Crítica do filme “Generation Iron”

Generation-Iron-capaQuando se é esportista profissional, não importando o esporte, há um verdadeiro abismo entre o que é normalmente praticado por amadores e o que é feito por quem é denominado profissional.

Visto sempre com muito preconceito, algumas vezes com piadas de mau gosto a respeito da masculinidade, o fisiculturismo é um excelente exemplo para ilustrar a distância do que o que é praticado por amadores (ficar “malhado” em academias de musculação) e profissionais (músculos hipertrofiados).

Praticamente impossível de não serem notados quando estão em público estes atletas tem como principal objetivo participar do Mr Olympia, uma espécia de campeonato mundial de fisiculturistas.

Como todo campeonato possui regras específicas que determinam porque um atleta tem melhor desempenho do que outro.

Nomes prestigiados como o Arnold Schwarznegger, que foi campeão 7 vezes,e Lou Ferrigno, ator que interpretou o incrível Hulk em seriado televisivo, são alguns dos que participaram do concurso que, além do título, rende todo um mercado de produtos para academias por atrás de cada um.

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A rivalidade entre Schwarznegger  e Ferrigno foi eternizada no icônico documentário “Pumping Iron” realizado em 1975.

Procurando ter um olhar mais crítico e mais profundo da psiquê de cada participante do concurso Mr Olympia, “Generation Iron” foca as lentes nos sentimentos e aspirações dos fisiculturistas profissionais.Generation-Iron-9

O diretor Vlad Yudin teve a preocupação de documentar a preparação de diversos praticantes captando os pensamentos e divagações de cada personagem que faz parte da competição do Mr. Olympia.

O filme entretanto não procura focar em um só personagem, e sim busca as personalidades, e personagens, de toda a mitologia que fazem com que o outrora glamoroso concurso possui hoje.

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A partir disso constrói os perfis dos personagens Phil Heath como o campeão e estrela, Kai Greene como o competidor pobre e de origem humilde, Branch Warren como o americano “red neck”, Dennis Wolf como a ameaça estrangeira, Roelly Winklaar como o delinquente recuperado, Hidetada Yamagishi como a novidade de um país sem tradição no esporte, e Victor Martinez como o atleta com o sonho despedaçado e futuro nebuloso.

Cada personagem apresentado fala dos motivos que os levaram a desejar tão intensamente ser o Mr Olympia, além de filosofar sobre toda a filosofia do fisiculturismo.Generation-Iron-8

Temas considerados tabus, como uso de anabolizantes e preconceito da sociedade ao esporte são mostrados pontualmente, mesmo que de maneira contundente e convida o espectador a reflexão.

Dicas de treinamentos, alimentação e “atalhos” não é o foco principal do filme, e sim o tipo de pressão que sofre este tipo de atleta além da disciplina que necessita cada um dos praticantes.

Alguns pequenos pesadelos e duras realidades não escaparam da lente do diretor como, por exemplo, a necessidade de comer todo o tempo, treinar na academia não importando o dia ou horário, os olhares de asco das pessoas, entrevistas para papéis secundarios em filmes “B”, entre outras coisas.

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Pequenos detalhes captados como, por exemplo, aparelhos encharcados de suor, ralos de banheiro cheio de óleo marrom para fisiculturistas são mostrados com elegância e a devida economia.

A linha tênue que existe entre vencer um concurso e perder um patrocínio é abordada de uma maneira tão crua que pode chocar o mais inocente dos espectadores. Esta crueza está toda a qualidade de “Generation Iron”.

O conjunto de pequenas histórias de cada um dos competidores é mostrada de maneira bem crua, despreocupado de colocar glamour.

Generation-Iron-2Por  buscar mostrar o lado humano dos fisiculturistas, e despertar a curiosidade do público, como se estivesse em um tipo de circo, “Generation Iron” é muito mais que um simples documentário.

“Generation Iron” é um convite a entendermos que apesar de bíceps e pernas malhados, existem pessoas com sentimentos, pressões de trabalho, aspirações e uma grande carga de emoções envolvido em todo atleta.

A produção possui certa lentidão próximo ao fim, quando mostra a realização do Mr. Olympia, ficando com ritmo lento e deixando a sensação que não irá a lugar nenhum.

Um detalhe que em nada tira o brilho de um filme mostra os fisiculturistas como seres frágeis emocionalmente, com aspirações sonhos e desejos como qualquer pessoa.

Caetano Veloso cantou em uma música que “cada um sabe a dor, e a delícia de ser o que é”, e o diretor soube mostrar isso com maestria em “Generation Iron”.

Nota Revista Blog de Escalada:

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Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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