos dos pés mais do que consegue aguentar? Coloque-as para vender.

A participação em uma variedade de esportes outdoor geralmente resulta em um número absurdo de mochilas, desde as utilizadas para viagens, às que usamos no dia a dia, mochilas de hidratação para mountain bike e muitos outros tipos. Todas estas mochilas ocupam espaço na sua casa. Marie Kondo tem uma solução simples para reduzir o espaço necessário para guardar todas as suas mochilas e facilitar a procura do que precisa quando precisa: coloque-as uma dentro da outra.

Marie Kondo diz em seu livro que “mesmo de maneira inconsciente, nossos pertences realmente trabalham duro para nós, cumprindo seus respectivos papéis todos os dias para sustentar nossas vidas”. Isso é especificamente verdadeiro para equipamentos outdoor, então devemos ter um cuidado especial em tratá-lo bem, dando-lhe um lugar para “descansar” e “respirar”.

E o que sobrou?

Todos que aproveitam o hype de Marie Kondo para arrumar a cada, e ás vezes a vida, acaba com um bom volume de coisas sobrando. Coisas que outrora fizeram parte da sua vida e agora não possuem a mesma utilidade. Uma montanha de roupas, meia dúzia de mochilas, calçados, livros e etc.

No momento que observar tudo isso, não pense em apenas jogar no lixo. Procure respeitar cada uma destas coisas e dar uma sobrevida a elas. Algumas associações de escalada, hostel de montanha e outros lugares, promovem as “feiras da pechincha”. Este tipo de feira serve para dar um fim digno a quem irá dar uma sobrevida a estas pessoas. A grande vantagem é que ainda é possível arrecadar um bom dinheiro disso.

Mas como cada vez menos há este tipo de feiras, uma outra boa ideia é fazer doações para instituições de caridades. Sites como o do Exército da Salvação e da Liga Solidária oferecem serviços de retirada e acompanhamento. A boa ação pode ajudar a se desfazer sem peso na consciência, caso esteja em uma etapa complicada da arrumação.

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