Grandes nomes do esporte: Lionel Terray

Algumas personalidades ficam famosas por terem tido uma breve passagem pela vida. Fosse possível definir quem é Lionel Terray, seria possível de uma maneira bem simples, uma espécie de James Dean dos montanhistas da década de 1960. Filho de uma família rica, integrante da burguesia intelectual francesa, preferiu largar tudo para poder ser guia de montanha. E assim nasceu uma das maiores personalidades intelectuais, magnéticas e fascinantes do montanhismo mundial.

Lionel Terray nasceu em Grenoble, em 1921, e desde adolescente já entrava em conflito com os pais, pois constantemente estava na montanha. Logo aos três anos de idade, Terray já tinha sido introduzido a esportes de montanha, calçando o par de esquis. Já aos 11 anos de idade fazias as primeiras ascensões em Genoble. Ele descobre Chamonix aos 12 anos quando seu pai é enviado à cidade após uma doença.

Desde muito jovem já demonstrava talento acima da média no esqui alpino, fazendo parte da seleção francesa, participando de diversas competições internacionais. No ano de 1940, no meio da Segunda Grande Guerra Mundial, foi para Chamonix, trabalhar como agricultor.

No ano seguinte entrou para a organização paramilitar francesa Juventude e Montanha (Jeunesse et Montagne) onde conhece Gaston Rébuffat, alpinista francês e membro da expedição francesa ao Annapurna (8.091 m) (integrante da primeira expedição que fez ascensão de um cume de mais de 8.000 m). Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, atuando junto de Compagnie Stéphane para esquiar na frente Maurienne .

Terminada a Segunda Grande Guerra Mundial, já tinha se tornado monitor de esqui, instrutor de escalada e expedições de alta montanha na École Nationale des sports de Montagne (ENSM), principal escola francesa de referência no domínio de esportes de montanha. Nos anos 1950, já era um montanhista de renome internacional e, junto com Maurice Herzog, fez a primeira expedição que fez ascensão de um cume de mais de 8.000 metros. Entretanto, Terray não alcançou o cume do Annapurna. Na escalada Maurice Herzog e Louis Lachenal, que subiram o cume, tiveram queimaduras profundas que ocasionaram em amputações.

As fotos das mãos de Maurice Herzog com as mãos queimadas, até hoje são de profundo impacto. Mesmo com este incidente, o feito foi considerado de grande conquista ao povo francês, e toda a expedição foi recebida com festa em Paris. O livro “Annapurna”, de Herzog, foi um êxito gigantesco em termos de literatura de montanha e até os dias de hoje é considerado um Best Seller.

Lionel Terray a partir de meados da década de 1940, dedicou-se não somente a ser guia de montanha, mas a liderar expedições e foi buscar fora de seu país locais que desafiassem sua técnica e coragem. Terray, na época, realizou ascensões que até os dias de hoje são consideradas difíceis. Todas realizadas sem o apoio tecnológico e equipamentos que atualmente existem. No final dos anos 1950 e início dos anos 1960, Terray fez várias primeiras ascensões no Peru, incluindo o pico não-escalado mais alto nos Andes centrais da época o Huantsan (6.369 m).

Ele também fez as primeiras ascensões de outros picos considerados de extrema dificuldade, como Willka Wiqi (5.893 m), Soray (5.428 m), Tawllirahu (5.830 m) e Chakrarahu (6,108 m). Este último considerado inultrapassável na época. Terray ainda fez a primeira ascensão do Fritz Roy (3.359 m) em 1952, considerada até hoje como uma das mais difíceis do mundo.

Anos mais tarde, Lionel Terray fez aquilo que muitos consideram seu maior feito, que foi escalar o Kumbhakarna (7.710 m) no Nepal em 1962. um dos picos ainda hoje considerados como de dificuldade extrema no Himalaia. No auge de sua carreira, em 1961, escreveu um dos mais famosos livros a respeito do montanhismo mundial: “Os Conquistadores do Inútil”. A obra é considerada um clássico da literatura de montanha em todo o mundo.

Além do sucesso de seu livro, no ano de 1958 também participou de um dos maiores clássicos dos filmes de montanha em todo o universo de montanha: “Les Étoiles de midi”. Lionel Terray morreu aos 44 anos de idade, em uma escalada em rocha nos Vercors , ao sul de Grenoble em 1965. Ironicamente, a dificuldade da via era considerada média, mas por causa de uma queda. O montanhista foi enterrado em Chamonix. Na própria cidade uma rua foi batizada em sua homenagem.

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