Formas de pensar que distrai nossa atenção de escalar uma via difícil

Ano passado eu visitei Porto Rico para escalar e dar cursos. Meus amigos porto riquenhos me levaram para Cayey, um lugar de escalada no basalto, para um dia de escalada.

Eles me mostraram uma via tradicional chamada “Head to Toe” (Da cabeça ao pé) e falaram que ela tinha a graduação de VIsup br. Bom, isso foi o que eu pensei que eles tinham dito.

A via seguia uma fenda e terminava com uma escalada em face. Então, eu preparei meu equipamento e comecei.

A via tinha vários locais de descanso onde eu podia colocar proteções e buscar a próxima sessão. Eu identifiquei as saliências para poder usar de agarras e fiz um plano nos descansos. A escalada era difícil, mas eu fui capaz de escalar por cada trecho para chegar a um próximo descanso.

Foto: www.outdoorresearch.com

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Finalmente, eu cheguei à ancoragem e desci ao chão. Meus amigos estavam felizes por mim, dizendo “você avistou um VIIc br”!

Um problema comum no treinamento mental é tornar uma via mais difícil mentalmente do que ela é. Nós deixamos o grau da via determinar quão difícil a escalada será para nós. Achamos que será difícil quando escalamos vias acima de nosso limite. Ou, pensamos que será fácil quando escalamos vias abaixo de nosso limite.

Qualquer uma destas formas de pensar distrai nossa atenção de escalar a via em si. Estamos escalando uma imagem na mente em vez da pedra na nossa frente. Fazer isto cria expectativas de dificuldade ou de facilidade, o que interfere com nossa escalada.

Podemos ver o benefício de pensar que estamos escalando um grau mais fácil, tal como em minha experiência em ‘Head to toe’. Enganamo-nos –ou alguém nos engana- para termos uma mentalidade mais relaxada ao escalar. Achar que eu estava escalando um VI sup relaxou minha mente e me permitiu focar melhor.

Foto: http://neverstopexploring.com

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Truques como estes, no entanto, contornam o estresse para chegar a fins de curto prazo. Há benefício em encarar o estresse de saber o grau verdadeiro que estamos escalando. Esteja atento a tais truques mentais e redirecione a atenção de volta à situação atual para vê-la da forma mais clara possível.

Reciprocamente, podemos ver as limitações de pensarmos que estamos escalando um grau mais duro. Tornamos a escalada mais difícil do que ela realmente é. Tememos a graduação em vez de focar em partes reais da escalada, tais como o tipo de agarras, quedas e proteções.

Precisamos de claridade e objetividade. Vemos além da imagem mental que está na mente- seja ela de dificuldade ou facilidade- para podermos ver as diversas partes da via. Descrevemos estas partes objetivamente para não tornarmos a escalada “mais ou menos” do que ela realmente é.

Foto: http://adrenalineromance.com

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Descrevemos os pontos de proteção, as consequências das quedas e as possibilidades de escalada de maneira objetiva. Depois permanecemos curiosos para utilizar o que a via nos oferece para escalar. Fazer isto nos ajuda a permanecer objetivos e ver com mais clareza.

Os truques e as táticas mentais contornam o estresse. O treinamento mental mira esses truques e os elimina. O estresse deve ser encarado diretamente para podermos aprender. Encarar o estresse e trabalhar através dele constrói uma base sólida para comprometer-nos com situações de aprendizagem novas e mais estressantes.

Não torne a via mais fácil ou difícil do que ela realmente é. Veja a via como ela é e então entre no estresse com consciência total.

Dica Prática: Foque nas possibilidades

Se você não sabe o grau de dificuldade de uma via, então você é forçado a focar nas possibilidades para escalá-la. Sua atenção não estará em quão difícil ou fácil a escalada será; ela estará nas ações que devem ser tomadas para a escalada.

Vá para uma área de escalada que tem vias desconhecidas a você. Não leve um guia ou croqui. Busque vias que parecem interessantes e escolha algumas levando em conta as consequências da queda em vez da dificuldade.

Certifique-se que você tem experiência com tais consequências.

Então, foque nas possibilidades enquanto você escala as vias. Mais tarde você pode ver o guia para chegar o grau de dificuldade.

Você pode ficar maravilhado com o que você consegue escalar focando nas possibilidades em vez de no grau.

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O livro “The Rock Warrior Way – Mental Training for Climbing” está à venda traduzido para a língua portuguesa no Brasil em: http://www.companhiadaescalada.com.br/

Tradução do original em inglês: Gabriel Veloso

Arno Ilgner distinguiu-se como um escalador pioneiro nos anos 1970 e 80, quando as principais ascenções foram as primeiras fortes e perigosas. Essas façanhas pessoais são a base para Ilgner desenvolver o programa de treinamento físico e mental – Rock Warrior Way ®. Em 1995, após uma pesquisa aprofundada da literatura e prática de treinamento mental e as grandes tradições guerreiras, Ilgner formalizado seus métodos, fundou o Instituto Desiderata, e começou a ensinar seu programa de tempo integral. Desde então, ele tem ajudado centenas de estudantes aguçar a sua consciência, o foco de atenção, e entender seus desafios de atletismo (e de vida) dentro de uma filosofia coerente, baseada em aprendizado de tomada de risco inteligente. Ilgner considera a alegria e satisfação no esforço – a “viagem” – intimamente ligada à realização bem sucedida das metas.

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