[EXCLUSIVO] Entrevista com Roberta Loureiro

Foto: Ricardo Cosme

Foto: Ricardo Cosme

Dentro da área de estatística há uma técnica de análise de dados que quando há um resultado muito fora do padrão analisado chamado “ponto fora da curva”.

Esta seria a melhor definição da escaladora mineira Roberta Loureiro.

Por trás de sua fala mansa e voz doce está uma das grandes escaladoras esportivas do Brasil, além de ter um dos maiores corações de todo território nacional.

Ao assistir “Robertinha” escalar tem-se a impressão de que ela flutua sobre as agarras e que todos os movimentos são fáceis.

Isso devido à sua fluidez e técnica apurada.

Por tudo acima descrito, e por muito mais, sempre foi o desejo do Blog de Escalada realizar uma entrevista com ela.

Leia abaixo a entrevista.

Roberta, no Brasil está havendo um aparecimento de várias mulheres realizando escaladas de grau alto, como você se visualiza esta realidade?

Na verdade já existiam algumas mulheres escalando vias e boulderes de alto grau (Ex: Raquel Guilhon, Janine Cardoso, Mara Imbelone, Francine Borges, Mônica Pranzl entre várias outras) mas eram minoria entre os escaladores.

Foto: Mary Kujawski

Foto: Mary Kujawski

Hoje com a abertura de novas academias de escalada e novos picos de escalada surgiram novas mulheres dispostas a treinar forte e evoluir no esporte.

Eu acho demais!!!

É muito motivante ver as mulheres se desenvolvendo e atingindo níveis cada vez mais duros num esporte considerado, ainda por muitos, um tanto masculino.

Hoje Minas Gerais é a Meca da escalada esportiva brasileira. Como é morar e escalar no estado?

Sou de Ouro Preto (MG) mas por motivos de trabalho dos meus pais e de estudo já morei em sete cidades e atualmente moro em Belo Horizonte (MG).

Comecei a escalar em Juiz de Fora (MG) durante a faculdade mas foi no Rio de Janeiro, em que morei seis anos, que minha escalada desenvolveu na parte de vias graças a minha amiga Raquel Guilhon (Raquelzinha).

Foto: Murilo Vargas

Foto: Murilo Vargas

Ela me ensinou a fazer “finger” e a treinar força no murinho e assim do sétimo grau atingi o nono grau.

Lá por falta de vias de graus mais fáceis éramos obrigadas a encarar vias de grau duro e a treinar forte para um projeto específico.

Os boulderes em granito lá no RJ não me agradavam muito e por isso esta modalidade eu não praticava.

Aqui em MG há vias e boulderes de todos os estilos e graus e isso favorece uma base melhor na escalada antes de partir para os graus mais HARDS. São tantos os desafios que fica difícil “bitolar” em um projeto, rsrsrs.

Você está com algum projeto ambicioso de escalada para este ano de 2013?

Las Chilcas-Liliane Esíndola

Foto: Liliane Esíndola

Eu e meu namorado Kbeça também estamos focados em viajar pelo país e pelo exterior, assim conhecemos novas culturas e aprimoramos nossa escalada nos seus diversos estilos.

Nos boulderes (um novo mundo no qual estou cada vez mais fascinada) também estou procurando fazer uma boa base já que no RJ raramente ia fazer boulder (as vezes ia após muita insistência de meus amigos Quel e Camilinha, rs).

Pretendo até o final do ano mandar um V7 e quem sabe um 9c (a Filezão na Barrinha- RJ é meu maior carma na escalada, cheguei a fazê-la inúmeras vezes com uma queda, por isso acho que necessito consolidar o meu grau físico e mental).

Você não participa de muitos campeonatos de escalada. Qual o motivo desta escolha?

Na verdade nunca me sai muito bem nos campeonatos, rsrsrs.

Acho que por não saber administrar adequadamente o meu nervosismo e por nunca ter planejado os meus treinos para eles.

Vou participando a medida que eles aparecem e se no momento tiver disponibilidade para eles.

Foto: Juan

Foto: Juan

Meu foco sempre foi a pedra, mas acho incrível o aprendizado mental que os campeonatos oferecem por isso pretendo participar mais deles.

Você possui alguma rotina de treinamentos? qual é?

Sim, no momento estou treinando em ciclos e atualmente devido aos festivais de boulderes na rocha estou no ciclo de força. Treino 4x na semana (campus, finger com peso, boulderes, yoga, musculação).

O aeróbico está meio de lado mas pretendo reinicia-lo o quanto antes para melhorar a minha recuperação na escalada e auxiliar na perda de peso já que os doces não me deixam, rs

Muitos escaladores, e escaladoras, não possuem patrocínio das principais marcas e empresas de escalada. A que você atribui esta triste realidade?

Apoio há sim mas patrocínio realmente está deficiente.

Foto: Ricardo Cosme

Foto: Ricardo Cosme

A escalada ainda é pouco difundida no Brasil e assim fica difícil para as pequenas empresas patrocinarem os atletas já que elas mesmas lutam para sobreviver nesse mundo aqui ainda limitado.

A verdade é cruel, ainda não se consegue viver de escalada no Brasil. Temos que divulgar ainda mais nosso esporte.

Quais são as mulheres escaladoras que você se espelha para ir lapidando a sua escalada?

Itatim-Juan (1)

Foto: Juan

Nossa, pergunta difícil…

São várias.

No Brasil Janine Cardoso, Thais Makino, Raquel Guilhon, Bianca Castro são minha fonte de inspiração, entre outras.

No Brasil há muitos incidentes de escaladores desrespeitosos cm os locais de escalada. Qual é a sua opinião a respeito disso?

A minha opinião é que pessoas desrespeitosas há em todos os meios e lugares.

Cabe a nós darmos os belos exemplos e dialogarmos com as pessoas.

Não é com briga que iremos melhorar esta situação.

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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