Grandes nomes do esporte: Wolfgang Güllich

O alemão Wolfgang Güllich é considerado um dos maiores nomes da escalada esportiva de todos os tempos. As ascensões das vias mais difíceis da história recente da escalada, tem o nome de Güllich entre aqueles que marcaram a história do esporte. Sem nenhum exagero, o escalador alemão é uma verdadeira lenda por ter “inaugurado” novos limites de grau e classificando como possível o que outrora era impossível.

Da mesma maneira que é impossível falar de futebol sem mencionar o nome de Pelé, para a escalada esportiva Wolfgang Güllich é o equivalente. Sua morte precoce em 1992 aos 31 anos de idade, em decorrência de um acidente de carro, encerrou a carreira brilhante de um dos maiores, e mais carismáticos, atletas de todos os tempos. Portanto, o sentimento de que há um enorme exagero quando qualquer jogador de futebol é comparado com Pelé, o mesmo acontece quando qualquer escalador é comparado com Wolfgang Güllich.

A lenda de Wolfgang Güllich

Wolfgang Güllich era o primeiro filho de Ursula e Fritz Güllich (Senior) e nasceu na pequena cidade de Ludwigshafen. O alemão começou a escalar aos 13 anos de idade, quando o seu pai o introduziu ao esporte. À época, seus professores afirmavam que nunca tinham visto um principiante escalar tão bem. Sua movimentação e força impressionavam a cada treino que realizava na academia de escalada que treinava. A partir de 1975, Wolfgang escalava todos os finais de semana no local de escalada conhecido como Pfaltz, junto de seu irmão Fritz, o qual era cinco anos mais novo.

Seu irmão, também escalador, morreu em 1978 enquanto realizava uma escalada no estilo solo. Durante seus primeiros anos de escalador, um encontro com Reinhard Karl, renomado montanhista e fotógrafo alemão, o inspirou a comprometer-se integralmente com a escalada. Karl era um dos entusiastas dos esportes de montanha da Alemanha e sempre que podia ministrava palestras para jovens na esperança de inspirá-los.

Sua dedicação ao treinamento começou a dar resultados no final do final dos anos 1970, quando já figurava como um dos escaladores mais fortes de seu país. Nos anos 1980, quando estava com seus vinte poucos anos, marcou época elevando o nível da escalada da época. Os graus 10b, 10c, 11a e 11c (graduação brasileira) todos foram “inaugurados” pelo alemão.

Fisicamente muito forte, com seu visual chamando atenção pelo tamanho de seus bíceps, afirmava que “o cérebro é o músculo mais importante para a escalada”. Em meados dos anos 1980 assombrou o mundo ao encadenar em estilo free solo a via “Separate reality”. A via de 300 metros de extensão, que possui graduação de dificuldade 7a+ francês (8a brasileiro), até então nunca tinha sido “solada”.

Em uma outra declaração, afirmou que era importante repetir a via de outras pessoas, para ter uma comparação. Mas também para ampliar um potencial de imaginação e tornar-se com estilo único, não apenas preocupado sobre recorde e cadenas. A partir desta linha de pensamento, Wolfgang Güllich procurou escalar no maior número possível de lugares, não somente na Europa mas no mundo inteiro. O próprio escalador nunca escondeu que possuía preferência por Frankejurna, mas nunca deixou de apenas ficar confinado aí. Este, talvez, tenha sido um dos maiores segredos de Güllich: sempre escalar em novos lugares em novas vias.

Uma das coisas mais impressionantes a respeito do escalador alemão, foi a velocidade de evolução que apresentou desde o início. No ano de 1977, com apenas 17 anos (ou seja apenas 3 anos de prática de escalada) o escalador impressionava escalando a via “Jubilöumsriβ”, com grau de dificuldade 7- francês (algo como 7c a 8b brasileiro). Um ano mais tarde Wolfgang Güllich já escalava, encadenando em estilo livre, a via “Superlative”, já no 8º grau francês.

Nos anos 1980 foi quando Wolfgang Güllich tornou-se o astro da escalada mundial, onde nada parecia o parar. Em 1984, foi a vez de Wolfgang Güllich estabelecer a primeira via de graduação 8b francês (10b brasileiro) da história na via “Kanal im Rücken” que ficava em Frankenjura, na Alemanha. No ano seguinte, 1985, estabeleceu o primeiro 8b+ francês (10c brasileiro), na via “Punks in the Gym”na Austrália.

