Fazendo a comparação: Pilates versus Musculação

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Foto: Denise Pripas

Na hora de escolher uma atividade física, muitas dúvidas surgem: natação ou corrida? Esteira ou bicicleta? Pilates ou musculação?

E ainda: qual destas modalidades é melhor para perder peso? Em qual meu músculo ganhará mais massa muscular? Qual é mais completo? Qual é melhor para mim?

Tentando tirar uma parte dessas dúvidas, vou comparar aqui duas destas modalidades, Pilates e musculação, respondendo às perguntas mais frequentes sobre estas atividades.

Qual deles trabalha mais a força muscular?

Tanto Pilates como musculação irão trabalhar a força muscular, porém de formas diferentes.

A musculação trabalha com cargas (pesos) submáximas, ou seja, quase no limite que a pessoa consegue aguentar. Este tipo de trabalho gera hipertrofia do músculo, que é o aumento da massa muscular. Se você quer aumentar seu braço ou perna, escolha a musculação.

Foto: www.marombapura.blog.br

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Já o Pilates utiliza como resistência molas e/ou o próprio peso corporal, resultando no aumento da força, porém sem hipertrofia – ideal para pessoas que não querem ficar com os braços e pernas “grandes”, somente definidos.

Além disso, geralmente na musculação são trabalhados um músculo ou grupo muscular isolado em cada exercício. No Pilates, isto é possível, entretanto o mais comum é se realizar exercícios globais, em que diversas regiões precisam estar ativadas (ou seja, contraídas) ao mesmo tempo, para a melhor execução do movimento.

Qual é melhor para o alongamento?

Pilates. Os exercícios do Pilates exigem posturas e movimentos em que o músculo precisa de flexibilidade. Desta forma, ao tentar realizar um exercício, estamos alongando algum músculo (oposto ao que está fortalecendo, ou de outra região do corpo).

Na musculação os exercícios costumam deixar o resto do corpo (regiões que não estão trabalhando) de forma estática, em repouso.

Qual trabalha mais o equilíbrio?

Devido às diferentes posições dos exercícios do Pilates, é necessário um bom equilíbrio para realizá-los da forma ideal. Sendo assim, o equilíbrio (seja em pé, deitado, sentado, em gato ou qualquer outra posição) estará sendo treinado.

É claro que ter músculos fortes ajuda a “segurar” a pessoa equilibrada, mas outras habilidades como tempo de reação muscular e ajustes em relação aos desequilíbrios (antecipatórios ou compensatórios a um movimento) são o maior diferencial. Isto pode ser treinado com o Pilates.

Em qual irei trabalhar o meu condicionamento cardiovascular?

Bom, teoricamente um exercício aeróbico é que vai melhorar sua condição cardiovascular. Entre estes exercícios estão caminhada e corrida, bicicleta e natação.

Foto: Denise Pripas

Foto: Denise Pripas

Nem o Pilates nem a musculação são exercícios considerados aeróbicos; porém se o seu instrutor de Pilates conseguir dar um ritmo ao seu treino, conseguindo linkar um exercício ao outro, numa velocidade adequada, e por um período de tempo ideal, você estará trabalhando aerobicamente. É mais fácil fazer isto no Pilates de solo, onde não há a necessidade de pausar entre um exercício e outro para trocar a pessoa de aparelho (o que muitas vezes acontece no Pilates Studio).

Pela mesma questão do equipamento, fica difícil fazer um treino aeróbico durante uma aula de musculação, na qual cada exercício é realizado num equipamento diferente, ou com alguma modificação. Além disso, a musculação prega o período de descanso entre as séries, o que descaracteriza um trabalho aeróbico.

E para o condicionamento respiratório, qual devo fazer?

A respiração é um dos princípios mais importantes do Pilates; todos os exercícios são coordenados com a respiração, que é sempre realizada de forma lenta, aumentando a capacidade pulmonar, além de facilitar a contração do abdômen.

Os exercícios da musculação até podem ser coordenados com o ritmo respiratório, mas é muito mais comum vermos as pessoas prendendo o ar (fazendo apneia) para levantar o peso, o que não é bom para o sistema respiratório.

 Com qual deles vou emagrecer?

Os exercícios que resultam na maior perda de peso são os aeróbicos. O Pilates e a musculação não estão nesta categoria. Porém, como qualquer atividade física, ambos gastam energia (calorias). Para uma pessoa treinada, essa quantidade de calorias pode não ser suficiente para o emagrecimento, mas considerando um sedentário, esta variação no gasto calórico pode acabar gerando uma perda de peso. Além disso, se forem praticados numa frequência adequada, podem aumentar o metabolismo basal, resultando em maior gasto de calorias.

Com qual deles irei melhorar minha coordenação motora?

– A coordenação envolve a capacidade de fazer movimentos diferentes e concomitantes com diferentes segmentos do corpo. Como o Pilates é um exercício global (todo o corpo trabalha ao mesmo tempo), é ótimo para isso. Já a musculação, por trabalhar geralmente com segmentos isolados do corpo, não exige muito desta habilidade.

Qual é melhor para a postura?

Um dos princípios do Pilates é o alinhamento postural, ou seja: todos os exercícios devem ser feitos na postura “ideal”. Além disso, trabalha muito a estabilidade, o que envolve os músculos profundos, posturais. Já a musculação trabalha grupamentos musculares superficiais, responsáveis pelos movimentos, e não pela manutenção de uma determinada posição.

Qual é melhor para o CORE?

Hoje em dia, fala-se muito no trabalho do CORE, principalmente no treinamento funcional. O CORE é o conjunto de músculos do tronco, chamado no Pilates de power house ou casa de força.

O power house, assim como a respiração também é um dos princípios fundamentais do Pilates, e é trabalhado em todos os exercícios. Já na musculação é possível trabalhar a força de alguns destes músculos (abdominais, paravertebrais) separadamente, porém outros como diafragma e músculos do assoalho pélvico raramente são trabalhados numa musculação.

Na hora de escolher uma atividade física, procure conhecer bem quais são seus princípios e objetivos, e tente entender qual é a sua necessidade. Unindo estes dois fatores, escolha a atividade que mais se encaixa neste perfil. Também é importante que seja uma atividade prazerosa para você, pois o seu desempenho é altamente relacionado com a sua motivação!

E lembre-se: em qualquer modalidade é necessário o acompanhamento de um profissional especializado, para prevenir lesões e melhorar sua performance no exercício!

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-Graduada em Fisioterapia pela Universidade de São Paulo
-Aprimorada pelo Hospital das Clínicas
-Formação com ênfase em Fisioterapia Esportiva e Biomecânica
-Especialista em Pilates pelo método Pilates Postura Funcional
-Colunista na Revista Pilates
-Docente no Curso de Formação em Pilates Postura Funcional.

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