A história completa do 12º grau brasileiro – A evolução no Brasil e no Mundo

Recentemente entrou para a histórica da escalada que Adam Ondra estabeleceu o primeiro 9c francês (13a brasileiro) do mundo. A via “Silence”, que não teve repetição ou confirmação ainda, está localizada no interior de Noruega, no local conhecido como Flathagen.

Adam Ondra também é o escalador que mais encadenou vias de graduação 9b e 9b+ francês (12b e 12c brasileiro) na história. Esta marca o confirma como o maior escalador esportivo da atualidade. Caso o tcheco continue com este ritmo de conquistas, muito provavelmente irá se consagrar como o maior escalador esportivo de todos os tempos.

Foto: Bruno Camargo

Da América do Sul apenas os escaladores Felipe Camargo (abril de 2017) e Tomas Ravanal (janeiro 2018) participam do seleto “clube” dos escaladores que já encadenaram 9a+ francês (12a brasileiro). Já do time feminino, ainda não houve notícia de que alguma brasileira já tenha chegado 11º grau brasileiro ainda.

Por parte das mulheres a melhor marca de uma brasileira fica por conta da carioca Luciana Di Franco que encadenou um 10b (8b francês) no ano de 2014, conforme divulgado pela Revista Blog de escalada.

Cadê as mulheres?

Para não tornar este artigo extenso e cansativo, a Revista Blog de Escalada definiu que a abordagem deste fragmento da história da brasileira, focando nas escaladoras esportivas, que encadenaram as via mais difícil, para outro artigo. Artigo este que será escrito com este fim: destacar somente a escalada feminina contando um pouco da história do esporte no Brasil.

Procurando utilizar critérios puramente históricos, foi destacado apenas os escaladores esportivos do sexo masculino, na busca pelo maior grau encadenado na escalada brasileira.

6º grau francês

Elbsandsteingebirge

Hoje tido como um grau para quem esteja em um nível “intermediário” da escala, o 6° brasileiro (6a/6a+ francês) era o limite para escaladores brasileiros mais fortes da década de 1970/1980. Lembrando que raríssimas exceções de escaladores já escalavam muito acima disso à época no Brasil. Isso porque nesta época, era o nascimento da escalada esportiva como a conhecemos hoje.

De acordo com historiadores europeus, o primeiro 6a francês (6° brasileiro) escalado na história foi a via “Perrykante”, localizado na Alemanha no local conhecido como Elbsandsteingebirge (Montanhas de Arenito do Elba) em 1906. A primeira ascensão da história desta via foi realizada pelo escalador Oliver Perry-Smith, que é considerada o 6a francês (6º grau brasileiro) mais antigo o mundo.

Já o primeiro 6a+/6b francês (6sup brasileiro) escalado no mundo é “Kuniskante”, no mesmo local do primeiro 6a francês (6° brasileiro): Elbsandsteingebirge. A via foi escalada por Oswald Kunis em 1921. Ou seja, pouco menos de 100 anos atrás, já havia escaladores que escalavam nesta graduação.

Lembrando que à época o conceito de escalada esportiva não existia, por isso que é referido a ela como “primeira vez escalada” mas não “encadenada” (conceito de escalada esportiva). Logo depois a via “Rostkante”, também em Elbsandsteingebirge , tornou-se o limite da escalada em 1922 como um “6b francês” duro.

Graduação brasileira

A parir de uma interpretação particular, e levemente inadequada, da graduação francesa nos anos 1980 (quando a escalada esportiva começou a surgir no mundo), a “medida brasileira” de graus de escalada começou a ganhar corpo. Se o grau de escalada brasileiro é válido ou não, não será discutido aqui neste artigo.

No nício dos anos 1980 no Brasil, assim como quase toda América do Sul, a população tinha seu cotidiano impactado por um regime autoritário, conhecido por muitos como ditadura militar. Regime este que estava em decadência ao final dos anos 1970 e início dos anos 1980.

