Saiba quais os hábitos de escaladores esportivos que prejudicam a prática do esporte

No mundo de hoje existe a expressão de que quando existe um assunto desconfortável, de que há um “elefante na sala de estar”. “Elefantes na sala de estar” é nome dado a situações constrangedoras, onde os envolvidos ignoram o acontecimento na esperança de em algum momento deixe de ser um “fardo”. Em outras palavras ignoram o “elefante” na esperança de que todos esqueçam do assunto.

Você acredita realmente que a escalada esportiva está livre de assuntos constrangedores que as pessoas ignoram que esteja acontecendo? Veja os exemplos abaixo para saber mais sobre quais os hábitos de escaladores esportivos (tanto via, quanto boulder) praticam corriqueiramente, incomoda a todos, mas todos parecem ignorar que acontece.

Lixo e dejetos humanos

Em muitos lugares de escalada esportiva há restos de comida, embalagens e outros tipos de lixo “esquecidos” por quem frequenta estes locais. Esta realidade não é “exclusividade” de nenhum estado ou país. Restos de comida (sim, resto de comida é lixo) como casca de laranja, cascas de banana, tampas de garrafa PET e outros sempre são encontrados nas trilhas de acesso. Sobretudo nos setores mais frequentados.

Não somente lixo é “esquecido” por escaladores e frequentadores de locais de escalada esportiva. Pedaços de esparadrapo também são encontrados em um volume considerável. Este tipo de constatação deixa a entender que os frequentadores não possuem nenhuma preocupação com o lugar que frequenta. Porque mesmo aqueles que afirmam categoricamente que não jogam lixo e recolhem o esparadrapo, pouco faz para recolher algum que encontra. Afinal um ou outro esparadrapo ou outro tipo de lixo pode cair de maneira despercebida, mas recusar-se a limpar o lugar esquivando-se da responsabilidade social com o local, já é negligenciar o próprio esporte.

Mesmo os dejetos humanos, como fezes e urina, possuem um tratamento pouco preocupado por parte dos escaladores e frequentadores destes lugares. Mesmo com vários artigos sobre o assunto disponíveis, ainda há quem ignore a importância de manter o lugar o mais limpo possível. O maior prejudicado nem é tanto a fauna ou flora, mas a própria comunidade de escalada que começa a conviver com problemas de infeções de bactérias que não existia nestes locais.

Crianças

Inegavelmente levar crianças para locais de escalada é abrir as portas para a nova geração de escaladores. A renovação do esporte, assim como o surgimento de novos talentos, passa pela necessidade de levar crianças para os locais de escalada. Mas há nesta história bonita um porém: falta de cuidado com elas. Há pessoas que levam os filhos para somente observar os pais, como uma espécie de castigo.

Não bastasse isso, também esquece da obrigatoriedade de que sempre haja alguém responsável junto da criança. É até corriqueiro ver crianças, de todas as idades, brincando abaixo de vias frequentadas de escalada sem sequer usar capacete. Mesmo algumas outras brincando próximo a passagem de escaladores, ou mesmo fazendo barulho que incomoda os demais, como o característico “choro de birra”.

Ninguém está afirmando aqui que não se deve levar uma criança para um local de escalada, mas que os pais estejam atentos ao conforto dos demais à sua volta, assim como na segurança de seu filho. Fazer com que as crianças comecem a escalar, criando gosto pela atividade, é o primeiro passo para criar a nova geração, mas também deve-se lembrar de que é fundamental ensina-las a respeitar o ambiente e o espaço de outras pessoas.

Cachorros

Levar cachorros a um local de escalada é um tema sensível e que já foi debatido em muitos artigos. Principalmente porque há muita gente que gosta de cachorros, mas também estas mesmas pessoas devem conhecer alguém que não soube educar o cachorro corretamente. Assim cachorros desobedientes aos donos, desrespeitosos e despreparados para o convívio social não devem ser levados para locais de escalada.

A teoria, com baixa ou nenhuma comprovação científica, de que cachorro em locais de escalada (especialmente que ficam dentro de fazendas e propriedades privadas) nem merece ser discutida. Pois se estes mesmos lugares podem ser frequentados por vacas, cabras e bodes, um cachorro não irá gerar um desequilíbrio no local. Proprietários de cachorros, em geral, vacinam as suas mascotes e assim possuem um animal bastante imune a doenças.

O grande problema é de que animais não treinados e não obedientes, podem gerar desconforto como, por exemplo, latidos, brigas com outros cachorros de outros escaladores, mordidas em crianças, roubo de comida, etc. Por isso, para evitar um desconforto, o melhor é deixar o animal de estimação em casa. Não por motivos ecológicos sem grande volume de trabalhos científicos, mas em nome de uma boa convivência social.

Uma boa maneira de minimizar qualquer problema é procurar educar corretamente o seu animal de estimação. Procurar um bom adestrador, além de mimar o mínimo possível o animal de estimação, pode poupar de qualquer desconforto no futuro.

