Livro da semana: “Os Vagabundos Iluminados” – Jack Kerouac

Chega a ser impossível falar em obras literárias que abordem viagem de mochilão, aventura e ficção sem tocar no nome do escritor Jack Kerouac. Sua obra mais famosa, o clássico “Na estrada” (On the Road), é uma perfeita imersão no espírito de uma viagem e auto descobrimento. Esta é considerada a obra-prima de Kerouac e marcou uma geração de escritores quando foi lançada.

Para quem gostou de “Na estrada”, sua outra obra “Os Vagabundos do Dharma”, embora não seja impactante como primeiro, é talvez mais interessante para quem vive o universo outdoor. Segundo os especialistas em literatura beat, este é seu melhor trabalho. A própria tradução para o português, já causa um pouco de confusão a quem se interessa pelo trabalho do autor, pois ela possui ao menos três títulos diferentes. “Os Vagabundos do Dharma”, “Os Vagabundos Iluminados” e “Os Vagabundos da verdade”, em linhas gerais, tratam da mesma obra de Kerouac: “The Dharma Bums”v(título original em inglês).

Foto: https://armia.forumfree.it/

O livro, que segue o estilo “road novel”, examina a relação que a vida ao ar livre, montanhismo, caminhadas e a escalada no oeste americano possuem com a prática do budismo e a liberdade do espírito. Como o escritor era um boêmio incorrigível, há na obra várias partes de sua vida em clubes de jazz, recitais de poesia e festas com muitas bebidas e todos os tipos de drogas (lícitas e ilícitas). A procura do protagonista por um contexto “budista” para as suas experiências, assim como para qualquer pessoa que cruze, repetidamente é abordada ao longo de toda a história.

O enredo do livro se parece muito com o que cada praticante de atividades outdoor vivencia. O protagonista, Ray Smith, é um aspirante a escritor de San Francisco que anseia por “algo mais” na vida. Este “algo mais” será apresentado a ele por Japhy Rider (baseado no amigo Gary Snyder), que é um jovem zen-budista praticante de montanhismo. Além disso, Rider é o típico dirtbag, que vive com o mínimo de dinheiro e alheio à sociedade de consumo norte-americana.

O estilo característico de Jack Kerouac, escrita ágil e rápida, como se quisesse relatar o mundo em um único fôlego está presente no livro. Apesar de ser apaixonante à primeira vista, com o passar das páginas o conteúdo começa a ficar cansativo para o leitor. Esta característica faz com que “Os Vagabundos Iluminados” fique difícil de ser lido rapidamente. Além de tratar de vários aspectos sociais, que existem até os dias de hoje no universo outdoor, a obra é permeada por expressões genéricas e pseudofilosóficas como “vida simples”, “desapego”, e outras gírias. Existe também na obra, um sobrevoo por sobre as loucuras que a sociedade nos sujeita e em como isso acaba nos torturando profundamente.

“Os Vagabundos Iluminados” tem um atrativo extra, especialmente para quem já possui certa experiência em trekking e montanhismo: detalhes da vida na estrada e viagens de mochilão. No livro, Kerouac detalha desde a organização da mochila, passando por locais de acampamento e comidas mais simples para praticantes de trekking. Além de um excelente retrato do espírito aventureiro de quem pratica atividade de natureza, é também um livro sobre amizade e liberdade na busca pela iluminação. É interessante ainda observar que todos os personagens, incluindo o seu alter ego, são clichês de personagens que encontramos até hoje, mesmo 60 anos depois do livro ser escrito, em vários locais de escalada e trekking.

Ficha Técnica

  • Título: Os Vagabundos Iluminados
  • Autor: Jack Kerouac
  • Edição: 1ª
  • Ano: 1958 (edição brasileira 2004)
  • Número de páginas: 252
  • Editora: L&PM Editores

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