Relatório anual da industria de escalada indoor está disponível para visualização

O universo das academias de escalada nos EUA, diferentemente do que acontece no Brasil, já é reconhecido como uma espécie de indústria. Atualmente estimada em mais de 400 academias em todo país norte-americano, segundo levantamento feito pelo site Climbing Business Journal o qual é especializado a cobrir esta indústria. Desta maneira há um número considerável de pessoas que fazem parte do mercado gerado por estes ginásios.

No Canadá este número já é modesto, embora seja muito maior ao que existe no Brasil: 84 ginásios canadenses. O número aproximado de ginásios de escalada brasileiros foi disponibilizado em um artigo na Revista Blog de Escalada que fez uma estimativa de quantos escaladores existiriam em todo o Brasil: 51 ginásios de escalada.

Realidade na América do Sul

A discrepância entre os mercados norte-americanos e sul-americanos pode ser creditada às recorrentes crises financeiras que existem em todos os países da América do Sul, além de custo de importações altos, que encarecem alguns materiais básicos de construção de muros de escalada.

Na América do Sul, desde a “promoção” da escalada como esporte olímpico, foram tomadas diversas decisões diferentes por cada país. Como não existe uma fórmula mágica, não há como determinar que um país tomou a decisão “certa”, ou “errada”, pois somente o tempo irá dizer isso.

O Brasil, que recebe ajuda financeira do governo federal, optou por investir somente no preparo e envio de atletas em campeonatos na Europa. Não foram feitos investimentos do governo federal em estruturas para a escalada. A iniciativa para o incentivo da escalada, por parte do estado brasileiro, ficaram restritas a inaugurações de muros em parques públicos, como aconteceu recentemente em Limeira. O espaço disponibilizado pela Universidade de São Paulo (USP), para os alunos da instituição iniciarem a escalada teve uma boa melhorada, mas ambas, tanto em Limeira quanto na USP, ainda está um pouco longe de poder ser considerado um crescimento no número de ginásios de escalada.

Grande parte dos novos estabelecimentos no Brasil foi feita com recursos próprios dos proprietários. Na cidade de São Paulo foi inaugurado um novo ginásio de escalada, somente com espaço para a prática de boulder, após um duopólio de mais de 10 anos na cidade. Mas o custo de abrir um ginásio de escalada no Brasil ainda é alto e aos que apostam no empreendimento, acabam disponibilizando mensalidades salgadas aos clientes.

Na Argentina, que recebe suporte da Federação de Ski e Montanhismo do país além de um programa de incentivo do Governo Federal ao esporte olímpico, optou por construir muros de escalada em cidades as quais grandes destaques do esporte apareceram. Grandes estruturas foram construídas em cidades como El Chaltén e San Luís. Além disso, parte dos recursos foram destinados a permitir que o maior destaque do país, Valentina Aguado, pudesse competir em algumas provas da Copa do Mundo de Escalada e treinar durante vários meses em Innsbruck.

Além disso, a Argentina terá o privilégio de ter toda uma estrutura olímpica implementada na capital do país. No mês de outubro, será realizado os Jogos Olímpicos da Juventude em Buenos Aires, com os principais destaques juvenis da escalada mundial. A estrutura montada para a escalada ficará disponível para a comunidade local, incluindo o muro de prática de escalada de velocidade.

No Chile, um outro país sul-americano, não houve ajuda do governo federal de maneira significativa. Entretanto, muito antes do anúncio da escalada tornar-se esporte olímpico, muitos ginásios de escalada foram inaugurados no país. Em território chileno, por conta de uma maior identificação da marca com o público-alvo, existe um torneio de boulder chamado “Master de Boulder”, que pelo número escasso de competições na América do Sul, tomou ares de “campeonato sul-americano de boulder”. Na capital do país, Santiago, existem 4 ginásios particulares e um muro que fica em um parque recentemente recuperado pela prefeitura.

No Equador, país que irá abrigar um torneio pan-americano de escalada em novembro próximo, o incentivo federal na escalada foi sensível. Este incentivo é datado de muito antes do anúncio olímpico. A filha do presidente Rafael Correa, Andrea Rosero, e dedicada escaladora, foi o que pesou bastante para marcas e governo federal se interessarem pelo esporte. O investimento no esporte fez com que os atletas do país serem os que melhor apresentaram rendimento na temporada de 2018.

No Peru, país que possui também um prestigiado Master de Boulder, e que irá abrigar os jogos Pan-americanos de 2019, não possui tradição de escaladores em competição. Nos Pan de Lima, haverá escalada esportiva no mesmo formato olímpico. Mas com o acontecimento dos jogos muito provavelmente a estrutura deixada como legado contribuirá para o desenvolvimento do esporte.

América do Norte

Nos EUA, já existem empresas especializadas em apenas construir os muros de escalada para os empresários. No projeto estas empresas se dedicam a oferecer o serviço de projeto, montagem e manutenção das paredes de escalada. A maior de todas estas empresas é a já conhecida e líder de mercado Walltopia, uma empresa búlgara que é considerada a Apple das paredes de escalada. A empresa é a dominante dos EUA e Canadá, com quase 40% das paredes dos ginásios americanos construídas.

Desde o anúncio da inclusão da escalada como esporte olímpico, a visibilidade e investimentos na indústria cresceu consideravelmente. Por isso empresas americanas cresceram o olho e se colocaram a postos para disputar o mercado com a Walltopia. Uma destas empresas, que se destacam entre as muitas criadas, é a Rockwerx. Apesar de muitos proprietários decidirem eles mesmos montarem as próprias estruturas, o que ocuparia o posto de segundo lugar no ranking das maiores empresas.

A empresa francesa Entre-Prises, que é a principal parceira do IFSC, órgão máximo que organiza os campeonatos de escalada no mundo, é a quarta maior empresa de construção de muros de escalada no país. Todos os institutos medem este tamanho das empresas pela área de paredes instaladas no território norte-americano.

 

Relatório

Foto:: http://www.thegoodlifedenver.com/

O Relatório da Indústria de Escalada Interna 2018 da CWA (Climbing Wall Association) é a edição inaugural das iniciativas de pesquisa e análise do setor em profundidade. O relatório é fruto de uma parceria com uma empresa de pesquisa terceirizada, a Campbell Rinker, para produzir uma visão abrangente sobre os ginásios de escalada comerciais nos EUA e no Canadá.

No relatório são incluídos parâmetros de estudo como operações, finanças, gerenciamento de riscos, programação e afiliação. O relatório possui 54 páginas com uma análise detalhada dos resultados da pesquisa com 123 instalações comerciais de escalada indoor nos EUA e no Canadá.

O relatório, entretanto, deve ser utilizado por quem não faz parte do mercado para aprender, não para comparar. Todo e qualquer sul-americano sabe que são realidades diferentes. A informação do relatório, portanto é essencial para os operadores de ginásio de escalada, fornecedores da indústria, potenciais proprietários, investidores e outros interessados ​na indústria de escalada indoor.

O relatório, entretanto, não é gratuito. É necessário associar-se para obtê-lo com desconto de US$ 350,00, ou pagar o preço total: US$ 600,00.

Mais informações: https://climbingwallindustry.site-ym.com/store/ViewProduct.aspx?id=12043362

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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