Junto a este aspecto sociocultural, as pessoas que administravam o país nesta época, tomaram varias medidas econômicas equivocadas que contribuíram para a corrosão da economia do país. Desta maneira a hiperinflação pontuou boa parte da década, fazendo com que o país tivesse um câmbio monetário bastante desfavorável a qualquer produto importado.

Quem viveu nesta época, teve de conviver com uma inflação de quase 100% ao mês, além de ver muito distante qualquer produto importado. Viajar ao exterior era algo proibitivo, mesmo para a classe média. Somente na década de 1980 houve mais de três moedas diferentes: Cruzeiro (até fevereiro 1986), Cruzado (de Fevereiro 1986 a janeiro 1989), Cruzado Novo (janeiro 1989 a março 1990). Na década de 1990 houve mais três: Cruzeiro (março 1990 a julho 1993), Cruzeiro Real (julho 1993 a junho 1994) e finalmente Real (desde junho 1994).

Culturalmente o país também se fechou desde meados da década de 1960, por parte da política de censura e repressão cultural, que contribuiu para que várias informações a respeito de inovações na Europa, e nos EUA, chegassem truncadas (se chegavam).

Mas porque há uma explicação da história do Brasil em um texto de escalada? Simples: este ambiente sócioeconômico impactou fortemente na maneira que os primeiros escaladores tinham acesso às novidades da escalada. Equipamentos utilizados no esporte muitas vezes eram improvisados e várias técnicas e conceitos de escalada, aprendido na Europa ou por meio de visita de escaladores de outros países, acabava sendo passada de maneira ineficiente.

Muito parecido com o conceito da brincadeira de criança “telefone sem fio”, quando uma palavra é mal entendida e por isso passada ao demais ouvintes de forma cada vez mais deturpada.

Sem dinheiro para adquirir sapatilhas de escalada, os escaladores concluiram que o tênis chamado Kichute (calçado que é misto de tênis e chuteira), produzido no Brasil desde a década de 1970, poderia servir como uma sapatilha de escalada genérica.

Outros descobriram que um outro calçado popular, fabricado pela mesma empresa, chamado Conga (mas que tinha um design mais simples”) também servia como sapatilha de escalada. No início dos anos 1990 o Conga foi descontinuado pelo seu fabricante (foi relançado em 2002 em uma onda nostálgica).

No final da década de 1980, mais precisamente em 1987, o lendário escalador alemão Wolfgang Güllich veio conhecer o Brasil e, além de ensinar vários conceitos e técnicas de escalada, abriu a famosa “Southern Confort” conhecida popularmente como (“Via do Alemão”) no Rio de Janeiro.

A via teve seu grau cotado em 10a brasileiro (8a+ francês), sendo encadenada por um brasileiro vários anos depois de aberta e era considerada um marco na dificuldade da escalada esportiva brasileira.

Lembrando que à época o escalador alemão já tinha entrado para a história ao encadenar a via “Walltreet” na Alemanha, localizada em frankenjura, cotada em 8c francês (11a brasileiro).

Foto: http://www.sloclimbing.com/

Segundo dados históricos, foi o escalador André Sant’Anna em 1981, que em estilo livre (escalada esportiva como conhecemos hoje) encadenou a via “Ás de Espadas”, graduada em 5ºsup. Sérgio Poyares e Sérgio Bruno foram os primeiros a encadenar em 1982 a via “Roda Viva”.

Os escaladores da época, com equipamentos precários e de qualidade baixa, não conseguiam encadenar as vias de escalada mais duras, todas cotadas como 6º grau brasileiro, com algumas variações de movimentos. O 7º grau brasileiro era considerado um grau improvável e “impossível”. Sempre que aparecia uma via conquistada com o 7º grau brasileiro sugerido, era rapidamente rechaçada pela comunidade de escalada da época.

