[EXCLUSIVO] Entrevista Walker Figueiroa – Distribuidor Petzl Brasil

livro_cavernas_tec_vert_e_a._resg[1]Os equipamentos da Petzl dispensam apresentações. Até mesmo a história da escalada e atividades verticais se misturam com a história da empresa.

Aqui no Brasil a distribuição exclusiva dos produtos da Petzl fica por conta da Spelaion, que é dirigida e administrada por Walker Figueroa.

Praticante assíduo das atividades outdoor desde 1995, sendo atualmente o representante oficial da Petzl no Brasil e instrutor de diversos cursos da Petzl.

Já viajou por mais de 30 países em 4 continentes desenvolvendo atividades de aventura.

No Brasil, já participou de viagens por quase todo território nacional, provendo centenas de cursos para bombeiros, industrias, grupos especiais da polícia e aventureiros.livro2[1]

Como se nao bastasse isso, criou e desenvolveu uma série de técnicas e equipamentos com trabalhos em parceria com diversas marcas.

Foi o primeiro e único guia de canyoning brasileiro a passar em uma seleção para guiar em outros países.

petzl-factory[1]Atuou como consultor do Ministério do Turismo do governo brasileiro, trabalhando junto com uma equipe de profissionais para o desenvolvimento do livro “Turismo de Aventura. Busca e Salvamento”.

Especialista em auto-resgate e resgate, formado pela Federação Francesa de Espeleologia, e credenciado como Chefe de Equipe Internacional de Resgate em Cavernas pelo Speleo Socorro Frances.

Autor de 2 livros de reconhecimento internacional.

O Blog de Escalada através de Murilo Lessa procurou Walker para uma entrevista aberta e falar sobre os planos que ele possui para a Petzl no Brasil.

Confira a entrevista abaixo.

Walker, a quanto tempo e como surgiu a idéia de criar a Spelaion?

A Spelaion surgiu da minha paixão pelo canyoning e espeleologia, em 2001. Spelaion_e_Petzl[1]

Senti a carência de cursos no setor no Brasil.

Na década de 90 quando iniciei nessas atividades, tinha muitas difculdades ao acesso a informações e cursos de qualificações na área.

Foi quando me vi obrigado a ir buscar conhecimento em outros países.

Ao retornar ao Brasil e ver uma grande quantidade de pessoas que se encontravam diante das mesmas dificuldades mas sem as oportunidades de ir estudar em outros países, decidi desenvolver um trabalho sério na parte de treinamentos e cursos, o que futuramente nos proporcionou também a venda de equipamentos.

Quais foram as principais dificuldades do início da empresa?

No início, por serem atividades praticamente novas no Brasil, e pela empresa nascer em uma cidade de porte médio do interior de São Paulo, Piracicaba, a demanda era muito pequena e muita gente ainda nem sabia o que significava aquelas palavras esquisitas, como canyoning, espeleo, etc.

Mas esse “tempo” e baixa demanda foram muito importantes para o amadurecimento da empresa e melhor planejamento da base de trabalho, a qual utilizamos até hoje.

Como foi o processo de uma empresa relativamente pequena como a Spelaion, representar a Petzl com exclusividade no Brasil, e como isso impactou no funcionamento do negocio?

A Petzl, desde muito tempo é uma das empresas mais renomadas no mercado mundial.

A parceria entre a Petzl e a Spelaion, nos trouxe muitas mudanças.

No começo, essa adaptação não foi fácil.

Demandou muito trabalho e um planejamento muito estratégico.

Entretanto, após 3 anos de parceria com a Petzl, vemos que estamos no caminho certo e ainda com um potencial incrível pela frente.

2013 será um ano com grandes lançamentos de novos equipamentos, cursos e muitas novidades que iremos informando ao mercado pouco a pouco.

