Manual do consumidor outdoor consciente: como mudar a atitude das marcas com você

Uma pergunta direta a você que aterrizou neste artigo por algum motivo: você está satisfeito com a atitude que as marcas tem com você e com o mundo?

Lembre-se que a pergunta tem um significado muito mais profundo que o conceito raso e hipócrita da acusar alguma marca de “prática de capitalismo”. O capitalismo, para o bem ou para o mal, é que faz toda esta roda social a qual vivemos girando. O que está em jogo é a consciência da própria força como público consumidor.

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Foto: http://www.stealingshare.com/

Muitas marcas (para não dizer todas), nacionais ou internacionais, que atuam no Brasil reclamam que os consumidores brasileiros não se importam com elas. Deve ser porque elas tampouco se importam com os consumidores. Como mudar este quadro de animosidade mútua?

A resposta a esta pergunta, passa pela atitude de respeito e reconhecimento da importância do papel social que seu consumidor possui. Buscar entregar um produto de qualidade, para prover satisfação ao cliente é obrigação de toda e qualquer empresa. Entretanto, levando em conta que o o universo de pessoas que praticam atividades outdoor é diferente, por que então estas mesmas empresas também não atuam diferentemente com a sociedade e com seu público?

Portanto, novamente, faço a pergunta: você está satisfeito com a atitude que as marcas (e lojas) tem com você e com o mundo?

Você mesmo, caro leitor (a) é que fará com que a marca que explora o universo outdoor faça algo diferente do que simplesmente contratar semi-escravos chineses, muito bem “chicoteados”, barateie o que você compra. Na sociedade o que a sua marca favorita faz de diferente? Abaixo estão algumas práticas que toda e qualquer empresa (não importando o tamanho) que realmente reconhece e respeita o público-alvo que a pratica.


Exija MELHORES produtos, não apenas mais produtos

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Com uma população brasileira beirando 250 milhões de pessoas, evidentemente a demanda por roupas é grande. Mas esta mesma roupa é de qualidade? Ela dura o que deveria durar?

Quanto mais uma marca incentivar roupas de baixa qualidade, mas te baixíssima qualidade e durabilidade, o que ela deseja mesmo é apenas incentivar o consumo de seu público. Nas atividades outdoor como camping, trekking, hiking, escalada, slackline cada vez que um produto estraga vai ao lixo.

Imagine o impacto ambiental que é criado, por exemplo, uma barraca jogada no lixo, jaquetas impermeáveis, etc. Sempre que um produto de má qualidade é vendido largamente, sem o devido protesto pelo público, além de denunciado pelas mídias especializadas, há um impacto no ambiente.

O primeiro passo, portanto, é sair do círculo vicioso de comprar roupas e exigir (por redes sociais principalmente) que a marca fabrique algo de qualidade. Se você não cuidar da atividade de que goste, não espere que algum gerente administrativo de uma marca o fará.

LEMBRE-SE: O mais responsável que podemos fazer pelo meio ambiente é não comprar coisas novas se não as necessitamos.


Estenda a vida útil de seus equipamentos

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Foto: http://www.patagonia.com

Todo praticante de atividades outdoor deve entender o valor real de um equipamento de qualidade.

Quanto mais qualidade possui um equipamento, por mais caro que seja na hora de comprara, maior tempo você irá usa-lo. Incentivar empresas que produzem equipamentos de qualidade, que não comprometam a atividade e que sejam usados frequentemente, é fundamental.

Procure constantemente fazer limpeza e manutenção de seus equipamentos. Esta atitude irá fazer você entender cada vez mais a importância do investimento em um produto de qualidade. Sabendo que uma marca prioriza pela qualidade, demonstra que ela possui interesse em você.


Apoie marcas éticas e sustentáveis

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Programa worn wear da patagonia | Foto: https://www.themanual.com/

A sua marca de roupas oferece manutenção pós venda? No Brasil muitos poucas marcas oferecem este produto. Mesmo as marcas internacionais, que realizam este tipo de atividade nos seus países de origem, ignoram a atividade no Brasil. Um exemplo positivo a se destacar é a marca americana Patagonia, presente na Argentina e Chile, que já implementou seu programa de manutenção voluntária de equipamentos worn wear nestes países.

Nestes eventos e atividades, produtos outdoor são submetidos a manutenções e pequenos reparos. Isso paraa garantir não somente a longevidade, mas também para fidelizar o cliente. Um cliente fidelizado faz anúncio da marca gratuitamente.

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Foto: http://www.patagonia.com

Uma empresa que não realiza nenhuma ação de investimento em eventos, encontros e outras atividades de reunião da comunidade é porque não valoriza o público-alvo. Preste atenção se esta marca pratica a “esmola legal” que é somente apoiar eventos em troca de superexposição. Marcas e lojas que nunca patrocinam nenhum evento é porque não acredita no valor de seus clientes.

Recentemente em uma pesquisa feita sob encomenda de uma organizadora de feiras, 86% das marcas do segmento outdoor atuantes no Brasil não tem interesse em participar de feiras ou outro evento similar. O resultado contrasta com a receptividade do público a este tipo de evento, os quais raramente acontecem no Brasil. Estas mesmas marcas optam por apenas propaganda paga em redes sociais e ações promocionais locais.

Vigie se as empresas outdoor possuem algum tipo de programa de reciclagem ou qualquer outro programa de cunho social. A atitude que a marca ou loja possui com a sociedade, reflita a maneira que enxerga o seu público e os próprios empregados.


Promova bazares

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Alguns produtos outdoor são caros. Uma boa opção é comprar produtos usados que, obviamente, é muito mais barato que o original. Assim como acontece com todos os tipos de produtos industrializados, um produto usado (mesmo que foram “poucas vezes”) é, no mínimo, 30% mais barato que o que foi pago.

Por isso é parte da obrigação do público consumir realizar feiras da pechincha, bazares e outros tipos de eventos de venda de produtos usados. Neles, os produtos usados encontram nova vida, com um novo dono.

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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