Lembrando que na Europa, o 6c francês (7a brasileiro) já tinha sido escalado em 1965 pelo escalador Fritz Eske. A via chamada de “Königshangel”, também localizada em Elbsandsteingebirge, na Alemanha.

Equivocadas interpretações da graduação francesa também começaram a serem difundidas no Brasil, na qual eliminou-se as letras, fazendo a graduação francesa 6a/6a+ suprimida para 6 grau brasileiro. Consequentemente 6b/6b+ francês para o 6° superior (mais tarde contraído para 6sup).

A mudança de patamar aconteceu no local de escalada conhecido como “Parede dos Ácidos”. Tudo mudou quando o escalador carioca Marcelo Ramos (conhecido como Marcelinho) conseguiu encadenar a via “Ácido Lático”, considerado até hoje o primeiro 7a brasileiro (6c francês) esportivo. Paralelamente à esta natural evolução, foi quando as sapatilhas de escalada começaram a aparecer mais “livremente”, assim como o uso do magnésio.

A evolução do nível da média dos escaladores brasiileiros começou a mudar quando, no ano de 1986, a empresa paranaense batizada de Natisnake (posteriormente rebatizada de Snake) que lançou a primeira sapatilha de escalada nacional.

Sérgio Tartari | Foto Flávio Daflon

Na década de 1980 o local de escalada chamado de Campo Escola 2000 começou a ser desenvolvido, mas como a graduação das vias conquistadas eram muito distantes da realidade dos escaladores esportivos da época, ainda não havia nenhuma ascensão. O nome do local, inclusive, foi batizado assim pelos escaladores da década de 1980 por acreditarem que somente no ano 2000 haveria algum escalador que conseguiria escalar por lá.

O atleta que mais se destacou na década de 1980 na escalada esportiva brasileira foi o carioca Paulo Bastos (conhecido como Paulo Macaco). Considerado um escalador de estilo elegante e preciso, foi quem encadenou várias vias de 7º brasileiro na época, tornando-se uma verdadeira lenda e consolidando o conceito de escalada esportiva. Paulo Macaco foi, inclusive, um dos pioneiros na prática de boulder no Brasil e vencedor do primeiro campeonato brasileiro de escalada realizado em 1989.

Os escaladores Alexandre Portela e Sérgio Tartari, reconhecidamente escaladores de grandes paredes, são creditados como os mais fortes da década e, acredita-se, que eles foram os que estabeleceram o 8° e 9° graus brasileiros.

Do 8° ao 9° grau

Tony Yaniro – Foto: http://tahoequarterly.com/

Como a evolução da escalada esportiva brasileira, capitaneada por Paulo Macaco, Alexandre Portela, Sérgio Tartari, Marcello Ramos, Marcelo Braga, Kátia Ribeiro, Sérgio Poyares, Bruno Menescal, Mozart Catão, além de muitos outros, chegou rapidamente a possuir pessoas que já escalavam 8° e 9° brasileiros.

Porém, não há um registro mais aprofundado com datas e nomes que em um determinado momento inauguraram esta graduação no Brasil. À época havia um crescente interesse na prática da escalada esportiva no país e, por isso, precisar os locais e pessoas que foram as primeiras a estabelecer esta marca é uma tarefa ingrata.

Lebrando que no mundo a primeira ascensão de um 8a brasileiro foi de John Gill, em 1961 em uma via de 9 metros de altura conhecida como “Thimble”. Na época o americano era também o criador do estilo de escalada que hoje conhecemos como boulder. O grau 8c brasileiro somente foi escalado em 1967, também nos EUA por Greg Lowe (aquele mesmo dos equipamentos) na via “Macabre Roof”.

