A evolução e história dos calçados de montanha

Os primeiros indícios de calçados no mundo surgiram há mais de 10.000 anos a.C., onde estudos apontam o histórico de um acessório para os pés, feito de couro macio. O objetivo era simples: permitir que as pessoas pudessem passar por trilhas montanhosas e caminhar longas distâncias. Portanto, ao reparar a evolução do calçado ao longo do tempo, é fácil concluir que o sapateiro é um artesão e que já existia por muito tempo ao longo da história da civilização.

Logo no surgimento dessa profissão, o sapateiro viu sua atividade ser discriminada, mas atualmente é possível verificar a importância de um bom profissional da área. No Egito, por exemplo, tipos diferentes de calçados identificavam diferentes classes sociais. Na Grécia chegou-se a usar um calçado diferente para cada pé.

Calçado usado no iníco do século XX

De acordo com dados históricos, a indústria de calçado teria surgido no século XVII, mais precisamente na Inglaterra com o fornecimento de calçados ao exército do país. A mecanização desta atividade teria surgido no século XIX, como consequência da revolução industrial. Porém estes calçados eram fabricados para serem usados na cidade, pois culturalmente não havia diferenciação de estilos de vida como temos hoje.

Portanto havia praticamente poucos modelos, sendo todos voltados para a vida cotidiana. Não havia calçados especiais para montanha ou atividades esportivas até aproximadamente o início do século XX.

Primeiros modelos esportivos

Primeiro Tênis de corrida da história – The Spencer Shoe

Portanto, com relação à produção de calçados, o século XIX viu a introdução de um calçado de corrida de couro todo com cravos e pregos. A necessidade de maior velocidade nos jogos modernos, exigiu mais refinamento de calçados leves com tração aprimorada. Os calçados de competição eram todos feitos de couro eram justos ao pé, mas, como não eram impermeabilizados, o couro acabava laceando.

No ano de 1832, o americano Wait Webster patenteou um processo pelo qual as solas de borracha podiam ser coladas em sapatos e botas. Na década de 1860 foi comercializado um calçado de crochê, que tinha uma sola de borracha com uma parte superior de lona presa com cadarços. O modelo procurava reinventar os mocassins qe os índios americanos usavam. Como o calçado era era mais silencioso que as botas e sapatos, rapidamente começou a ser usado por ladrões. Cor causa disso que até hoje o nome em inglês “sneakers” para tênis vêm da palavra em inglês “sneak” (esgueirar, sair às escondidas).

Primeiros modelos adidas

A empresa Spalding Company , por volta do ano 1852 começou desenvolver calçados com cravos, para facilitar a corrida. Como a empresa foi criada em 1976, os primeiros modelos somente foram lançados em 1894. Os modelos eram caros para o público em geral, pois na época a prática de esportes era uma atividade para pessoas ricas. Por isso, Joseph William Foster fundou a primeira empresa de calçados esportivos na Inglaterra na década de 1890. Seu neto mais tarde assumiu em 1958 e renomeou a empresa para Reebok. A empresa fez modelos para Lord Burghley (um nobre, político, dirigente esportivo, atleta e campeão olímpico britânico) nas Olimpíadas de 1924. O modelo era uma espécie de tênis feito de couro fino e rígido.

Inegavelmente, o pai do tênis moderno foi Adolf ‘Adi’ Dassler, que começou a trabalhar com sapatos em 1920. No ano de 1936 seus calçados foram reconhecidos internacionalmente, como os melhores. Um de seus modelos mais famosos foi usado ​​por atletas do calibre de Jesse Owens. Dassler se especializou em calçados projetados para o esporte. Depois dos anos de guerra, ele continuou a progredir e desenvolveu um tênis de treinamento feito de lona de barracas excedente e borracha de tanques de combustível. Para dar apoio ao tênis de corrida, Dassler acrescentou três tiras laterais de couro ao calçado, que apareceu pela primeira vez em 1949.

Calçados de montanha

Primeiros Modelos de Botas com Solado Vibram | http://cmags.org/

Para a prática de esportes de montanha, as botas ainda eram as usadas por trabalhadores rurais. Estas botas eram todas feitas de couro, muito semelhante às usadas pelos vaqueiros e trabalhadores rurais, com solado idêntico a sapatos sociais. Assim como nos esportes em geral, o montanhismo era uma atividade para a aristocracia. Até o início do século XX, praticamente não eram fabricados nenhum tipo de botas para o montanhismo.

Mesmo os soldados, que lutaram em trincheiras nas montanhas, o calçado de montanha era apenas as botas com solado de vime. Uma outra característica que acabou impactando profundamente a prática da atividade no início do século XX, foi a Primeira Guerra Mundial e, mais tarde, a grande depressão de 1929. Ambos acontecimentos deixaram de lado a cara atividade de montanhismo de maneira recreativa, sobretudo o segundo que é considerada o pior e o mais longo período de recessão econômica do século XX.

Este período de depressão econômica causou altas taxas de desemprego, quedas drásticas do produto interno bruto de diversos países, bem como quedas drásticas na produção industrial, e persistiu ao longo da década de 1930, terminando apenas com a Segunda Guerra Mundial.

