Guia Essencial da escalada nas Olimpíadas de 2020 – Como serão as competições e os supostos favoritos

Logo após a confirmação da presença da escalada (como esporte de exibição) nos Jogos Olímpicos que irão acontecer em Tóquio em 2020 muito se falou sobre o formato adotado pelo Comitê Olímpico Internacional de de como foram abertas brechas para algumas injustiças. Uma certeza a respeito de tudo : O critério de seleção de atletas para os jogos ainda está incerto e não confirmado. Ainda faltam 4 anos para que a competição de escalada acontecer e sabermos realmente o que criticar ou elogiar do IFSC.

A decisão do formato adotado também embaralhou os favoritos deixando os palpites dos “entendidos” bastante divididos. Todos sabemos que grandes escaladores esportivos da atualidade estarão presentes mas afirmar que são favoritos já é uma outra análise.

Por isso a Revista Blog de Escalada reuniu informações junto de agência de notícias internacionais e perguntou às pessoas envolvidas com o desenvolvimento do esporte na América do Sul para elaborar um Guia Essencial da Escalada Esportiva na Olimpíada.

Escalada-olimpica

Sistema de Competição

Visivelmente inspirada pelo formato adotado no levantamento olímpico (que leva em consideração mais de uma habilidade para premiação) a proposta da Federação Internacional de Escalada Esportiva (IFSC) para o Comitê Olímpico Internacional contempla uma só premiação.

Os atletas serão combinados em três disciplinas, que atualmente já fazem parte da Copa do Mundo e do Campeonato mundial mas são realizadas separadamente. As disciplinas são :

  • Escalada de Dificuldade (Vias guiadas)
  • Escalada de Boulder
  • Escalada de Velocidade

Em outras palavras significa que os escaladores deverão necessariamente participar de cada uma das disciplinas e somar pontos para um ranqueamento. O melhor colocado no ranqueamento será premiado como o campeão.

O formato de ranqueamento global é utilizado nos dois campeonatos utilizados pelo IFSC, porém agora cada atleta deve pontuar em outra disciplina.

Somente haverá um pódio (classificação de 1º, 2º e 3º) para categoria masculina e outro para a feminina.

Polêmica : Atletas notoriamente conhecidos como Adam Ondra e Chris Sharma se posicionaram contra esta fórmula. O principal motivo alegado por analistas, atletas e grande parte da mídia outdoor é a de que um campeão olímpico pode não ser o melhor em qualquer uma das disciplinas (boulder, velocidade e dificuldade).

Foto : Eddie Fowke | http://www.ifsc-climbing.org/

Foto : Eddie Fowke | http://www.ifsc-climbing.org/

Número de Participantes

O número previsto de escaladores que poderão participar dos Jogos Olímpicos já foi estabelecido desde a proposta que foi aprovada : 40 – Destes este número de atletas haverá 20 homens e 20 mulheres.

Os critérios (índice olímpico, quantidade de atletas por país, idade e etc)  para a seleção de atletas será determinado pelo IFSC.

Este anúncio será feito somente em 2017 no decorrer do ano em data ainda não determinada pela entidade.

Polêmica : Grande parte das competições da Copa do Mundo de Escalada organizada pelo IFSC são realizadas na Europa o que ao logo dos anos causou baixa presença de países distantes do continente como Canadá, Brasil, Chile e Argentina. os altos custos de viagens transcontinentais deveriam ser diluídos em um calendário que contemple países fora do do continente Europeu.

Favoritos à medalha

Qualquer veículo de comunicação que se propuser a prever quem são os favoritos para a medalha de ouro em escalada esportiva nas Olimpíadas de Tóquio irá dar um tiro no pé. Tentar prever quem ganhará em uma competição com regras nunca antes utilizadas é impossível.

Para fazer alguma especulação a respeito do assunto é necessário analisar cada elemento separadamente e inferir que competições esportivas possui uma ciência exata, facilmente obtida com fórmulas matemáticas. Não é o caso da escalada.

A primeira coisa a levar em conta no critério de probabilidade de levantar é a idade dos competidores fortes de hoje e projetá-los, acreditando no seu amadurecimento como atleta, daqui a quatro anos. Para isso deve-se observar quais foram os atletas que mais se destacaram nos Campeonatos Mundiais em boulder e dificuldade nos últimos 10 anos.

Portanto é fácil concluir que, pelo menos em teoria, atletas que estarão entre 20 a 25 anos durante a Olimpíada são os favoritos. Isso porque observando as estatísticas da competição são atletas nesta faixa etária que venceram mais da metade das competições na última década.

Adam Ondra (esq) e Ramon Julián

Adam Ondra (esq) e Ramon Julián

Para atletas sul-americanos a aposta fica por conta de quem está treinando seriamente, e de maneira profissional, por pelo menos quatro anos e, de preferência, esteja na faixa de idade entre 20 a 25 anos em Tóquio. Porém vale lembrar que existem as “máquinas” que fazem qualquer previsão baseada em idades meras teorias idiotas. Por isso vale lembar que Ramon Julián no masculino foi campeão do mundo com 30 anos de idade em 2014. Nomes como o japonês Naoki Shimatani (que terá 24 anos) e o francês Hugo Parmentier (que terá 22 anos).

Falar de escalada esportiva sem mencionar o nome de Adam Ondra é o mesmo que falar de futebol e não citar o nome de Lionel Messi. O escalador tcheco estará com 27 anos em Tóquio e é favorito sempre.

Janja Garnbret vence o Legends Only em 2015

Janja Garnbret vence o Legends Only em 2015

Na categoria feminina a americana Ashima Shiraishi (que terá 19 anos até Tóquio) é das favoritas disparado para pisar no pódio olímpico. Ashima têm se especializado tanto em vias de escalada quanto em boulder e vem fazendo marcas assombrosas para qualquer ser humano (homem ou mulher). A eslovena Janja Garnbret (que terá 21 anos em Tóquio) surge, meio que de longe, de enfrentar de igual para igual a americana o que provou ser capaz no evento Legends Only de 2015.

A americana Megan Mascarenas vem despontando com imensa desenvoltura no cenário de competições americano e terá 24 anos em Tóquio. As japonesas  japonesas Aya Onoe (que também terá 24 anos em Tóquio) e Mei Kotake (somará 23 anos nos próximos jogos), que também são fortes certamente estarão treinando duro para não decepcionar em seu próprio país.

Atletas sul-americanos para figurar entre os favoritos devem necessariamente buscar uma classificação às finais da Copa do Mundo pra sonhar algo no Campeonato Mundial. Fato este que nunca aconteceu na história da escalada esportiva, Portanto apontar um nome agora seria uma especulação muito fora da realidade.

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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