Importante lição para o montanhista: Desempenho não é a meta

Eu fiz uma apresentação em um clube de escalada na Bélgica recentemente. Após a palestra, uma pessoa conversou comigo sobre a leitura do livro O Caminho do Guerreiro da Rocha e como a leitura não o ajudou.

Ele disse que o que funciona para ele é falar para si mesmo não ficar com medo. Ele resumiu seu processo de treinamento mental dizendo: “Eu não tenho certeza se é o melhor método, mas funciona para mim.”.

Foto: http://warriorsway.com/

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Todos nós temos que encontrar um método de treinamento mental que funcione para nós, mas ao dizer “funciona” eu quero dizer que o método deve treinar a mente. O treinamento da mente deve apontar para o crescimento da atenção e consciência de suas tendências limitantes.

Do contrário não é treinamento mental; é ser vítima da mente. O que “funcionou” para a pessoa em questão não era treinamento mental; era uma tática que sua mente criou para contornar qualquer necessidade de realizar um treinamento mental.

Desenvolver a consciência revela os conceitos errôneos, nossa motivação e as distrações de nossa atenção. O desenvolvimento da consciência precisa nos ajudar a encontrar nosso caminho através do labirinto caótico da mente.

Se não temos consciência ao entrar neste processo ficaremos perdidos nas motivações mentais que procuram conforto e criaremos truques mentais ao invés de fazer um treinamento mental.

A motivação por trás da abordagem de “funciona pra mim” é que a meta final (objetivo) justifica os meios. A meta justifica fazer o que for preciso para cumpri-la. Nós medimos “o que funciona” baseado em estarmos ou não tendo progresso para atingir nossas metas.

Em algum ponto, no entanto, o progresso para. Nós atingimos um platô que não conseguimos superar. Nós atingimos esse platô porque “o que funciona” não funciona mais.

Esta abordagem “do que funciona” foca apenas no que cria melhora imediata. Estamos olhando através das lentes do que funcionou no passado. Conseguir superar os platôs requer que façamos algo diferente. Em outras palavras, precisamos mudar algo, especificamente algo que já funcionou no passado.

Pegue por exemplo o ato de escalar lentamente. Escalar lentamente é o que funciona para nós. Somos capazes de escalar de uma forma controlada e diminuir a possibilidade de queda.

Foto: http://www.dailymail.co.uk/

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Escalar lento, no entanto, usa muita energia, Nós atingimos um platô quando nossa estratégia de escalar lentamente, junto da nossa quantidade de força física, é igual ao nível de dificuldade do platô.

Um treinamento mental efetivo deveria endereçar os meios, que apontam para o processo da aprendizagem. Quando atingimos um platô, nós buscamos na mente o que ela deve aprender. Administramos possíveis conceitos errados, nossa motivação e as distrações de nossa atenção.

Administramos a concepção de que escalar lentamente nos da controle. Analisamos nossa motivação para ver se estamos mais interessados em ter progresso imediato ou na aprendizagem. Analisamos se resistir à queda distrai nossa atenção da tarefa de escalar.

Olhamos para a mente de uma forma que modifique o que fizemos no passado ao invés de valida-lo. Nós analisamos tudo isso ao realizar uma ação e ter a experiência de ver como é escalar diferentemente de como escalamos no passado.

Praticamos escalar mais rapidamente para ver qual o efeito disso em nossa escalada e nosso sentimento de estar no controle. Praticamos quedas para ver qual o efeito disso em nossa escalada e nossa habilidade de manter nossa atenção focada na tarefa de escalar.

O que ocorre tipicamente quando fazemos as coisas de uma forma diferente é que nosso desempenho piora. Se nosso platô de desempenho era escalar 8º grau, então nosso desempenho pode cair para 7º.

Isto acontece porque estamos destruindo a antiga base de escalada lenta e resistir a quedas, e construindo uma nova de escalar mais rápido e praticar quedas. Desenvolver proficiência com as novas habilidades leva tempo e bastante prática antes de nos levar além do nosso platô de 8º grau.

É importante entender que, apesar de estarmos interessados em melhorar nosso desempenho e atravessar o platô, o que realmente precisamos fazer é aprender. Não estamos interessados no “que funciona” agora; estamos interessados em nos tornar conscientes das tendências mentais que nos limitam.

Esta não é uma tática desenvolvida pela mente, mas sim um processo de se tornar mais consciente das tendências limitantes da mente e aprender a ir além delas. Isto é um treinamento mental que de fato treina a mente.

Dica Prática: Faça algo diferente

Você desenvolve padrões de escalada que te dão mais conforto. Estes padrões podem te ajudar a melhorar, mas eventualmente te limitarão. Você atinge um platô. Você precisa fazer algo diferente para atravessar esse platô.

A maioria dos escaladores aprende a escalar empurrando com uma perna ao invés das duas. Isto funciona por um tempo, mas usa muita energia. Você precisa fazer algo diferente. Aprenda a empurrar com as duas pernas. Sequencie sua escalada desta forma: mova duas mãos, depois dois pés.

A maior parte dos escaladores também escala lento demais. Isto funciona por um tempo, mas também usa muita energia. Aprenda a escalar mais rápido. Fazer isto te permitirá escalar algumas partes difíceis mais rapidamente e conservar sua energia.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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