Entrevista de Oswaldo Baldin – Falando sobre seu filme “Amigo Imaginário”

Não seria exagero nenhum afirmar que um dos grandes nomes do montanhismo brasileiro é Oswaldo Baldin.

Sempre uma mente pensante não ficou satisfeito apenas com seus feitos na escalada, e levou à frente o desejo de ver seu estado retratado de uma maneira única e singular por isso investiu seu tempo em realizar filmes.

Suas produções foram evoluindo à medida que ele aprendia mais sobre elementos fundamentais sobre realização de filmes.

Sempre com a determinação de que qualquer produtor de filmes outdoor tem de ter (e não se intimidar porque exige muito trabalho) Oswaldo este ano está concorrendo uma vez mais no Rio Mountain Festival com sua produção “Amigo Imaginário”, em que documenta a conquista de uma via de escalada realizada somente por mulheres.

“Amigo Imaginário” é mais uma produção nacional que documenta a escalada feminina.

Foto: Fabio Ivan

Foto: Fabio Ivan

O Blog de Escalada procurou Oswaldo Baldin para saber sobre como foi a produção quais as suas expectativas a respeito de premiações, reações do público e etc.

Leia abaixo a entrevista.

Baldin você já realizou duas temporadas de uma websérie, qual foi a motivação desta vez realizar um filme?

Na verdade a ideia de fazer o filme surgiu como consequência de um acontecimento que estava para “rolar”.

Quatro escaladoras capixabas estavam super motivadas para conquistar uma via tradicional.

Como esta seria a primeira vez que meninas capixabas conquistavam (sozinhas), eu quis documentar isso em forma de vídeo, por se tratar de um fato histórico do esporte no Estado.

Foto: Marcos Palhares.

Foto: Marcos Palhares.

Como elas me pediram para ajudar na parte técnica sobre os procedimentos de conquista, eu já iria para Pancas dar este auxílio (mas não me envolvendo com a conquista da via em si).

Aproveitei para transformar essa conquista em um filme.

Elaborei um roteiro, montamos a logística da conquista de como faria a captação das imagens.

Consegui filmar “de cima”, acompanhando a evolução delas na parede.

Isso resultou em imagens com ângulos bem interessantes em se tratando de uma conquista, onde geralmente são captadas de baixo.

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Foto: Sandro Souza

E foi isso, minha motivação veio da motivação delas, que resultou neste filme que acredito que registrou bem o feito dessas quatro escaladoras capixabas.

Quanto tempo levou para você realizar toda a produção desde o planejamento até o final da edição de “Amigo Imaginário”?

A pré-produção aconteceu cerca de um mês antes.

Com a concepção da ideia de filmar essa escalada, elaborei um roteiro onde o filme fosse narrativo, sendo elas, as conquistadoras e protagonistas, que contassem toda a história.

A produção que foi a captação das imagens aconteceu em um final de semana.

A pós-produção que foi mais “dureza”, e isso se arrastou por muuuuuitos dias de edição pelas madrugadas à dentro.

Após essa montagem veio a finalização, com a correção do vídeo (cores) e do áudio.

Agradeço aos amigos Hermes ‘Soldado’, Samuel e Marcos ‘Tatu’ pela força na ação da produção.

Aos “manos” Samuel e Lucas que ajudaram na finalização.

Ao Fabio e sua mãe, a Dona Joana, pela ótima receptividade de sempre em Pancas.

Quais foram as principais dificuldades na realização de “Amigo Imaginário”?

Foto: Paulo Henrique Munhoz

Foto: Paulo Henrique Munhoz

Para ser sincero, dificuldades grandes mesmo não teve.

As meninas abraçaram o projeto e tudo fluiu de forma natural e muito bem.

Mas um ponto de dificuldade foi ter que “aturar” quatro minas frenéticas nas conversações durante esses dias.

Brincadeira heim meninas! Rsrsrs.

Ah, e tive dificuldade também quando o Whisky acabou no meio de uma madrugada de edição, e ai tive que interromper o trabalho e aguardar por uma reposição.

Qual foi o equipamento utilizado por você para a realização e edição do filme?

Para a captação das imagens usei a câmera Panasonic HDC-TM700.

Foto Fábio Ivan

Foto Fábio Ivan

Por ser compacta e apresentar bons recursos de regulagens manuais, me adaptei com essa câmera.

O resultado das imagens sempre me agradou.

Uma pena que me roubaram ela depois, rsrsrs.

Para editar utilizei o Adobe Premiere Pro CS5.

Qual a sua expectativa quando à premiações no Rio Mountain Festival?

Minha expectativa é presenciar filmes que estão com a qualidade crescendo muito nas produções nacionais.

As premiações vejo que são boas para incentivar o pessoal a produzir cada vez mais com qualidade.

Pelo menos foi isso que vivenciei, quando em 2009 participei com um filme na Mostra do RJ, o primeiro que produzi, e acabei levando como Melhor Diretor.

Isso me pegou muito de surpresa, e me refletiu como um incentivo imenso pra melhorar e aprender cada vez mais na parte técnica.

Sendo várias as categorias de premiações este ano, é certeza que teremos bons filmes sendo eleitos e que estas premiações continuem a incentivar os “brazucas” a produzir cada vez mais.

Houve alguma empresa, site ou marca interessada em patrocinar seu filme?

Na verdade não corri atrás de nenhum patrocínio para viabilizar este filme.

Como foi algo muito de momento a ideia de realiza-lo, só articulei pra fazer acontecer.