Dos diversos cursos oferecidos pela Spelaion (canyoning, espeleologia, escalada, escalada industrial, resgate, …) você é praticamente o único instrutor. Quais os cursos com maior procura atualmente e como você se mantêm atualizado em atividades tão diferenciadas?

Atualmente os cursos de maior procura são os da área profissional, devido ao grande amadurecimento que o setor vêm sofrendo com a parte de segurança em trabalhos em altura.

Para me manter atualizado, sigo estudando e sempre que possível fazendo novos cursos.

Faço uma média de 5 a 6 novos cursos por ano.

Ao menos uma ou duas vezes por ano, vou a Petzl na França onde me reuno com representantes da Petzl de outros países, entre diversos colaboradores da marca.

Juntos, sempre estamos discutindo sobre novos produtos, técnicas, acontecimentos, etc.

Estando lá utilizamos o V.Axess (centro de treinamento da Petzl) e a estrutura dos laboratórios de ensaios para nos reciclarmos e desenvolvermos mais conhecimento e ainda discutirmos os acontecimentos globais (acidentes, novas técnicas, novas idéias, novos equipamentos, etc).

Desde quando iniciei na década de 90, participo de diversas expedições no mundo todo, diversas vezes ao ano, onde é possível obter bastante experiência e também se divertir bastante.

Entretanto, atualmente aprendo muito em cada curso que ministro.

Em cada curso, sempre aprendo muito com os alunos, que trazem muito conhecimento a sala de aula e a experiência pessoal de cada um é sempre muito enriquecedora.

Também sou sempre muito interessado por livros e artigos da área.

Gosto muito de ler a respeito devido a paixão que tenho pela atividade.

Qual a sua opinião sobre o atual mercado da escalada industrial no Brasil? Uma boa oportunidade de emprego? O que falta e o que deve ser elogiado?

Este mercado está amadurecendo muito.

Existem diversas boas escolas de acesso por corda no País.

Podemos observar pela quantidade de empresas que estão solicitando esses profissionais e também eventos e atividades do ramo.

A possibilidade de se trabalhar com cordas, está trazendo muita segurança ao mercado industrial, e muito mais agilidade e rapidez nos trabalhos prestados.

O que antes demandava 15 dias pra fazer, tinha alto custo e muito risco, se faz hoje em 3 dias, de forma mais segura e com baixo custo, pelo método de acesso por corda.

Com certeza é um mercado que pode empregar muita gente, desde que essas pessoas busquem boa qualificação, o que é fundamental para o trabalho.

Alguns setores da área industrial ainda precisam amadurecer bastante.

Ainda existem diversas empresas trabalhando com métodos antigos, assumindo riscos desnecessários.

Mas isso vêm melhorando a cada dia.

Como você avalia o conhecimento técnico do atual praticante de atividades outdoor? Você acha que tem se dado muito foco no “ser radical” e pouco no “ser intelectual”? Como você acha que um escalador/montanhista deve balancear o corpo e a mente, em termos de treino e técnica?

É sempre difícil colocar opinião pessoal.

Pois cada qual vê as coisas de formas diferentes.

Se eu for fazer uma análise global acredito que os brasileiros se desenvolveram muito nos últimos 10 anos.

Já temos diversos praticantes de destaque e de qualidade.

Porém no caso da escalada em rocha, o iniciante muitas vezes acho que da mais valor em escalar uma via de graduação alta do que a escalar com segurança.

É mais importante encadenar um 8c do que a fazer o nó correto ou escalar com capacete.

Na minha opnião, em primeiro lugar deve ser colocado a segurança. Após garantir a segurança deve-se trabalhar a performance.

Também vejo que falta a busca pessoal pela informação, pois 85% das questões técnicas que a Spelaion recebe hoje estão respondidas nos manuais de instrução dos equipamentos e no site da Spelaion.

Mas as pessoas infelizmente não dão a devida importância aos manuais.

Há em alguns estados, como São Paulo, uma relativa retração de referenciais de escalada, como a quantidade de academias. Como você enxerga isso?

