Isolantes infláveis: Entenda o real (e importante) significado do “Fator-R”

Fosse possível listar qual equipamento outdoor que mais evoluiu nos últimos anos (além de ter aparecido vários modelos de várias marcas), sem dúvida nenhuma o isolante térmico inflável estaria entre eles. Antigamente somente uma marca o desenvolvia e, por uma limitação de mercado internacional, era vendida somente em alguns países. Na América do Sul era um luxo para poucos, que o adquiriram no exterior. Atualmente a realidade não é mais assim. Sendo mais leve, mais compacto e muito mais fácil de carregar em uma mochila, os isolantes infláveis acabaram caindo rapidamente no gosto popular.

Com o equipamento novo, houve também o aparecimento de mais uma variável no vocabulário do praticante de atividades de natureza: o Fator-R. Entretanto nem todos os praticantes são engenheiros, ou mesmo geek de equipamentos outdoor (como eu me considero), era necessário haver um texto que abordasse o assunto de maneira descomplicada. Por isso, mediante a quantidade crescente de perguntas a respeito do tema, resolvi escrever sobre o Fator-R dos isolantes infláveis.

Antes de entrar a fundo no assunto, aproveito para deixar claro que os colchões infláveis, muito popular nas décadas passadas, não são nem de longe isolantes térmicos para camping. Estes colchões infláveis são pesados, difíceis de inflar (necessitam de um fole ou um compressor) e quase impossíveis de carregar em uma mochila de trekking. Não restam dúvida de que colchões infláveis são até úteis, mas não para um camping, trekking ou hiking.

Da mesma maneira que “sapatilha de escalada não e tênis”, “corda de escalada não é uma corda qualquer”, “mochila escolar não é mochila de trekking”: “colchão inflável não é isolante térmico de camping”! Portanto, considere como um bom parâmetro a se utiliza que um isolante térmico inflável impreterivelmente deve ter peso menor que 600 gramas. Um peso maior que isso pode fazer com que o usuário sofra com o peso no momento de carregá-lo.

História do isolante inflável

É creditado à empresa Therm-a-rest a invenção do primeiro isolante inflável do mundo. No início da década de 1970, dois engenheiros, Jim Lea e Neil Anderson, tinham acabado de serem demitidos da Boeing (multinacional norte-americana de desenvolvimento aeroespacial e de defesa). A dupla também era praticante de trekking e, sem emprego à época, resolveram investir na modalidade que gostavam e procuraram otimizar a performance de isolantes térmicos de camping.

Dentre os tópicos estava a ideia de minimizar alguns equipamentos (em termos de peso), otimizando-os ao mesmo tempo o seu uso (em termos de performance).

Batizada inicialmente de Cascade Designs, o objetivo da dupla era focar em desenvolver o mais leve, confortável e durável isolante térmico para camping. Após observar o comportamento de espumas de almofadas, concluiu que se desenvolvesse uma estrutura de células de espuma com uma válvula de retenção, a pressão interna de uma cápsula não se alteraria. A partir deste conceito, a combinação de ar com células de espuma mostrou-se um bom isolante térmico.

Desta maneira, foram desenvolvendo modelos de isolantes térmicos infláveis baseados em espumas (com formato que chamam de “memória”) que ajudavam no enchimento automático, necessitando também poucas sopradas de ar para inflá-lo completamente. A patente do Therm-a-rest foi cadastrada em 1972 e o equipamento foi introduzido no mercado. Desde então, pela sua eficiência, durabilidade e praticidade, tornou-se peça obrigatória de todo e qualquer praticante de trekking, camping ou outra atividade outdoor.

Atualmente a empresa criou vários modelos de isolantes infláveis para as mais diversas situações, além de incrementar o catálogo com vários outros produtos ligados à pratica de trekking, camping e outras atividades outdoor.

O que é Fator R

Tecnicamente o Fator-R de um isolante térmico é a medida de resistência térmica do equipamento. Quanto mais alto for o valor significa que maior será a sua resistência térmica. Uma outra maneira de interpretar este resultado é que quanto maior o valor, melhor isolante é um determinado equipamento.

Desde a introdução no mercado pela marca que o inventou, a medida de cada um dos modelos era feita em uma câmara fria (de propriedade da marca) a qual era mantida a 4ºC (39,2ºF).

Nesta câmara fria, que era um container modificado, era colocado o isolante inflável entre duas placas metálicas. A placa de baixo tinha um sensor em uma temperatura constante mantida por uma corrente elétrica. Um equipamento com bom isolamento ajuda a mentar a temperatura da placa metálica inferior e por isso o sensor irá requerer menos energia elétrica para manter a temperatura.

Em contrapartida, um isolante inflável que isole menos exigirá mais energia do sensor. Esta quantidade de energia requerida para manter a temperatura da placa é colocada em uma equação para a obtenção do Fator-R. Portanto, quanto menos energia é necessária para manter a temperatura da placa mecânica, maior será seu Fator-R (e vice-versa). A definição mais complexa do Fator-R (que também é usado em construção civil e mecânica) é o valor determinado pela diferença de temperatura em estado estacionário entre superfícies definidas de um material ou uma construção que induz a um fluxo de calor de uma superfície a outra.

Importância e saber Fator-R

Quando compra-se um equipamento de som, é muito importante saber qual a “quantidade de barulho” que ele fará, não é mesmo? A mesma lógica se aplica para a compra de isolantes infláveis. A medida do Fator-R (que é padronizada em todo o mundo) é muito importante para saber a eficiência de um colchão inflável.

No momento de comprar este equipamento de diferentes marcas, algumas empresas, saiba que algumas a medem de fato, enquanto outras apenas estimam, baseadas nos materiais.

Foto: http://www.westernmountaineering.com/

As diferenças da metodologia aplicada para aferir valor podem fazer com que uma comparação simples de dois equipamentos possa obter resultados práticos bem diferentes. Um dado interessante que é interessante saber é qual o valor ideal para cada tipo de tempo irá enfrentar. Assim como acontece com as barracas, alguns modelos de isolantes infláveis são divididos em estações do ano indicadas (três ou quatro estações). Praticantes mais experientes estipularam, de maneira empírica, que o valor considerado “divisor de águas” entre um isolante térmico de três a quatro estações é Fator-R de 3,0.

Por outro lado estabeleceu-se também que o mínimo que um isolante térmico de qualidade deve ter é de Fator-R de 1,5. Um valor inferior a isso irá dissipar o calor do corpo do usuário, podendo até mesmo acarretar em hipotermia dependendo dos casos e da intensidade do frio.

Em contrapartida quanto maior o Fator-R de um isolante térmico, maior será o seu peso (mas não de maneira linear ou exponencial). Comparando produtos com Fator-R muito distantes um do outro é notório o aumento de peso.

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

There are 3 comments

  1. Leandro

    Muito esclarecedor, eu sabia q existia um fator, ou seja, uma tecnologia em isolantes infláveis que retêm o valor, ou o frio. Eu tenho um isolante inflável que pesa 400g e eu achando que não prestava, pois senti frio na Mantiqueira, quando na verdade ele é pra ser usado no verão. rsrs

  2. Alberto Farber

    Estava com dúvidas nesse assunto, pois pretendo adquirir um isolante inflável daqui um tempo. Mas, tenho uma dúvida, normalmente os isolantes tem um fator-R médio de quanto?? Para o clima brasileiro (sul – inverno forte) a partir de qual valor seria indicado?

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