Como foi a escalada nos Jogos Olímpicos da Juventude: Opiniões, polêmicas e entrevistas

Os Olímpicos da Juventude em Buenos Aires foram o palco de estreia para o formato olímpico da escalada esportiva. Toda a organização, espaço entre provas, pontuação e controle de atletas que será usado nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, foi implementado na capital argentina. Técnicos de diversos países sul-americanos, além de voluntários de vários países, ajudaram na organização da escalada olímpica.

O Brasil, ou pelo menos representantes de quem se propõe a organizar a escalada como esporte olímpico em território brasileiro, não marcou presença. Todo o formato olímpico do IFSC apresentado nos jogos, assim como contato direto com representantes do COI e IFSC, não pode ser apreciado por nenhum representante brasileiro.

Presença da Juventude

Foto: Lukas Schulze

A prefeitura de Buenos Aires fez um planejamento exemplar dos lugares dos jogos, mas também apostou em uma tática interessante. Todas as escolas estaduais fizeram excursões nos locais dos jogos para conhecerem os esportes e terem uma primeira experiência neles.

A presença do público jovem, que foi muito inspirado por atletas entre 17 e 18 anos de idade, foi importante para que a energia e vibração das torcidas fossem contagiantes. Na escalada, especialmente na final, o público recorde praticante parou todo o Parque Urbano, local que se realizava as provas, com uma audiência sem precedentes.

Route setters polêmicos

Os Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires, em se tratando de escalada, foram um grande show. Mas o estilo adotado pelos route setters levantou polêmica, especialmente entre a mídia especializada. A quantidade de tops, tanto no boulder quanto em vias nas eliminatórias, tornou mais divertido para o público em geral, mas alguns escaladores acreditam que a escalada guiada não privilegiou a dificuldade, mas a velocidade de subida.

Ter mais de dois atletas no topo da final, deve ser considerado um erro de configuração de rota. Vias muito fáceis tendem a nivelar por baixo atletas e competição. Esta “busca” por agradar o público, premiando muitos atletas de uma vez só, contribui para o nível da escalada ficar estagnado. No Brasil, por exemplo, foi usada uma interpretação bizarra do sistema de pontuação do IFSC e que tornou o nível das competições muito baixo.

O IFSC, que ainda permanece pouco acessível a opiniões e mudanças, além de ignorar a opinião dos atletas, deveria declarar como quer a definição das vias de semifinais e finais. Esta definição serviria para informar se os candidatos olímpicos devem também começar a treinar para percorrer rotas principais com menos de três minutos.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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