Documentário “las Chilcas: la história jamás contada” é liberado para visualização na íntegra

Quantos lugares que inicialmente eram desprezados por muitos praticantes, mais tarde tornaram-se referência para todos? No Brasil exemplos não faltam: Falésia dos Olhos, Arcos, Passa Vinte, entre muitos outros. No Chile igualmente aconteceu com o local de escalada conhecido como “Las Chilcas”.

Este local, considerado excelente e visitado por escaladores tanto chilenos quanto de outros países, fica a aproximadamente 80 km da capital do país Santiago. De fácil acesso e com extensa área que possibilita camping com abastecimento de água potável e comida. Com clima desértico, muito parecido com o encontrado em locais também icônicos como Piedra Parada na Argentina, permite a escalada quase o ano inteiro. Lembrando que no Chile a temporada de escalada (período que é considerado apropriado para a escalada) é bastante definido por conta do inverno mais rígido do que o vivido no Brasil.

Suas primeiras vias equipadas foram em meados dos anos 1990, sendo a principal motivação a superlotação de outros locais de escaladas esportiva no Chile. Atualmente existem centenas de vias que vão desde o quinto grau até oitavo grau francês (nono/décimo grau brasileiro), com predominância de monodedos, buracos e abaulados. O tipo de rocha é o conglomerado, que à época era alvo de preconceitos dos escaladores mais experientes.

Para quem ainda não conhece, pois ainda fica procurando os mesmos lugares sem preocupar-se em escolher lugares novos, este é o centro de escalada chileno ideal para quem está procurando subir o grau de escalada. Os escaladores jovens à época representavam uma demanda reprimida (similar ao que acontece atualmente no Brasil hoje) de praticantes que ansiavam por novas áreas com um novo estilo de abertura de vias e que pudesse testar o repertório de movimentos de qualquer um.

Documentário

Procurando perpetuar a memória do lugar, além de conscientizar as novas gerações de escaladores, foi realizado um documentário a respeito de “las Chilcas”. O documentário foi realizado pelos próprios conquistadores que, à época escreveram um capítulo importante na história da escalada chilena. Na produção, contada desde o início, mostra que o local era mais conhecido como uma área de boulder, mas que por conta das iniciativas do escalador Carlos Concha (Carlanga), que ignorou as críticas de que a pedra era de má qualidade.

A primeira via, considerada um verdadeiro clássico do lugar, foi “La furia del ermitaño” graduada em 6b francês (6° grau brasileiro). A partir daí surgiram vias dos mais diversos graus, que possuem extensão de 10 a 30 metros (a média das vias são de 20 metros) predominantemente vertical, mas locais levemente negativas. Um verdadeiro ginásio a céu aberto (não, isso não é um defeito!).

No filme, com extensas tomadas de drones (que permitem uma visão panorâmica do local), é possível ver o surgimento de um dos locais considerados dos melhores lugares de escalada do Chile. Na produção também é interessante testemunhar que, ao contrário do que acontece em lugares do Brasil, não houve “apropriamento” de nenhum escalador autointitulado como “dono” ou o “principal responsável”.

Pelas declarações dos participantes do filme fica nítido que o “coronelismo” existente em locais de escalada no Brasil não aconteceu no Chile. O guia de escaladas do local, por exemplo, está disponível para download gratuito.

Para ter acesso ao guia de escalada, pode ser baixado gratuitamente em: http://www.guiaescaladachile.com

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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