Localizadores satelitais: Quais são os melhores aparelhos do mercado para ajudar no resgate

Basta olhar à nossa volta para perceber que os esportes de natureza estão ficando novamente em evidência. No final dos anos 1990 houve esta mesma crescente que posteriormente mostrou-se ser uma bolha. Agora quase 20 anos depois, impulsionados pelas redes sociais, atividades como trekking, montanhismo e escalada vêm ganhando atenção na mídia tradicional. A título de exemplo, neste ano de 2018, dois eventos não relacionados com escalada utilizaram a imagem de escaladores para divulgação. Cada vez mais veículos da linha de “aventura”, também vêm utilizando o mesmo artifício para explorar a imagem que a atividade possui.

Porém o outro lado desta moeda é que mais e mais pessoas, as quais não possuem conhecimento nem equipamento inadequado, se aventuram em trilhas e escaladas colocando em rico suas vidas e, pior, a própria atividade. Este é o principal motivo por trás de tantos resgates que chamam a atenção de todos: imprudência e irresponsabilidade. Somente este ano na Serra da Mantiqueira houve seis resgates a praticantes de trekking que se perderam. Um detalhe que poucos comentaram, mas que é latente em cada relato, é que quase todos eles tiveram problemas de navegação e orientação na montanha.

Cabe aos praticantes de qualquer atividade de montanhismo atuar como evangelizadores da atividade. Ensinando a quem é principiante e, sempre que possível, chamar a atenção de quem acredita que a atividade é simples e inofensiva. Cada praticante experiente que se omite de chamar a atenção de principiantes e entusiastas leigos que colocam a atividade em risco, pode estar colaborando para que alguma área seja fechada, a própria atividade seja regulamentada, entre outras consequências desagradáveis.

Mas como evitar que estes resgates tenham uma diminuição sensível? Infelizmente não existe uma fórmula mágica que irá resolver todos estes problemas. O ideal, até mesmo para não chamar a atenção com caros resgates de pessoas imprudentes, seria já saber onde ela estaria. Parece ridículo? Nem tanto, pois no mercado já existem alguns comunicadores satelitais e localizadores que têm exatamente esta função. Assim, de posse com um destes, facilitaria até mesmo para o corpo de bombeiros chegar a quem quer que seja, para um resgate rápido e que não envolvesse tantas pessoas, nem chamasse atenção da mídia tradicional de massa.

Onde eu encontro?

Foto: http://www.stealingshare.com/

Infelizmente, no Brasil, não existem muitos modelos disponíveis. Grande parte deles pode ser adquirido no exterior a preços razoáveis. Um outro problema é o preço dos pacotes de dados que, assim como os telefones celulares, são necessários para que funcionem em um determinado período. Na América do Sul não existe nenhuma empresa que possua os aparelhos e tenha o serviço de aluguel do aparelho. Este tipo de lacuna, diga-se, é uma boa oportunidade para quem quer empreender no mercado.

Porém esta realidade ainda está um pouco distante de acontecer. Atualmente é necessário adquirir o aparelho e não há notícias de que há algum parque que exija o uso destes aparelhos para quem fizer um trekking. Entretanto, resta apostar no barateamento da tecnologia, tanto do aparelho quanto dos dados, para que seja um pré-requisito de trekking e hiking como botas de caminhada, sacos de dormir e capa de chuva.

Meu celular funciona?

A cada dia há mais e mais pessoas dependentes dos smartphones. Aparentemente, ao menos quando tem sinal, eles servem para tudo. Mas quando não há sinal, ou quando sua bateria está próxima de acabar, é que sua limitação funcional fica explícita. Portanto, a resposta para a pergunta deste tópico é: não, o seu celular (nem mesmo do(a) seu(sua) coleguinha) não serve como comunicador satelital.

Uma outra diferença básica, é que os comunicadores satelitais não utilizam prioritariamente os sinais de celular para comunicarem com alguma central. A cobertura de “sinal” é feita diretamente por satélites que orbitam o planeta. Por isso, ao menos em teoria, muitos deles conseguem receber e enviar sinais em locais desprovidos de cobertura de telefonia celular. Portanto, em uma situação extrema com neblina, chuva ou mata cerrada, ainda assim você conseguiria enviar socorro.

Spot

A marca Spot foi das primeiras a apostar neste tipo de serviço. Exatamente por isso que sua penetração em mercados de todo o mundo é respeitável. Por isso mesmo que o resultado da penetração da marca, junto com a qualidade do serviço, construíram uma reputação forte. Reputação esta que várias outras marcas resolveram concorrer para disputar este mercado. A esperança, como dito acima, é que este tipo de aparelho torne-se obrigatório em alguns lugares do mundo.

