Dissecando a frustração: Lições valiosas para atingir a satisfação de uma exigência

Todos já estivemos lá: nós escalamos, caímos e nos frustramos. A escalada e a queda parecem naturais; são duas ações que de fato ocorrem quando escalamos. A frustração é diferente. Ela é uma reação à essas ações e nós podemos escolher como respondemos a elas. Alguns aprendizados essenciais estão faltando quando literalmente “ficamos aquém” da conquista. O comportamento de frustração demonstra que não valorizamos aprender o motivo pelo qual caímos. Queremos a realização sem fazer o trabalho necessário. Queremos algo por nada.

Compreender o que valorizamos ajuda a iluminar o comportamento de frustração. Valorizamos a conquista ou a aprendizagem? Se valorizarmos a aprendizagem, teremos curiosidade sobre o que mudar no nosso próximo esforço. Estaríamos interessados ​​em saber o que poderíamos fazer diferente, para não cairmos na próxima vez. Não haveria nenhum ímpeto para ficar frustrado porque o que queremos é aprender o que nos levou a cair.

Valorizar a conquista nos coloca em desacordo com os resultados que não atendem às nossas expectativas. Esperamos progredir e nos frustramos quando não o conseguimos. Nesse caso, valorizamos a conquista mais do que a aprendizagem.

É criada uma lacuna entre o resultado – a queda – e o que esperamos que ocorra. A frustração preenche essa lacuna e interrompe o fluxo de nossa atenção. Nossa atenção está focada em uma realidade ilusória do que desejamos que tivesse acontecido em vez da realidade. Nenhuma aprendizagem acontece até que essa lacuna se feche e nossa atenção possa fluir para o que de fato aconteceu.

Os escaladores podem dizer que valorizam o aprendizado, e que a frustração os motiva a aprender. Esta é a abordagem de “chutar e gritar” para a motivação. Eles precisam ser chutados por seus egos, e eles gritam, resistindo a aprender pelo maior tempo possível. Este é um exemplo de uma vida impotente; ficamos chateados porque não obtivemos o resultado que queríamos. Somos vítimas que desejam simpatia por nossos esforços fracassados. Não penso que nenhum de nós queira viver essa vida uma vez que investiguemos mais profundamente essa abordagem.

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Então, o que é responsável pelo comportamento de frustração? Por que nos comportamos dessa maneira? A resposta vem da compreensão da necessidade do ego para a realização. O ego tem uma necessidade essencial de se sentir válido e ter evidências para sustentar sua importância. Ele busca conquistas para obter tais evidências. O ego provoca o comportamento de frustração porque os resultados que criamos ficam aquém das suas expectativas. O ego pode não esperar ter sucesso em uma escalada, mas espera obter progresso para validar sua importância.

Valorizar o aprendizado nos ajuda a superar as limitações do ego. A curiosidade mantém a nossa atenção no momento. Não há diferença entre os resultados que criamos e nosso desejo de aprender com esses resultados. Nossa atenção flui perfeitamente do resultado para o aprendizado sem interrupção.

Podemos encontrar o equilíbrio entre valorizar a realização e a aprendizagem. Nós simplesmente focamos nossa atenção de forma adequada. Fazemos isso sendo claros sobre qual é o objetivo e sendo flexíveis com o como e quando ele será alcançado. Nós valorizamos a conquista porque sabemos que o que aprendemos está sendo testado. Nós permitimos que nossa atenção flua para identificar claramente qual é o objetivo. Isso nos dá visão para ajudar a direcionar como vamos praticar e aprender. Nós valorizamos o aprendizado comprometendo toda a atenção às práticas que identificamos que são necessárias para o objetivo. Nós permitimos que nossa atenção flua para o estresse e somos flexíveis em como e quando ele orienta nossa aprendizagem.

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Talvez a coisa mais difícil de aprender é realizar a mudança em nosso comportamento para que nossa atenção possa fluir. É preciso de tempo para receber os estressores que experimentamos e curiosamente dissecá-los. Ter um lembrete para o comportamento de frustração nos ajuda a parar de usá-lo e desloca nossa atenção para a curiosidade. Queremos algo por nada quando ficamos frustrados, mas quando ficamos curiosos e focados no momento, a experiência nos orientará para a aprendizagem.

Dica prática: a opção feliz

Se frustrar é uma opção infeliz que escolhemos em reação aos resultados que não gostamos. Em vez disso, escolha a opção feliz, tendo curiosidade sobre o motivo pelo qual você caiu. A curiosidade ajuda sua atenção a fluir conforme necessário.

Siga este processo em uma escalada que é desafiadora e onde é provável que você caia:

  1. Responsabilidade: Antes de escalar, conte ao seu parceiro que você terá que lhe dar informações específicas sobre o motivo pelo qual você caiu.
  2. Observação do comportamento: quando você cair, observe qualquer frustração, irritação ou desapontamento. Então, feche a lacuna; volte a atenção para a curiosidade.
  3. Feedback do parceiro: Reflita sobre o seu esforço e identifique o que você fez bem e o que você ainda precisa aprender. Seja específico, especialmente refletindo sobre o momento em que você caiu. Você caiu por causa do seu corpo ou sua mente? Quais pensamentos estavam em sua mente nesse momento? Eles fizeram com que você soltasse?

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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