Quem apoiou foi a Planeta Vertical, que é uma empresa que atua no ES com cursos de escalada e outros serviços relacionados ao Montanhismo.

Você além de produtor de vídeos de escalada, também organiza uma mostra no Espírito Santo. Você acredita que este evento possa vir a crescer para ser similar ao Rio Mountain Festival?

Foto: Hermes Thorvalden.

Foto: Hermes Thorvalden.

Primeiramente gostaria de esclarecer que quem organiza este evento é a Associação Capixaba de Escalada (ACE).

Eu como estou na entidade desde sua fundação e por ser um “curtidor” de filmes de montanha, acabo levantando a bandeira deste evento para ajudar a promovê-lo.

Mas este evento, assim como todos os que a ACE organiza, é fruto de trabalho voluntário de seus associados, que tem um poder de união e de querer fazer muito grande,e que vem resultando em eventos maravilhosos no ES como a Mostra Capixaba de Filmes de Montanha.

Quando organizamos a primeira Mostra em 2011 todos os ingressos foram vendidos e na hora da sessão tinha gente disputando quase a tapa pra entrar, rsrsrs.

Isso nos motivou a fazer a segunda edição do evento, que também foi sucesso.

Este ano teremos novamente no dia 11 de Dezembro.

Foto: Oswaldo Baldin

Foto: Oswaldo Baldin

Com esses resultados super positivos, a Mostra já faz parte do calendario oficial de eventos que a ACE organiza anualmente, e acredito (e espero) que continue crescendo e se propagando cada vez mais.

Por enquanto o formato da nossa Mostra é de exibir filmes capixabas.

Incentivando que mais gente produza filmes relacionados à escalada e montanhismo por aqui, e agregando com filmes nacionais que foram exibidos no Rio Mountain Festival, geralmente os que são premiados.

Até por esse motivo que a Mostra Capixaba é realizada após a do Rio de Janeiro.

Vamos ver o resultado da nossa terceira edição para assim esquematizarmos o futuro deste evento, objetivando seu crescimento contínuo.

Como você visualiza as produções de filmes outdoor no Brasil tanto em qualidade quanto em quantidade?

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Foto: Oswaldo Baldin

Falando especificamente de filmes sobre escalada ,e em se tratando de quantidade, percebo que está em ritmo frenético!

Todo mês tem lançamentos circulando em sites, blogs, e principalmente pelas redes sociais.

Antigamente era um ano esperando um novo Master of Stone em VHF, rs.

Pequenos curtas estão sendo feitos à todo vapor, e isso ajuda muito a divulgar a escalada em determinadas localidades, assim como destacar determinados escaladores.

Isso é muito significativo e positivo para o esporte.

A qualidade também é muito perceptível, principalmente pela captação das imagens em alta resolução.

Isto agregado a enquadramentos diferenciados nas captações vem resultando em imagens fantásticas.

Foto: Oswaldo Baldin

Foto: Oswaldo Baldin

Mas percebo que em algumas produções é depositada muita atenção para a qualidade da imagem agregada a uma trilha sonora, e não se atenta muito ao roteiro.

O que no meu ver resulta em vídeos mais num formato de videoclipe, o que também é uma vertente, e é muito válida e interessante.

Se essa foi a proposta de quem o produziu, “oks”.

Mas se a intensão é produzir algo que tenha o objetivo de passar a imagem real de um local, de um acontecimento, ou de um atleta, vejo que falta ainda um pouco de atenção voltado para o roteiro.

O roteiro é o que vai fazer com que quem assiste realmente entenda a mensagem que o produtor pensou em transmitir.

Conquista+em+Pancas.+Foto+Oswaldo+Baldin[1]

Foto: Oswaldo Baldin

Vejo que antes de produzir algo devemos nos perguntar: Para que publico estamos produzindo e, para que estamos produzindo?

É um vídeo para meus amigos verem, para os esportistas do seguimento ver, ou é ainda para toda a massa ver?

Assim fica mais fácil e mais claro para definir qual a linha de abordagem, e qual o tipo e tamanho do trampo a ser assumido, seja com a captação, montagem e, roteiro.

Quanto mais abrangente maior será o trampo, logicamente.

E é ai que acho que a construção de um roteiro (desde a pré-produção) agregada a uma boa montagem na edição irá resultar em um interessante ‘produto’ final.

Que mensagem você teria a quem está na expectativa de assistir ao seu filme?

Minha expectativa em tudo que já produzi sempre foi a mesma, e nesse filme segue a novamente essa linha: divulgar as potencialidades da escalada do Espírito Santo.

Então primeiramente espero que as pessoas se surpreendam com as maravilhas da região onde se passa o filme, que é no Monumento Natural dos Pontões Capixaba em Pancas.

Após assistir, despertem o interesse em conhecer e desfrutar das escaladas (e caminhadas) dessa parte do noroeste do ES.

Também espero que as pessoas curtam em ver as meninas capixabas conquistando pela primeira vez, e que compreendam e curtam a história a ser apresentada.

Você já possui algum projeto de algum outro filme?

Tenho em mente dois principais projetos.

Um em formato de documentário, que abordará escaladas históricas do Espírito Santo em montanhas que são cartões postais do Estado e que tiveram grande representatividade no cenário nacional quando foram conquistadas há décadas atrás.

O outro projeto é uma ficção tendo como tema a Escalada.

O que é um desafio dos grandes… e uma hora sai!

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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