Drones

Se alguém já visitou uma área de escalada popular, já deve ter escutado um, ou vários, drones voando para filmagens de escaladores. O ruído é o de uma imensa abelha. Para quem estiver apenas caminhando ou conversando, é muito fácil ignorar o ruído. Mas para quem estiver escalando, este tipo de distúrbio pode causar a perda de uma cadena preciosa e desejada.

Este, entretanto, é um problema fácil de resolver. O proprietário do drone deve, por educação, perguntar a todos à sua volta (inclusive aos que estão chegando) se pode ligar o drone. Mesmo assim, o ideal é o “piloto” ter a consciência e utiliza-lo quando estiver em um dia de pouca ou nenhuma pessoa à volta. Sem sombra de dúvida, os drones foram uma grande evolução nas filmagens de vídeos de escalada. É inegável. Mas gerar um ruído extra, apenas porque uma pessoa no meio de todos quer um ângulo legal de filmagem é egoísmo e um forte indício de despreparo social.

Barulho

hábitos de escaladores

O problema de barulho sempre foi recorrente entre os lugares de escalada. Muitos conversam para saber mais sobre alguma assunto comum próximo à via, gerando um burburinho maior que o normal. Porém o maior problema parece ser dos amantes das músicas. Com o aparecimento das caixas de som bluetooth, muitos andam, literalmente, com uma pendurada no pescoço como se todos fossem obrigados a escutar a música de seu gosto.

O problema deste hábito não chega a ser exclusivamente o gênero musical, mas sim a evidência da total falta de respeito ao próximo. No momento que você, em nome de seu conforto próprio, deseja escutar uma música quebrando o hábito social de respeitar o silêncio de um local no qual irá conviver com muitos, abre espaço para que outra pessoa também quebre a regra social de não respeitar a sua propriedade privada. Como assim? Alguém incomodado com a prepotência de alguém ou algum grupo, pode sem a menor cerimônia quebrar caixa de som. Afinal, já que o respeito foi esquecido em casa, todos podem começar a comportar-se como homem das cavernas.

Por isso, a recomendação é que quando chegar a algum setor de qualquer lugar de escalada e alguém estiver escutando música, somente para “dar uma vibe”, peça para ele desligar. O local para isso é na propriedade privada daquela pessoa, mas não em um local de escalada.

Monopólio

hábitos de escaladores

Um dos hábitos de escaladores que mais denotam falta de despreparo de convívio social, expressando imenso egoísmo e ausência de empatia, é quando há uma dupla, ou um grupo, de escaladores monopolizando uma via. Todos já viram acontecer: pessoas que ficam quase que um dia inteiro em apenas uma via, praticando múltiplas entradas sem sequer liberá-la para que outra também tente.

Há também uma outra prática que atrapalha o bom convívio das pessoas: grandes grupos de pessoas que levam iniciantes para tentar uma via. Nela todo o grupo monopoliza toda uma manhã, ou mesmo o dia inteiro. Agindo como se fosse o dono das vias.

Como é uma convenção, muito parecido como um acordo de cavalheiros, chegar primeiro em uma via oferece o direito de usufruir dela. Mas acreditar que somente porque chegou primeiro e que ninguém mais merece escalá-la é falta de respeito. E considerado boa prática monopolizar o mínimo possível uma linha, seja ela de graduação baixa ou alta. O importante é permitir que todos usufrua das linhas disponibilizadas pelos conquistadores. Caso acredite que o mundo necessite de mais linhas como a que deseja monopolizar, compre uma furadeira e implemente esta ideia.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

There are 4 comments

  1. Ana

    Desculpa, mas é muita ignorância pensar que se a propriedade tem vaca, pode levar o cão, pois não vai gerar impacto ambiental.
    A questão não é gerar impacto ambiental e sim aceitar as regras do local. Se o dono da fazenda não quer que levem cães pra não correr o risco de o gado não ser atacado, respeite. Quanto a vacinação, grande parte da população não mantém a vacina e vernifugo dos seus cães em dia.

  2. Philippe Lobo.

    Tem dois lados nessas questões, o limite as vezes é tênue entre o excesso de uns e a falta de outros. Quem não consegue lidar com situações em que algo o desagrade e pretende que suas próprias regras pessoais de bom comportamento se imponham sempre e absolutamente deve se questionar se está ápto á vida em sociedade ou deve procurar um deserto para viver. Um psicólogo tmb pode ajudar.

    1. Luciano Fernandes

      Oi Rafael, a maconha não é um hábito comum de escaladores. Apenas é um mau hábito de um grupo pequeno de pessoas que, infelizmente, faz muito barulho por conta do uso do produto. Se comprar cada habito listado é muito mais comum constatar a existência dele do que, proporcionalmente, da maconha.

      A maconha em si, nem chega a ser problema. Na minha opinião são as pessoas que a utilizam e parecem querer perpetuar um comportamento inadequado não somente para a escalada mas para a sociedade como um todo. Como se quisessem forçar a todos a aguenta-los. O problema mesmo é na atitude destas pessoas que, repito, é uma minoria mas que fazem muito barulho.

      Abs

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