Governo do Nepal planeja aplicar mais exigências para montanhismo a partir de 7.000m

O Departamento de Turismo do Governo do Nepal, órgão responsável por regulamentar o turismo de montanhismo no país está estudando a viabilidade de modificar exigências para a realização da atividade em montanhas com 7.000 metros de altitude no país. Com isso para subir ao Monte Everest seria necessário o aspirante ter realizado, no mínimo, alguma montanha de 7.000 m.

No Nepal foram mudadas as exigências para a realização de montanhismo em picos acima de 8.000 m a aproximadamente um ano, agora o órgão governamental estuda estender as mesmas exigências para montanhas a partir de 7.000 metros de altitude. Caso a exigência seja outorgada ela impactaria a vários aspirantes a montanhas de 8.000 m, além de impedir ascensões em solitário e também a prática por pessoas com mais de 75 anos de idade.

Cascata de Gelo do Khumbu | Foto-SPer Radson

Cascata de Gelo do Khumbu | Foto-SPer Radson

Para se ter uma ideia na Ásia Central situam-se todas as montanhas acima dos 7.000 metros de altitude do planeta e esta nova norma afetaria montanhas icônicas tidas como técnicas e difíceis como:

  • Monte Everest – 8.848 m
  • Kangchenjunga – 8.586 m
  • Lhotse – 8.516 m
  • Makalu – 8.485 m
  • Cho Oyu – 8.188 m
  • Dhaulagiri – 8.167 m
  • Manaslu – 8.163 m
  • Annapurna I – 8.091 m
  • Gyachung Kang – 7.952 m
  • Annapurna II – 7.937 m
  • Monte Api – 7.132 m

A notícia foi dada em primeira mão pelo principal jornal nepalês o The Himalayan Times, que relatou que a emenda proposta pelo Departamento de Turismo Nepalês à regulação de expedições de montanha (contida na Lei de Turismo do Nepal) inclui também outras modificações relevantes que irá impactar a maneira que a atividade é explorada no Himalaia.  A explicação das autoridades nepalesas é que gradativamente o governo do país quer racionalizar o montanhismo no país e regatar a relevância de suas montanhas perante o esporte. A regra, entretanto, possui em seu texto uma exceção: para os montanhistas nepaleses estão liberados de seguir a norma, em troca de um curso básico de alpinismo de 30 dias de duração.

Porém para a emenda ser aprovada, e ser homologada, há ainda um longo caminho a percorrer pois demanda estudos mais profundos, além de um debate com a população local, antes de ser aprovada.

Avalanche no Campo Base | Foto-SPer Drazil

Avalanche no Campo Base | Foto-SPer Drazil

Experiência exigida

Especula-se que as novas medida, caso seja efetivada, seria recebida sob aplausos de toda a comunidade de montanha do mundo. Isso porque a obrigatoriedade de ter subido ao menos uma montanha com mais de 7.000 metros no Nepal antes de solicitar o permisso (licença especial para montanhistas) de ascensão para algumas das montanhas de 8.000 garantiria que aventureiros e montanhistas inexperientes diminuísse drasticamente.

A regra, evidentemente, afetaria fortemente o turismo do Everest, onde se concentram as maiores aglomerações de turistas travestidos de alpinistas. Inadvertidamente também impactaria um outro mercado alimentado pelo marketing e propaganda: Os Seven Summits. Pois obrigatoriamente o aspirante a ostentar o título vazio de ascensão às seis montanhas mais altas do mundo mais o Denali teria de, pelo menos, realizar uma ascensão a alguma montanha de 7.000 m.

As ascensões às montanhas do país são exploradas por agências de turismo internacionais (leia-se não-nepalesas) que levam clientes famintos por fama e em investir na carreira de palestrante motivacional, deixando de lado o espírito do montanhismo em segundo plano. Por conta desta exploração desenfreada e sem limites houve uma explosão de cumes realizados por sherpas que carregaram seus clientes apenas para conseguir o certificado de cume. Assim vários apresentadores de TV, empresários endinheirados, publicitários e outro tipo de perfis não compatíveis com o esporte estavam a cada ano aparecendo aos montes no Nepal.

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