John Gill

Já a primeira via de 7c francês (9a brasileiro) foi escalada em 1975, por Steve Wunsch nos EUA. À época os conceitos de escalada esportiva propriamente dita, como conhecemos hoje, estavam nascendo e sendo implementados. As primeiras ascensões a partir daquele ano já adotavam o conceito que conhecemos hoje como “cadena”. Desta maneira em 1977 o americano Ray Jardine teve a honra de inaugurar o grau 7c+ francês (9b brasileiro) em Yosemite na via “The Phoenix”.

Os ano de 1979 ficaria marcado pela ascensão de “Grand Illusion” com Tony Yaniro. Esta escalada é bastante famosa, pois “inaugura” o 8a francês (9c brasileiro) e também é considerado um marco na história da escalada esportiva como a conhecemos hoje.

O 10º grau

Jerry Moffatt | Foto: https://shaff.co.uk/

A primeira cadena de 8a+ francês (10a brasileiro) da história cabe a Jerry Moffat na via “The Face”, localizada na Alemanha, no local de escalada conhecido como Frankejura, em 1983. No ano seguinte, 1984, foi a vez de Wolfgang Güllich estabelecer a primeira via de graduação 8b francês (10b brasileiro) da história. A via chamada “Kanal im Rücken” ficava em Frankenjura, na Alemanha.

O alemão Wolfgang Güllich no ano seguinte, 1985, estabeleceu o primeiro 8b+ francês (10c brasileiro) na Austrália. O novo título da “via mais difícil do mundo” tinha ficado para “Punks in the Gym”, que fica no lugar de escalada australiano de Mount Arapiles.

Já na virada da década de 1980 a 1990, lugares como Campo Escola 2000, Gruta da Lapinha e Serra do Cipó tiveram importância predominante na evolução da escalada esportiva brasileira. A própria história da escalada esportiva brasileira se confunde com o desenvolvimento destes três lugares.

Felipe Assad na via “Migalhas Indecentes” | Foto: Cláudio Brisighello

No ano de 1995 o escalador carioca, atualmente radicado na Espanha, Luís Claudio Pita encadenou a já citada via “Southern Confort” graduada em 10a brasileiro e aberta pelo alemão Güllich, no local de escalada conhecido como Pedra do Urubu no Rio de Janeiro. A via, na época, era conhecida como a escalada esportiva mais difícil do Brasil. Haviam outras vias de escalada abertas, porém sem ninguém conseguia encadená-las, até mesmo para confirmar o grau de dificuldade.

Um ano mais tarde Helmut Becker entrou para a história como o primeiro brasileiro a encadenar vias de graduação 10b e 10c brasileiros. A via “História sem fim” (10b brasileiro) e “Coquetel de Energia” (10c brasileiro), ambas localizadas no Rio de Janeiro, até hoje não foram decotadas. A última delas, “Coquetel de Energia”, foi considerada por algum tempo a via de escalada esportiva mais difícil da América do Sul.

Com o desenvolvimento da escalada esportiva na Argentina (Valle Encantado, Piedra Parada e La Vigilância) e Chile (Socaire, Valle de Los Cóndores e Las Chilcas) as vias de escalada mais dificeis da América do Sul foram abertas lá. Atualmente os escaladores mais fortes da Europa, que ambicionam subir o grau, visitam anualmente estas localidades nos países vizinhos.

O 11º grau

Wolfgang Güllich

Como citado anteriormente, o primeiro 11a brasileiro (8c francês) da história foi encadenado por Wolfgang Güllich na via “Wallstreet”, localizado no local de escalada conhecido como Frankenjura, em 1987. Apesar de haver uma certa briga entre Antoine Le Menestrel e Güllich com relação a ela. Isso porque foi o francês encadenou a “La Ravage” um ano antes, 1986, graduada como 8b+/8c francês (10c/11a brasileiro). Esta é uma das poucas vias do mundo que ainda é incerto o seu grau de dificuldade. A via fica no lugar de escalada suíço de Chuenisberg.

