[EXCLUSIVO] Entrevista com Luane Mondin

188773_1629129647740_3866639_n[1]A escaladora gaúcha Luane Mondin é uma destas pessoas dispensa grandes apresentações.

Com personalidade marcante, olhos verdes que parecem saltar de qualquer foto, e sorriso contido , gosta sempre de esclarecer: “não sou boas com as palavras”.

Mondin em seu Estado pode até não ser conhecida por ser uma escaladora de grandes feitos (ainda, mas seguramente será), porém é uma escaladora de opiniões e atitudes.

Luane não tem pressa de chegar ao seu grau máximo de escalada, mas tem a determinação para isso.

E isso faz toda a diferença.

Respirando escalada as 24 horas do dia, Luane Mondin apesar de econômica para responder tem respostas bastante claras sobre aspectos do esporte.

Após várias tentativas o Blog de Escalada conseguiu finalmente realizar uma entrevista com ela, leia abaixo:

 Luane, como a escalada entrou na sua vida, e o que representa hoje para você?

Comecei a escalar com 19 anos.

Foi com o meu namorado da época ,que já escalava já fazia 197594_1629116087401_3039942_n[1]uns 2 anos, mas nunca me interessei.

Achava um esporte meio bastante masculino, até o dia em que vi mulheres escalando. 

A movimentação, a graça, a leveza…

Achei incrível.

Parecia uma dança em vertical com os movimentos contatos e certos.

Hoje a escalada é sem dúvida minha filosofia de vida.

Não consigo ver minha semana, sem planejar a escalada do sábado e domingo.

Além do mais, os ensinamentos da escalada estão espelhados em todos os outros quesitos da minha vida, como na minha profissão, faculdade e no meu relacionamento.

Na sua opinião qual a principal dificuldade para uma mulher praticar o esporte?

200728_1629125007624_5226506_n[1]Sinceramente não vejo dificuldades.

Alias, as dificuldades não está relacionada ao gênero (feminino/masculino), mas sim na individualidade de cada um.

Cada um tem seus limites e superação, assim como em qualquer outra atividade.

Como mulher, quais as principais dificuldades que você enfrentou quando começou a escalar?

Descrédito.

Não tive incentivo por parte de algumas pessoas no começo, e acredito que foi por ser mulher.

Vejo isso em outros grupos onde há mulheres iniciando também.

Hoje como está a proporção Homem x Mulher no estado do Rio Grande do Sul? Você saberia dizer o porque desta proporção?

Ainda há uma diferença muito grande, mas com certeza a mulherada está se interessando mais.

De repente seja pelo mesmo motivo que eu custei a entrar no mundo da escalada, a visão de ser algo masculino e falta de incentivo.198431_1629139447985_7791237_n[1]

Além da escalada, quais outros esportes você pratica?

Pratico slack line, como complemento para escalada.

Ando de bicicleta, mas não com o intuito esportivo.

A procura pela escalada vem crescendo ultimamente, você acredita que este crescimento é sustentável para abertura de academias, campeonatos e outros eventos ligado ao esporte?

Acho que deveria ser proporcionalmente inversa, diminuindo o número de academias e aumentando a escalada ao ar livre.

A parte de campeonatos prefiro não citar.

Como já disse, tenho a escalada como filosofia e quero apenas me superar, e não competir.

Qual mensagem você teria para as mulheres que estão iniciando na escalada?

Não desistam.

Acreditem em si sempre… isso já basta!

Você possui algum projeto, metas e planos para a sua escalada em 2013? Quais seriam eles?

230246_1724537712882_2641195_n[1]Sempre.

Meu objetivo principal é viajar mais.

Quero conhecer outros tipos de rochas, outros locais de escaladas que me proporcionem um desafio maior.

Quero até o fim do ano estar “mandando” um 7c com tranquilidade.

Quero continuar com minha ‘escaladinha’ tranquila, com amigos queridos todos os fins de semana.

Muitos poucos atletas femininas possuem patrocínio, a que você atribui este cenário?

Acredito que, tecnicamente falando, as mulheres escalam com muito mais sutileza , “mandando” as mesmas vias que os homens.

Mas pode ser por não ter tantas mulheres se dedicando ao esporte.

Uma frase que vi em um vídeo mexicano de escalada “Respira” que acho valido os escaladores refletir:

  • “escalamos por diversión, por amor, por el equilibrio por romper paradigmas, tabus, miedos, alcanzar las metas, hazer amizades, y lo más importante de todo: para siempre seguir aprendiendo” (escalamos por diversão, por amor, pelo equilíbrio, para romper paradigmas, tabus, medos, alcançar as metas, fazer amizades, e o mais importante de tudo: sempre seguir o aprendendo”)

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é aficionado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema” e jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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