Mamãe que escala ! – Como escolher ser mãe e escaladora

Por: Julia Frumento e Mariano Rodriguez

Foto : http://www.escaladarustik.com.ar/

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A escalada não discrimina e é para todas as idades. Para os que trabalham no escritório e para os que vivem a vida cada dia. Para os que amam o esporte e para os que amam o estilo de vida. Para os que vão só  “bater um papo” e para os que vão treinar de verdade. Para filhos e para pais… e neste último grupo , claro estão as mães.

Mas e se o neném esta a caminho?

É possível escalar estando gravida?

Por sorte, a resposta é sim!

Mariana e Patricia, duas mamães escaladoras, falaram um pouco das suas experiências de escalada durante a gravidez.

Mariana Desio (35 anos) escala há quase 12 anos e tem uma filha de 4 anos.

Você escalou durante a gravidez? Teve apoio das outras pessoas? Como você se sentiu?

Durante a gravidez escalei muito pouco; nos primeiros meses escalei com o mesmo ritmo e intensidade de antes da gravidez. Isso foi devido a que minha gravidez foi muito tranquila, além disso ninguém na academia sabia que eu estava grávida.

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No terceiro mês, decidi parar um pouco por precaução, e a minha ideia era retomar no quarto mês, nessa hora, a academia toda já sabia que eu estava grávida e recebi muita bronca das pessoas pela minha ideia de continuar escalando.

Falavam que era uma loucura ou falta de noção da minha parte , quando na verdade se você diminui o ritmo de escalada e o seu corpo responde bem, não deveria existir motivo para interromper a atividade.

Tem muito mito sobre o esporte e a gravidez (sempre que a gravidez for normal e sem problemas). Do quarto ao sétimo mês, escalei umas seis vezes e não curti nenhuma delas: sempre senti o olhar de desaprovação das pessoas, e até me falavam que era louca, que não deveria escalar.

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O bom é que hoje tem mais precedentes de mulheres que continuaram escalando durante a gravidez, e a galera da escalada esta mais acostumada com isso. Agora tem mais aprovação, mas nunca falta ninguém que acha errado e não quero entregar mas na maioria das vezes são os homens (risos).

Como foi o seu retorno a escalada depois da gravidez? Foi grande a mudança?

O retorno foi muito difícil e demorado.

Tinha perdido a forca, a destreza, o estado aeróbico,os calos.

Era difícil pegar qualquer agarra, não conseguia fazer cinco movimentos seguidos e os negativos eram terríveis.

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Enfim era como começar do zero, com a única vantagem que já sabia usar os pés. O corpo muda muito durante a gravidez, é muito diferente do que ficar parado por uma lesão… e muito pior se você para totalmente o treino.

O fato de ser mãe também limita a sua liberdade na hora de treinar. Voltei a escalar quando a minha filha Maia tinha quatro meses de idade e só conseguia uma hora por semana.

A dificuldade mais que nada porque  precisava da ajuda de muita gente para conseguir escalar durante uma hora.

Mas isso depende depende muito das possibilidades de cada pessoa de ter alguém que ajude cuidando do seu filho enquanto escala. Durante o primeiro ano, tinha que administrar o tempo para escalar;

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Eu ia, escalava e voltava, não dava para parar para falar com ninguém.

Na medida que fui me organizando melhor, consegui uma frequência maior de treinos e consegui recuperar o meu nível de escalada. Acho que consegui isso só após dois anos da minha volta a escalada

Você gostaria que a sua filha fosse escaladora? Você acha que a escalada é um esporte para toas as idades?

Mariana Desio5

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Sim, acho que a escalada é para todas as idades mas também acho que cada idade enxerga a escalada de um jeito diferente.

As crianças a enxergam como uma brincadeira, e talvez aos 12-15 anos são um pouco mais maduros e percebem que gostam do esporte e que querem evoluir.