A Spot possui dois modelos: Spot gen3 Satellite Messenger, que possui uma interface pouco amigável a quem não é afeito a tecnologia, e o recém lançado Spot X. O primeiro modelo custa em torno de US$ 115,00 e o segundo US$ 250,00. A grande diferença entre os dois logo de cara é a interface com o usuário e a usualidade do segundo, que permite inclusive troca de mensagens bidirecionais (permite ao usuário enviar e receber mensagens). Já o modelo Satellite Messenger permite apenas o envio de mensagens, mas não as recebe.

Garmin

De olho no mercado de localizadores satelitais, a Garmin, líder mundial em aparelhos de GPS, lançou dois modelos. A fator destes modelos está o expertise que a empresa possui em GPS e sua preocupação com interfaces amigáveis e softwares de qualidade. Esta preocupação, claro, acabou refletindo no preço. Seus dois modelos principais para localizadores satelitais são: Garmin inReach Mini e o Garmin inReach Explorer+.

Ambos os modelos são ideais para quem não possui conhecimentos avançados em navegação, sendo que o modelo Explorer+ é considerado o mais fácil de usar. Porém os preços podem assustar quem procurar comprá-los. O inReach Mini custa US$ 350,00 e o Explorer+ US$ 450,00. A favor destes dois aparelhos está a sua capacidade de navegação e cobertura. Com uma interface muito amigável, parece descomplicar a vida do usuário em situações de emergência.

Ocean

A empresa Ocean possui um aparelho muito semelhante ao Spot, mas com a mesma interface com o usuário deficitária. A filosofia de ser uma espécie de “caixa preta”, na qual não há qualquer interação com o usuário. A grande vantagem está no preço inicial do aparelho (a contratação do plano de dados). Além disso não possui tantas opções prolixas como as existentes na concorrente Spot.

O modelo Ocean Signal rescueMe PLB1 somente envia sinais de emergência. Portanto, serve de como um botão de emergência. Este aparelho custa US$ 250,00 e planos anuais de dados.

GoTenna

Desenvolvido pela startup é dos aparelhos mas práticos dentre os comunicadores satelitais. Como o alcance de sua cobertura é limitado, é melhor ser usado em locais próximos, como alguns trekkings considerados fáceis no Brasil. Para locais mais distantes como Patagonia e Ásia, pode ser que o aparelho não será tão eficiente. O aparelho, que se assemelha a um palito com bateria interna que pode ser utilizado como comunicador por meio de Bluetooth e smartphone, permitia enviar mensagens e transmitir sua localização geográfica (por meio das coordenadas do GPS) sem a necessidade de serviço exclusivo de satélite.

Porém o goTenna tinha uma debilidade: caso estivesse fora do alcance da cobertura da telefonia móvel a comunicação estaria comprometida. O aparelho possui uma limitação máxima de 10 km e possui limitações de comunicação por conta do terreno. Custando US$ 180,00, é indicado para quem está iniciando a atividade e deseja fazer atividades próximas.

ACR ResQlink

O aparelho ACR ResQ Link+ é compacto, com serviço de localização fornecido pela própria empresa. Assim como o Ocean oferece somente mensagens de SOS. Seu principal concorrente é a Ocean citada acima.

O preço do aparelho é salgado: US$ 250,00.

Recco

Antes de qualquer protesto, aqui vai uma observação: O recco não é exatamente um comunicador satelital. Mas é um m sistema de rastreamento eletrônico que permite que pessoas sejam encontradas em ambientes outdoor. Este talvez seja o equipamento mais atraente para obrigatoriedade de praticantes de trekking em travessias. O mais atraente deste rastreador é que ele já vem acoplado à sua roupa, como uma etiqueta. O sistema consiste de duas partes: um refletor integrado à roupa do montanhista e um detector.

Como ainda não possui concorrente no mercado, a marca vêm sendo adotada sem muita resistência por grandes marcas da Suécia como Ortovox e Haglöfs. O rastreamento funciona por meio de ondas de rádio a 917 MHz. Como não é um aparelho de GPS, não depende ativamente de cobertura de satélite.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

There is one comment

  1. Renato minguta

    Muito boa a postagem, temos no Brasil um enorme volume de pessoas iniciando no trekking e se arriscando muito por falta de conhecimento, tenho notado que estamos a cada ano tendo mais ocorrências e resgates em nossas trilhas e montanhas. Portanto, devemos passar o conhecimento adiante para os aventureiros, principalmente as novas tendências e tecnologias.
    “Deixando bem claro” que não podemos esquecer das tecnicas de orientações naturais e navegacoes, pois isso pode fazer toda diferença na hora de morrer ou sobreviver.
    Abraços a todos.
    Facebook Renato Minguta

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