Kombi Manésio: A história da construção de um motorhome e uma viagem pelo Brasil

Olá, me chamo Luana Duracel. Em uma série de artigos, vou contar como eu e meu namorado Marcelo Forte compramos uma kombi e a transformamos em motorhome. Todo o processo foi realizado em menos de um mês. Também falarei sobre como foi a viagem que fizemos com mais de 4.000 km, os quais rodamos durante um mês na estrada.

Nós passamos por vários lugares, saindo de São Paulo e indo até São Desidério, no extremo oeste de Bahia. No caminho praticamos escalada e slackline. Nos artigos vou falar sobre todos os lugares que escalamos e praticamos slackline (highline e waterline)!

A decisão de comprar a kombi

Tudo começou com um sonho comum entre os amantes da vida outdoor: Ter um motorhome e sair viajando por aí!

Na época, faltavam cerca de 50 dias para eu tirar férias e não tínhamos a menor ideia de para onde, nem como viajaríamos. A única certeza que tínhamos, é que queríamos escalar e ir para algum lugar bem longe de São Paulo. Afinal seriam 30 dias de folga, que é tempo suficiente para ir longe.

Nós sempre preferimos ficar no esquema roots (não pagar por hospedagem). Já tínhamos ficado no esquema roots em muitos lugares mesmo antes da kombi, portanto preocupações com conforto não estava nas prioridades.

Comecei a pesquisar passagens para vários destinos, mas estava tudo absurdamente caro. Até que vi uma foto no Instagram de uma via de escalada lindíssima: “Lagrimas de Leão” em São Desidério-BA. Na mesma hora fui pesquisar sobre essa tal cidade chamada São Desidério. Rapidamente descobri que a cidade ficava a 27 km de Barreiras-BA e era um pólo agroindustrial da região oeste da Bahia, reconhecido pelo grande potencial espeleológico

O local de escalada de São Desidério-BA possui 67 vias abertas, além de alguns projetos. A rocha é o calcário e todos que conhecem diziam ser o paraíso perdido da escalada no Brasil.

Naquele momento decidimos que queríamos conhecer esse lugar! Como era longe de São Paulo tornou-se uma ótima opção para as férias. Mas os preços das passagens não estavam colaborando, até que decidimos ver quanto tempo seria ir ao local de carro.

Foi a melhor surpresa! Pois o caminho passava por Terra Ronca (São Domingos-GO) e Buraco das Araras (Formosa-GO), que eram outros lugares que sempre queríamos conhecer.

Fizemos as contas, e descobrimos que no total tínhamos R$ 15.000 no banco. Concluímos que agora é a HORA! Vamos comprar e transformar uma kombi. Tínhamos menos de dois meses para viajarmos nas férias e não tínhamos tempo a perder.

A procura pela kombi

Começamos as buscas nos tradicionais sites de compras. Depois de quase 10 dias de pesquisa, encontramos uma kombi, ano 2005 por exatos R$ 11.500. Fechamos negócio!

Do montante total, restava R$ 3.500 para conseguir fazer tudo que precisava: Documentação, mecânico, construção da casa e móveis.

Mandamos a kombi, que ainda não tinha sido batizada, para o mecânico. Durante os 15 dias que ela ficou lá, pesquisávamos sobre como construiríamos a parte interna.

Quando ela voltou do mecânico colocamos a mão na massa! Nesse tempo também escolhemos um nome.”Ela” virou “ele”: o Manésio. Isso porque queríamos fazer referência ao pó de magnésio (muito usado na escalada), pois ela é toda branquinha. Além disso falei a seguinte frase na escolha do nome:

“é tipo na escalada escalar é bom mas com Magnésio é melhor! Viajar é bom mais com o Manésio será muito melhor!!!”

Custos do motorhome

Para a construção da parte interna, depois de ter chegado do mecânico, a primeira coisa que eu fiz foi baixar um aplicativo que controla gastos. Existem vários aplicativos para controlar gastos de maneira bem prática. Os mais usados são:

  • Moni
  • Wally
  • Mobills

O objetivo era somar tudo que gastaríamos. Dividimos as despesas nas 8 categorias abaixo (com porcentagem):

  1. Compra do kombi (76.4%) – R$ 11.500,00
  2. Manutenção da kombi (10.9%) – R$ 1.636,00 (Mecânico, peças e reparos).
  3. Construção da casa (4.8%) – R$ 719,90 (Manta térmica, madeiras, Verniz, lixa, parafusos, velcro, e etc).
  4. Móveis da kombi (3.9%) – R$ 582,00 (Frigobar, fogão, botijão de gás, móvel, ventilador e etc).
  5. Documentação da kombi (2.5%) – R$ 381,00 (transferência de nome e emplacar SP).
  6. Utensílios da casa (0.6%) – R$ 95,00 (tapa sol, chuveirinho de pia, descascador, amassador de batata e etc).
  7. Hidráulica da casa (0.5%) – R$ 68,48 (Galão, bomba para o galão e peças para fazer uma pia).
  8. Elétrica da casa (0.4%) – R$ 61,00 (extensão, régua USB, carregador de carro e cabo P1P1).

Total R$ 15.045,00

Conseguimos fazer toda a parte interna em menos de 10 dias de trabalho duro e correria. Estava tudo pronto, exceto a parte que gera energia, pois não tínhamos dinheiro para a bateria estacionária. e nem tempo para montar a parte elétrica. Uma bateria estacionária serve para oferecer quantidade constante de corrente por um longo período de tempo, podendo ser descarregada completamente diversas vezes.

Optamos por levar uma extensão e apenas ligar a geladeira em lugares que tivéssemos energia. Sem bateria estacionária, conseguimos manter a meta de gastos em R$ 15.000.

Luana é escaladora e slackliner

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