Em 1990 o britânico Ben Moon foi quem teve a oportunidade de ter a honra de quebrar a barreira do “grau mais difícil” ao encadenar a “Hubble”, localizada na Inglaterra no local conhecido como Raven Tor. A via foi graduada como 8c+ francês (11b brasileiro).

Um ano mais tarde, 1991, a máquina alemã conhecida como Wolfgang Güllich estabeleceu o primeiro 9a francês (11c brasileiro) do mundo. A via “Action Directe”, localizada no lugar de escalada alemã Frankenjura, novavemente ostentava o privilégio de possuir a “via de escalada esportiva mais difícil do mundo”.

Thiago Balen | Foto: Vini Todero

Somente no início do século XXI, mais precisamente em 2002, é que o grau máximo brasileiro começou a subiu um degrau. A honra ficou por conta do paranaense Diogo Ratacheski, que encadenou a via “Mr. Bill”. Entretanto a via foi posteriormente decotada para 10c, retirando o “título” do escalador paranaense.

Outra candidata a ser o primeiro 11a brasileiro, a via “Massa Crítica” foi encadenada pelo carioca Daniel Hans, conhecido popularmente como “Coçada”. Mas a via também foi decotada a 10c por alguns escaladores, sendo também retirado o “título” do carioca “Coçada”.

No ano de 2006 o gaúcho Thiago Balen viajou ao Valle Encantado, na Argentina, e encadenou a via “Directa Challenger”, um ano mais tarde foi a vez do paulista Cesar Grosso, mas posteriormente esta via também foi decotada para 10c brasileiro por escaladores franceses.

Acredita-se que o primeiro 11a brasileiro foi encadeando pelo gaúcho Vinicius Tordero, na via “Disciplina não ter, Jedi não será” localizada em Caxias do Sul, no local conhecido como Gruta da Terceira Légua. Até o momento a via não foi decotada e teve a sua graduação confirmada.

Vinicius Todero na via “Migranya profunda” 8b+| Foto: Sarah Fedrizzi

Vinicius Tordero, que atualmente mora na Espanha, também encadenou outra via de escalada cotada como 11a: “Sombra e a escuridão Karma”. Posteriormente a via foi decotada como 10c brasileiro. Como teve poucas repetições, até hoje recebe a graduação como 10c/11a brasileiro.

Como ambas as vias tiveram poucas repetições, suas graduações são “contestadas” por escaladores incrédulos a respeito de sua graduação. Por conta deste “descrédito” das vias de Caxias do Sul, alguns apenas consideram vias “confirmadas” para a “homologação” da cadena de um 11a. Portanto o “título” de Vinícius Todero é contestado por alguns, pela ausência da confirmação do grau da via encadenada.

Outro brasileiro a encadenar uma via de graduação 11a foi o paulista Felipe Gomes Camargo. Sua cadena foi realizada no ano 2009 na via “Ali Hulk”, localizada na Espanha e graduada como 8c francês (11a brasileiro). Camargo encadenou também no mesmo ano a via “Pata Negra” e “Aitzol”, graduada como outro 8c francês (11a brasileiro) em Rodellar na Espanha. Felipe Camargo também ostenta o título de primeiro brasileiro a encadenar onze vias de 11a brasileiros “confirmados”.

No mesmo ano, 2009, Felipe Camargo ainda encadenou as vias “Las 4 estaciones” e “Saw”, ambas com graduadas como 8c+ francês (11b brasileiro). Neste ano o paulista se estabeleceu como o escalador esportivo com as melhores marcas na histórica recente do esporte.

O escalador paulista voltou fazer história encadenando em 2015 a via “Era Vella”, graduada como 9a francês (11c brasileiro). A via “Era Vella” está localizada em Margalef e é considerada a via de graduação 9a francês (11c brasileiro) mais repetida do mundo, com mais de 30 ascensões e foi conquistada por Chris Sharma em 2010.

