Janja Garnbret: Quem é a maior sensação da escalada mundial

Enquanto muitos tentam, Janja Garnbret fez acontecer neste ano de 2018. Com uma temporada impecável, a eslovena de apenas 19 anos de idade consagrou-se como a mais versátil e forte escaladora da atualidade em competições. Apesar de não se dedicar na escalada em rocha, já possui ascensões de respeito e ela mesmo promete que no futuro irá dedicar-se a somente isso.

Atualmente Janja Garnbret já é dos maiores nomes da história recente do IFSC, entidade máxima que organiza os campeonatos de escalada em todo o mundo, consolidando-se como a principal candidata a subir no pódio em Tóquio de 2020, quando o esporte debuta nos Jogos Olímpicos. Ironicamente, quando procura-se saber mais sobre esta eslovena de 1,64 metros de altura, distribuídos em 47 kg, muito poucos perfis aparecem publicados.

Foto: Luka Fonda/PZS | https://ekipa.svet24.si

O motivo desta “ausência” de estar nas mídias tem uma explicação: com apenas 19 anos, não há muito o que contar à imprensa, que ainda aguarda o desenvolver de sua carreira de acordo com os anos para verificar seu amadurecimento como atleta.

Esta prudência para verificar seu crescimento como atleta é que, apesar de já ter se destacado em competições desde os 17 anos de idade, existem poucos perfis de Garbret publicados. Portanto, após uma vitória incontestável no último Campeonato Mundial de Escalada, esta nova estrela da escalada mundial ganhou destaque nos principais veículos que cobrem o universo outdoor. Pois desde já existe uma pergunta: se com 19 anos já possui um talento tão exuberante, quais serão as conquistas que ainda estão por vir?

O começo

Foto: Ben Lepesant | https://www.innsbruck2018.com

Janja Garnbret começou a escalar quando tinha 7 anos de idade. Segundo descreve sua mãe, ela era uma criança muito ativa e sempre estava subindo em árvores, armários e portas. Curiosamente foi ela mesma que procurou uma academia para escalar e insistiu para que sua mãe comprasse a ideia.

Na cidade que morava, Slovenj Gradec (pequena cidade no nordeste da Eslovênia) existia um muro e foi onde ela começou a aprender a escalar. Desde os primeiros dias todos ficaram impressionados pela sua força e velocidade de aprendizado. Pouco depois os pais de Janja a inscreveu em um clube de escalada na cidade de Velenje, distante 26 km de sua casa, e foi quando conheceu Gorazd Hren, seu primeiro técnico.

Foto: https://insajder.com

Foi Gorazd Hren que treinou a jovem eslovena e a introduziu também na escalada em rocha. Desde pequena ela frequentou os principais lugares de seu país como Kotecnik (que fica perto de sua casa) e Misja Pec. Como sempre mostrou desenvoltura na escalada em ginásio, seus treinamentos são visando a temporada de competições. Mas muito de sua boa forma deve-se à atleta eslovena Mina Markovic, a grande incentivadora de toda a geração de eslovenos que hoje praticamente dominam o cenário de competições no mundo.

O crescimento de Janja Garnbret como escaladora também passa perlo técnico do esloveno Luka Fonda. O técnico já trabalhou com nomes como Martina Čufar, Maya Vidmar e Natalija Gros, todas eslovenas escaladoras campeãs do mundo. Fonda conta com a ajuda do “olheiro” Ulrich Čehovin, que consegue há muitos anos descobrir talentos para a escalada de seu país. Todo o destaque que os talentos descobertos pela dupla também fez a diferença, pois atualmente a seleção eslovena possui patrocínios que possibilitam a sustentabilidade do esporte.

Mesmo não se dedicando totalmente a vias na rocha, Janja Garnbret já encadenou vias com dificuldade respeitáveis: vários 9a francês (11c brasileiro) e um 8b francês (10b brasileiro) à vista. Janja também colecionou vários 8c francês (11a brasileiro) em flash e uma viagem recente à Espanha. A escaladora recentemente começou a escalar nono grau francês, o que leva a crer que em breve já estará conseguindo escalar vias exigentes e, quem sabe, repetir várias das que Adam Ondra fez ultimamente.

Competidora implacável

Foto: Maja Hitij/Bongarts | http://www.zimbio.com

Janja começou a competir nas categorias juvenis na Europa. Debutou em 2013 e ficou em quarto lugar. Mas nos anos 2014,2015 e 2016 ganhou medalha de ouro em vias guiadas. Janja começou a ganhar também em boulder nos anos 2015 e 2016.

Assim que teve idade para competir na categoria adulta, ficou em 7º no ano de 2015. Mas em 2016 e 2017 foi campeã da Copa do Mundo de Escalada em vias guiadas. Em 2017 ficou em 2º em boulder.

Foto: http://www.gore-ljudje.net

Não somente nos campeonatos do IFSC Janja se destacou, mas também em 2015 ganhou o prestigiado “La Sportiva Legends Only”, vencendo concorrentes de peso como Shauna Coxsey, Mélissa Le Nevé, Juliane Wurm e Anna Stöhr. No ano seguinte ganhou o Adidas Rockstars 2016, vencendo escaladoras consagradas.

Para quem gosta de estatísticas, Janja Garnbret é a segunda escaladora mais jovem a tornar-se campeã da Copa do Mundo de escalada. Somente é superada por Johanna Ernst, que foi campeã aos 15 anos de idade em 2008. Ao todo Garnbrett ganhou quatorze medalhas em campeonatos mundiais e copas do mundo.

Foto: Maja Hitij/Bongarts | http://www.zimbio.com

Nas poucas entrevistas que concedeu a veículos de imprensa Europeus, Janja foi questionada se sente muita pressão quando está competindo. Sua performance, marcada por técnica apurada e sangue frio, chama a atenção de todos. A atleta respondeu que quando compete em vias guiadas, sente muita pressão, mas quando está em competição de boulders não.

Segundo ela mesma, ela gosta tanto de escalar que parece não pensar em mais nada. Quem acredita que Janja Garnbret não possui pontos fracos, ela mesmo já admitiu vários deles. Admite, por exemplo, que possui deficiência em dinâmicos e botes mas já avisa que seu técnico está ciente disso e que já planejou treinamentos específicos para isso. A própria atleta fala com orgulho que seus pontos fortes são os regletes e entaladas de pernas e mãos.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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