Jogos Olímpicos da Juventude: As primeiras medalhistas olímpicas da história da escalada

Os Jogos Olímpicos da Juventude que estão acontecendo em Buenos Aires tiveram as primeiras medalhistas olímpicas da história do esporte. O formato olímpico, o qual será utilizado nos Jogos Olímpicos do Japão, está sendo testado e implantado na capital argentina. O intervalo de descanso, assim como inovações em agarras de escalada, cronometragem e aferição de resultados, estão sendo testados.

O terceiro dia de competições foi marcado pelas finais femininas, que foram disputadas em velocidade, boulder e vias guiadas. Na parte de velocidade, ficou evidente a falta de interesse do público, tanto leigo quanto entusiasta do esporte, pelo formato. Houve várias inovações implementadas na modalidade, na cronometragem e tecnologia de agarras. Mesmo assim a audiência do público presente, se comparado ao que houve nas disputas do boulder e vias guiadas, foi mínima.

 

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Na velocidade a austríaca Laura Lammer foi a vencedora com o tempo de 10.68 segundos. A segunda colocada foi a russa Elena Krasovskaia (11.72 segundos) e em terceiro a também austríaca Sandra Lettner (10.15 segundos).

No boulder, que aparentemente teve um nível de dificuldade inferior que as classificatórias, exigiu equilíbrio, trabalho de pés e, diferentemente da etapa anterior, vários dinâmicos mas que privilegiavam a precisão e nem tanto a força. O estilo a ser seguido por quem deseja competir e ter academias com o mais moderno em termos de vias e linhas de boulder são módulos e poucas agarras. Paredes abarrotadas de agarras, ausência de módulos e estilo que privilegie força bruta, excesso de dinâmicos, perdas de pés, “montês”, e outros movimentos que eram “moda” há 10 anos.

 

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A vencedora do boulder foi a eslovena Vita Lukan (4T 4z 12), que mostrou toda a concentração que lhe faltou nas classificatórias, necessitando de poucas tentativas em quase todos as linhas propostas pelos route setters. A japonesa Mao Nakamura, que por sua performance impecável nas classificatórias tornou-se o xodó do público presente, ficou em segundo com 4T4z-13. Por apenas uma tentativa a mais que a eslovena. A terceira colocada foi a austríaca Sandra Lettner com 4T4z-14. O alto nível dos resultados obtidos fica evidente o que é o conceito de “escalada em alto nível”. Apenas o número de tentativas é que separaram a primeira, segunda e terceira respectivamente.

A grande final ficou por conta da prova de vias guiadas. Na modalidade, havia grande expectativa sobre a austríaca Sandra Lettner, que tinha se destacado tanto na velocidade, quanto na de boulder. E foi exatamente isso que aconteceu. Lettner mostrou um equilíbrio emocional inabalável, além de uma concentração sólida, e praticamente passeou nas vias guiadas. Assim como aconteceu na modalidade de boulder, o número de tops das participantes aparentemente foi mais fácil que as classificatórias. As quatro primeiras colocadas na modalidade fizeram top, resultado muito diferente das classificatórias que não tiveram nenhuma atleta chegando ao topo da via montada.

 

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Nas vias guiadas, que tiveram como critério de desempate o tempo de subida, a grande vencedora foi a alemã Hannah Meul, seguida pela austríaca Sandra Lettner em segundo e pela eslovena Vita Lukan em terceiro.

No final, com a soma dos resultados, a regularidade de Sandra Lettner foi premiada com a primeira medalha de ouro da história da escalada olímpica. A medalha de prata foi para a eslovena Vita Lukan e a de bronze para a também austríaca Laura Lammer.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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