Após a Primeira Guerra Mundial, as pessoas se viram com mais tempo livre, e os sapateiros no norte da Itália começaram a costurar botas para os caminhantes.

Os primeiros calçados de montanha começaram a aparecer por volta de 1930. Nos EUA, o primeiro fabricante foi a Danner, uma tradicional marca de calçados norte-americano. O primeiro modelo de botas voltadas para o montanhismo foi comercializado em 1932. No meio da grande depressão americana, também conhecida como Crise de 1929, fez a empresa deixar de lado a largas produções industriais, que possuíam baixa qualidade por causa do volume e produção em cadeia, para apostar em modelos feitos à mão por sapateiros desempregados. A alta qualidade do produto final, aliado a um preço mais em conta, fez a empresa rapidamente ser referência de mercado.

No Vale Bregaglia, na Suíça, no ano de 1935 dezenove alpinistas tentaram escalar a Punta Rasica (montanha que fica na divisa da Suíça com Itália de 3.305 m) e uma tempestade acompanhada de intenso frio atinge as enfiadas dos que estão estão na parede escalando. Os escaladores somente levaram sapatos de cânhamo. Escorregavam e não podiam nem subir, ou descer ficando assim encalhados. Após algumas horas com este tempo terrível seis destes morreram de hipotermia. Vitale Bramani fazia parte da cordada e se salvou por um milagre.

Os falecimentos motivaram Vitale Bramani a pesquisar sobre as causas e sobretudo das soluções. Seus estudos se basearam na tecnologia de pneus de automóveis : Se os pneus dos automóveis dispõe de aderência em condições adversas, porque não levar esta tecnologia aos calçados? Para o desenvolvimento de sua ideia, se fez acompanhar de Leopoldo Pirelli (proprietário da empresa que já na época fabricava os pneus que hoje conhecemos). Utilizando a técnica da vulcanização (processo de tratamento da borracha inventado por Charles Goodyear), Bradami e Pirelli produziram as primeiras botas. Assim nasceu a mítica história dos solados “Vibram”.

Foto: http://diariomistral.com/

A revolução de Vitale Bramani representou sua invenção foi imensa. Fazendo com que nos anos 1950 começassem a serem produzidos calçados voltados exclusivamente para a prática recreativa de trekking e hiking. Paralelo a isso, começaram a ser feitas pesquisas para que cada empresa que explorasse o segmento fosse líder de mercado.

Uma patente dos EUA, registrada em 1943, mostra um dos maiores desafios da indústria: água. Para resolver o problema dos pés úmidos, que criavam bolhas, os fabricantes de botas de caminhada chegaram a conclusão que a parte de cima de couro que descia até o tornozelo e transformava a bota em algo parecido com um calçado solto. A ideia era liberar o ar úmido. Mesmo com várias inovações, o couro ainda era o material mandatório em calçados de montanha. A utilização do couro, além da respiração ser deficiente, fazia com que o calçado ficasse pesado em demasia.

As melhorias tecnológicas vieram lentamente e, de um modo geral, as botas de couro ainda eram o material mandatório até a década de 1970. Somente em 1979, junto da marca Gore-Tex, a empresa americana Danner e Donner Mountain Corporation mudou as regras do jogo para botas de caminhada. As duas empresas começaram a vender o primeiro calçado Gore-Tex da história. A grande revolução de calçados de montanha impermeabilizados por esta película de polímero, foi que o couro, o material mandatório da época, foi relegado a um papel coadjuvante. Desta maneira o couro ficou relegado a apenas reforçar áreas sensíveis do calçado. O que se seguiu foi uma espécie de revolução no trekking e hiking.

Na década de 1980, começou a utilização de outros materiais até então considerados não tradicionais: os sintéticos. Materiais como etileno-acetato de vinila (EVA) e poliuretano, polímeros duráveis ​​que são mais maleáveis que o couro, começaram a virar o padrão da indústria. Tanta revolução em torno dos materiais, especialmente dos calçados de trekking, fez com que a atividade tornar-se mais popular.

A Alemanha um dos país com mais produtores de botas de montanha do mundo. No país atuam as marcas Adidas (sim, a adidas faz botas para trekking), Lowa, Vaude, Meindl, Hanwag e Tatonka. A Itália não fica atrás, com fábricas que dominam o mercado mundial de botas de montanha, com empresas como La Sportiva (líder mundial), Kayland, Scarpa, Asolo e Garmont.

As principais marcas da Inglaterra são Berghaus, G.T Hawkins, Karrimor. Na França as marcas Lafuma, Millet, Salomon (que agora é finlandesa desde 2005, pela Amer Sports) e Aigle. A Espanha possui como destaque Boreal e Bestard Mountain Boots.

Na América, as marcas que se destacam na produção de botas de montanha são as norte-americanas Danner, Columbia, Keen, Merrell, The North Face e Timberland. No Canadá destaca-se a Sorel (adquirida posterirmente pela Columbia).

Argentina de nascimento e brasileira de coração, é apaixonada pela Patagônia e Serra da Mantiqueira.
Entusiasta de escalada, trekking e camping.
Tem como formação e profissão designer de produto e desenvolve produtos para esportes de natureza.

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