Crítica do filme “TEPUI – Escalada ao Salto Angel”

20110923031357-241-bdcaa7abed047a306d4fc23ea264e35d[1]Dentro do gênero de filmes outdoor expedições podem ser consideradas um clássico.

Fazendo uma comparação superficial com filmes comerciais equivaleria a clássicos como “Ben Hur” ou “Spartacus”.

Isso devido à quantidade de cenas e situações icônicas que hipnotiza todo e qualquer espectador.

Por isso filmes com foco em expedições é atração garantida para leigos e especialistas.

Geralmente quando há produções nesta temática os ângulos de filmagem, estabilidade de imagem e qualidade de fotografia ficam comprometidos por serem os próprios escaladores que realizam todo o trabalho.20111018140047-241-c0d07748d1e6c092fde1d3e7c07f9311[1]

Os produtores de “Tepui” optaram por realizar uma abordagem diferente : levar uma pessoa exclusivamente para fizesse com a captação das imagens.

No decorrer do filme mostrou ser uma escolha correta.

O filme “Tepui- Escalada ao Salto Angel”  documenta a jornada de um grupo de escaladores brasileiros formado com o que pode ser considerado a elite  existente no país.

A verdadeira tropa de elite da escalada brasileira.

salto97[1]Ao menos três escaladores participantes na produção teriam estátuas no “Hall Da Fama”(caso existisse um no Brasil) : Sérgio Tartari, José Luiz Hartmann e Edemilson Padilha.

Narrado por Padilha que vai descrevendo o desafio, e acontecimentos à medida que ocorrem o filme adota uma linha mais sóbria.

O local escolhido para este desafio, um Tepui (Rochedo em forma de mesa comumente existente no norte da América do Sul) é apresentado como um personagem.

A todo momento há citações como se o rochedo tivesse vida e personalidade própria.

Durante a exibição o grupo fica submetido a diversas situações comuns a quem procura este tipo de aventura como horas de avião, ônibus, canoa , caminhada , chuva , vento e outras dificuldades que  mostra a determinação de cada integrante.

Com uma edição dinâmica as imagens são mostradas com rapidez e dinamismo.20111104_121631_g[1]

As filmagens alternaram entre bons ângulos e tomadas de imagens com imagens trêmulas e zooms desnecessários mas envolventes e que conseguem transmitir a exata sensação de estar participando do desafio.

Por ser também escalador, o operador de câmera soube captar imagens interessantes e que fugiram de clichês de filmes de escalada.

Closes em colocação de nuts e camalots, descrição da disposição dos portaleds e refeições merecem serem compiladas para muitos vídeos instrucionais de cursos de escalada por possuírem grande qualidade.

Com uma edição segura que soube costurar de maneira dinâmica todas as cenas, fez o tempo de exibição passar despercebido para o espectador.

Entretanto alguns recursos técnicos  de edição como divisão de tela foram usados com mão pesada  mas não chegaram comprometer o conjunto da obra.

08122011022317Cena_do_Fi_15112011_19670[1]Com trilha sonora de bom gosto que demonstrou equilíbrio e sobriedade da direção, “Tepui”conquista o espectador por possuir elementos equilibrados e uma história muito bem amarrada do início o fim.

Contudo alguns pontos poderiam ter sido mais explorados como mostrar mais de cada escalador participante da equipe, e apresentação de cada um deles.

Esta despreocupação deixou a forte impressão de que mesmo sendo os principais “primeireadores” em algumas cordadas (como de fato é mostrado no filme) não estavam com muita vontade em realizar um filme.

Outro detalhe que não diminui a qualidade do filme , mas deixa margem a ser discutido após a exibição.

Isso por haver toda uma nova geração de escaladores que desconhecem muitas das personalidades ali documentadas.

“”TEPUI – Escalada ao Salto Angel” serve para interessados em realizar filmes de expedições, e seguramente tem de constar na videoteca de todo e qualquer escalador que pretende realizar aventuras deste nível.

Nota do Blog de Escalada :

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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