Não acho que exista essa retração.

O mercado segue em crescimento e vemos isso claramente pelos eventos esportivos e pelas vendas de materiais que aumentou muito pra gente.

Recentemente tivemos o Petzl Roc Trip na patagônia argetina e tinha em torno de 200 brasileiros presentes, que representaram aproximadamente 30% dos escaladores do evento.

O mercado apenas se acomoda dia a dia e as empresas do setor de escalada devem evoluir junto com essa demanda que fica cada vez mais técnica.

É importante ter um técnico no balcão da loja e não apenas um vendedor.

O cliente carece muitas vezes de orientação técnica na hora da venda e isso faz grande diferença na escolha dos equipamentos.

Como está o panorama da escalada aí na sua região? Há muitos escaladores ou locais de escalada?

Sim. A quantidade de escaladores se multiplicou.

Muitos bons escaladores estão na nossa região.

Esse ano houve 2 etapas do campeonato de Escalada Caipira, uma em Campinas e uma em São Carlos.

Organizados pela própria iniciativa dos grupos de escalada da região.

O nível dos competidores foi altíssimo.

Atualmente se destacam alguns lugares de escalada ao redor de Piracicaba, como: Iracemápolis, Americana, Campinas, São Carlos, Analândia, Itaqueri e já existem alguns outros projetos que estão caminhando.

Também existem publicações de blogs, livros e artigos de escaladores regionais que estão sendo muito bem trabalhados.

Quais esportes ou atividade física você pratica regularmente, e como faz para treinar e dividir a vida de marido, empresário, instrutor, guia e atleta?

Tenho como paixão canyoning, escalada, espeleologia e judô. Em 2012 foi um ano de muito trabalho e muitas viagens.

Realmente não foi fácil conciliar todas essas atividades.

Mas sempre que possível tento conciliá-las.

Como trabalho na área muitas vezes o próprio trabalho me proporciona o momento para a prática e isso é fundamental para eu poder ter um aproveitamento melhor do tempo.

Você foi o primeiro guia certificado internacionalmente pela CIC (Comissão Internacional de Canyoning) na América Latina. Como está o atual cenário do canionismo nacional em termos de oportunidades comerciais, treinamento dos guias e praticantes, e setores explorados?

A partir de 2006 recebi vários contratos para trabalhar com canyoning em outros continentes.

Por isso, aos poucos me afastei um pouco do mercado brasileiro de canyoning.

Em 2009 quando iniciamos o trabalho com a Petzl, diminui bastante minha atuação como guia de canyoning no Brasil, embora não tenha parado, pois gosto muito da atividade.

Atualmente não tenho ministrado muitos cursos básicos me dedicando mais a cursos de alto nível para canyonistas mais experientes.

O mercado do canionismo cresceu bastante no Brasil.

Existem diversos canyonistas sérios, que desenvolvem conquistas, cadastramento e explorações em novas regiões. Muitos canyons novos foram abertos no Brasil.

Há pouco tempo teve um encontro internacional de canyoning onde vieram esportistas do mundo todo para conhecer nossos canyons.

Tem muita gente séria trabalhando a frente desse esporte.

E finalmente, pra fechar, quais os projetos e desafios para o próximo ano em termos esportivos e profissionais?

Em 2012 tivemos um ótimo ano e o previlégio de termos realizado o Petzl Roctrip na América do Sul.01[1]

Para 2013, pretendemos continuar na mesma linha de trabalho.

Queremos nos aproximar cada vez mais das comunidades esportivas, para trabalharmos cada vez mais juntos.

Muitos equipamentos novos serão lançados já em março e muitos no decorrer do ano.

Em 2013 também teremos alguns cursos novos como um curso exclusivo sobre Ancoragens e um curso de Auto-Resgate para profissionais de acesso por Corda.

As vagas já estão abertas.

Para saber mais:
http://www.ecoesportes.com
http://www.spelaion.com

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.