O primeiro 11a brasileiro (8c francês) da história foi encadenado por Wolfgang Güllich na via “Wallstreet”, localizada em Frankenjura, em 1987. Foram três anos en sequência que Güllich “inaugurou” vias com graduação tida como ” a mais difícil do mundo”. Já neste momento o alemão já era considerado o melhor escalador da história e, para deleite de seus fãs, esbanjava humildade e simpatia. Mesmo sendo o melhor escalador do mundo, nunca recusava uma entrevista e ssabia como poucos lidar com críticas.

Neste mesmo ano o escalador tomou a decisão de conhecer outras áreas de escalada e fez uma longa viagem pela América Latina vindo ao Brasil e também visitando Peru. Nesta mesma viagem Gullich foi ao Monte Sinai, no Egito, além de alguns lugares na China. Em todas estas viagens procurava divulgar o esporte e, se possível, descorir alguma área de escalada até então desconhecida da comunidade de escalada. À época não existia o conceito atual de “evangelizador” de um esporte. Muitos consideream que Gullich foi quem demonstrou a importância para o esporte deste tipo de iniciativa.

Já na década seguinte, 1991, a máquina alemã conhecida como Wolfgang Güllich estabeleceu o primeiro 9a francês (11c brasileiro) da história com “Action Directe”. A via possui 12 metros em uma inclinação de 45°, com vários monodedos e pinças que o escalador finalizou em 70 segundos. Uma semana antes desta conquista, o alemão tinha casado com a enfermeira Annette Favery.

Logo após ter sido o dublê do filme “Risco Total”, com Sylvester Stallone, Wolfgang Gullich tinha vários convites e projetos para livros, filmes e escaladas. Viajando para a cidade de Munique para uma entrevista em uma estação de rádio, em agosto de 1993, seu carro fica desgovernado e sai da estrada, deixando-o bastante ferido. A maior lenda da história da escalada morre dois dias depois.

O relatório da polícia, realizado à época, concluiu que Wolfgang Güllich provavelmente havia adormecido ao volante. Sua sepultura fica na cidade alemã de Obertrubach, localizada a 200 km de Munique. Há poucos anos a prefeitura da cidade ingurou um momentumento em homenagem ao escalador, muito disso para aproveitar o fluxo de visitantes a seu túmulo.

Todos os anos vários escaladores da Europa e outros lugares do mundo vão ao local prestar homenagem a ele. Na sua sepultura, constantemente sapatilhas de escalada, mosquetões e outros tipos de equipamentos são deixados.


Campus board

Não bastasse estar na vanguarda do esporte, Wolfgang Güllich também foi o inventor do “Campus Board”. O equipamento é até hoje utilizado por escaladores para fortalecer os dedos para escaladas de alta dificuldade. Segundo dados históricos, o aparelho foi criado em 1988, durante a preparação do escalador para encadenar a “Action Directe”.

O primeiro campus board da história foi construído em uma universidade no local de treinamento chamado Campus Centre em Nürnberg.

Foto: http://www.sloclimbing.com/

Para quem estiver viajando pela cidade de Nürnberg, o campus board original ainda se encontra no lugar de origem e pode ser usado/visualizado no local.

O conceito idealizado por Wolfgang Güllich foi de que aplicasse a Pliometria voltada à escalada, uma uma forma de exercício que busca a máxima utilização dos músculos, em movimentos rápidos e de explosão. Segundo ele mesmo descreve em seu livro “A Life in the Vertical”, foram necessárias várias reuniões entre ele, Norbert Sandner e Jery Moffat.

Em francês e italiano, o o campus board é chamado pan Güllich, em homenagem ao seu idealizador.


Acidentes

Wolfgang Güllich

Mas nem tudo era felicidade e perfeição na vida deste escalador. Também houve lesões e contusões que o fizeram ficar afastado do esporte. Uma das mais icônicas é sua queda em Elbsandstein, quando uma agarra da via quebrou e caiu aproximadamente 20 metros, sendo detido somente a 1 metro do chão. Na Suíça, enquanto escalava a via “Welzenbach” caiu da mesma altura e acabou fraturando os ombros.

Wolfgang Güllich, em uma visita à Tailândia, rompe uma proteção durante uma escalada e acaba fraturando a mão. Durante uma escalada no Karakorum sofre uma queda inesperada e rompe os ligamentos do pé direito.

O mais célebre dos acidentes de Wolfgang Güllich foi enquanto escalava no Palatinado. O escalador alemão cai de uma altura de 10 metros, mas não sofreu nenhum tipo de lesão corporal.

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