Patricia La Spina (37 anos), tem um filho de 3 anos, e também aceito ser entrevistada.

Tem 16 anos de escalada esportiva e tradicional, a seguir a entrevista com Patricia:

Você escalou durante a gravidez? Teve apoio das outras pessoas? Como você se sentiu?

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No primeiro mês de gravidez, ainda não sabia que estava gravida, treinei normalmente, participei de um campeonato e fui até o Valle Encantado tentando algumas vias…

Depois, continuei escalando.

Comecei comecei a escalar abaixo do meu nível para evitar batidas e sempre escalava em top-rope.

As vezes ficava um pouco chato mas foi muito bom continuar no ambiente da escalada e fazer o que é a sua paixão.

Depois, quando a barriga começou a crescer e sentir os movimento do neném, perdi um pouco a vontade de escalar e estava mas dedicada a ser mãe…

Aos poucos, fui escalando menos, até que no quinto mês parei de escalar.

Agora falando do apoio das pessoas, meu marido

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, é o que mais me apoia em tudo.

Me motivava para seguir e foi super parceiro. Como ele também escala desde faz muito tempo, fica fácil para ele a vontade e a paixão pela escalada.

Ao seu redor tem de tudo, quem fala “que bom, continua escalando” e quem, fica horrorizado, e olha para você com desaprovação e as vezes até falam na cara.

Mas eu nunca desanimei; tinha certeza do que estava fazendo e que não tinha riscos no que estava fazendo: pesquisei na internet sobre mães escaladoras, como e até quando seguir escalando e também, claro esta, com a aprovação do meu médico.

Como foi voltar a escalar após a gravidez? Foi muito diferente?

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Muuuuito diferente.

Após um mês de ser mãe, voltei à academia com meu marido e nosso filho de um mês.

Lembro que era domingo, que não tinha ninguém, tranquilos, para ver o que acontecia.

Não conseguia ficar em nenhuma agarra pequena!! Sentia que meus dedos abriam facilmente. Qualquer boulder “fácil” era um desafio. Já tinha experiência de ficar parada por causa de lesões e fraturas, sabia que era só questão de tempo, paciência e não desistir.

Bom, durante o primeiro ano do meu filho, escalei muito pouco e bem suave. Sentia muita falta de energia (dormir pouco…) e concentração.

Só fazia volume.

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Com o tempo, comecei a “treinar” coordenando os dias com meu marido. Nos revezávamos, e até agora é assim.

Mas tenho que aceitar que começar a escalar 19:20 h depois de uma jornada de trabalho e ser mãe é bem difícil…

Você fica na duvida de ir dormi ou treinar. O bom que sempre decidia ir escalar!!

Aos poucos, consegui fazer mas horas de escalada. Com meu filho maior e eu mais organizada já mudou bastante.

Você gostaria que seu filho seja escalador?

Meu filho ia na rocha desde pequeno e ficava olhando enquanto a gente escalava.

Por sorte, ele adora: a barraca, a natureza, ir para estrada, viajar…

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Agora, a escalada não sei se ele vai querer.

Claro que eu adoraria, certeza, mas não quero insistir para ele; ¡já é muito para ele o fato dos dois país escalando o tempo todo!

Você acha que a escalada é uma atividade para todas as idades?

Acho que a escalada é uma atividade para uma grande faixa etária. Já conheci gente que começou escalar aos 40 ou 50 anos e mandam muito nas vias e boulders.

Hoje em dia tem muitas modalidades de escalada.

Antes era mais limitado porque só podia ir para rocha (o que eu acho mais divertido) mas hoje tem muitas academias que permitem escalar na cidade.

Ou seja : que cada um pode escalar como mais goste.

Para mim a escalada é meu estilo de vida

 Para ler o texto original em espanhol acesse: http://www.escaladarustik.com.ar/entradas/ver/144

Sobre o Autor

Natalia De Marco

Natalia De Marco

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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