12º grau

Alexander Huber | Foto: http://huberbuam.de

O primeiro 9a+ francês (12a brasileiro) da história é creditado a Alexander Huber, na via “Weisse Rose”, no local de escalada conhecido como Schleier Wasserfal, na Áustria em 1994. Esta correção histórica foi dada por ninguém menos que Adam Ondra, que á época de sua cadena afirmou que: “Se a via ‘la Rambla’ é um 9a+, a ‘Weisse Rose’ também é”.

Até o momento apenas Alexander Huber e Adam Ondra repetiram a via.

Muitas pessoas creditam que o primeiro 9a+ francês (12a brasileiro) da história foi encadenado pelo americano Chris Sharma na via “Biographie”. Até mesmo a escolha do nome, que Sharma rebatizou como “Realization”, foi motivo de discórdia à época e até hoje levanta discussão. O americano realizou 20 tentativas para corroborar a sua cadena. na via localizada na França, em Ceüse.

Chris Sharma também inaugurou o 9b francês (12b brasileiro) ao encadenar a via “Jumbo Love” no local de escalada conhecido como Clark Mountain, nos EUA em 2008.

Porém o título da “via mais difícil do mundo” ficou para “Change”, graduada como um 9b+ francês (12c brasileiro), e encadenada por Adam Ondra em 2012. A via está localizada em Flatanger, local de escalada da Noruega.

O escalador paulista Felipe Camargo, no primeiro semestre de 2017, encadenou a via “Papichulo” de dificuldade graduada em 9a+ francês (12a brasileiro). “Papichulo” foi uma das primeiras vias abertas pelo escalador americano Chris Sharma assim que foi viver na Espanha. A via, que tem seu grau confirmado é o 9a+ (12a brasileiro) mais repetido em todo o mundo.

A popularidade da via superou as famosas linhas “Biographie” (Céüse na França) e “La Rambla” (Siurana na Espanha). À época Felipe Camargo declarou que a via era “o maior desafio físico e mental da minha carreira até agora”. O atleta esteve tentando encadenar a via por dois meses em 2016.

E o 13º grau?

Recentemente o escalador tcheco Adam Ondra encadenou a via “Silence”, também localizada em Flatanger, local de escalada da Noruega, inaugurando a graduação 13ª brasileira. A via de 45 metros de extensão, com uma inclinação de 60 graus, foi encadenada por Ondra em 2017.

Toda a história desta cadena foi documentada no filme “Silence”, o qual foi divulgado gratuitamente pelo escalador tcheco.

A via que mais tem tirado o sono de escaladores de alto nível é “Le Blond”, aberta Oliana, local de escalda espanhol, e ainda sem nenhuma cadena. A via foi conquistada pelo americano Chis Sharma.

O nome da via é uma homenagem ao francês Patrick Edilger. Edilger é considerado como uma das pessoas que revolucionaram a escalada esportiva e defensor ferrenho da modalidade, quando ainda nem sequer existia o conceito de escalada esportiva. O francês é creditado como o criador da busca desenfreada pelo grau. A via, que não tem nenhuma cadena já foi tentada muitas vezes por Chris Sharma, que declarou que é uma espécie de “La Dura Dura”, mas sem nenhum descanso.

Também sem nenhuma cadena, sendo forte candidata a ser o primeiro 9c+ francês do mundo, é a via “La Hermana Gemela Malvada de Bon Combat”, também localizada na Espanha. A linha também foi equipada por Chris Sharma e fica na La Cova de l’Ocell, local de escalada próximo de Osona e relativamente perto de Barcelona. A via está ao lado de outra via considerada mítica: “El Bon Combat” (graduada em 9b/9b+ francês), também aberta por Sharma e encadenada em 2015.

Uma outra via que figura entre candidata a “via mais difícil do mundo” é a “Big Project”, também localizada em Flatanger. Detalhes sobre a via não são divulgados. Há poucos detalhes conhecidos pela comunidade.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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