Entrevista com Jen Randall – Produtora do filme “Push It”, somente com mulheres

Se em algum lugar do universo da escalada existiam escaladores rezando e fazendo promessas para que alguém lançasse um filme somente com mulheres bonitas escalando forte, os esforços deram certo.

Com uma ideia de produzir um filme que retratasse o universo feminino na escalada, a produtora escocesa Jen Randall (www.jenrandall.co.uk) consegui levar adiante este desejo.

O filme “Push It” está sendo bastante aguardado, e já há até mesmo quem diga que seja um novo nicho de mercado de filmes outdoor a ser explorado: mulheres outdoor.

A Revista Blog de Escalada procurou Jen para responder algumas perguntas, e ela gentilmente respondeu da maneira mais completa e gentil possível, o que deixou a entrevista muito interessante.

Acompanhe abaixo a entrevista:

Jen, como a escalada entrou em sua vida?

A escalada entrou na minha vida através de meu pai. Ele sempre foi um montanhista e escalador, e quando eu tinha nove anos, me levou para escalar pela primeira vez em um local da Escócia.

Estava com ventania e foi aterrorizante!

Olhando para trás me faz rir – meu pai me fez dar segurança com corda na cintura e eu não tinha muito conhecimento de gravidade naquele tempo, refletindo se vê que foi muito louco, mas eu acho que ele tinha confiança que não cairia.

Fiquei sem escalar por anos, mas eu voltei bastante às aventuras nas montanhas escocesas com meu pai. Então quando tinha 18 anos fomos escalar em ginásio pela primeira vez juntos, e eu fiquei encantada. Eu ganhei meu primeiro par de sapatilhas no meu aniversário de 19 anos, fiz muitos grandes amigos de escalada na universidade, e minha vida nunca mais foi a mesma desde então.

Moldou meu trabalho, quem meus amigos seriam, quem eu casaria…

Tudo!

Como surgiu a idéia de filmar somente mulheres escalando?

Tive a idéia de filmar somente mulheres escalando para o filme “Push It” porque é o que eu acho que é o mais inspirador.

Para mim ver uma outra garota escalar forte ou escalar com outras garotas que estão também motivadas e se divertindo sempre me deixou pilhada. Então “Push It” é sobre isso, espalhar a motivação.

Definitivamente há uma explosão de mulheres na escalada no momento então eu vi que meu projeto é parte disso.

Eu acho que eu só quero que este filme inspire as pessoas correr atrás de seus objetivos na escalada, e até mesmo seus objetivos de vida, seja quaisquer que sejam. Incluindo os garotos nisso.

Escalar o “El Capitan” estava a anos na minha lista de coisas para fazer antes de eu morrer, e dar duro para chegar ao objetivo foi uma das coisas mais recompensadores que eu fiz.

Como foi filmar e editar tudo isso?

Foi uma tarefa grande filmar e editar um longa por mim mesma, mas é um trabalho de amor então não tinha outra maneira. Equilibrando um projeto fundado por mim mesma com outros trabalhos e tentando encontrar tempo para treinar para o “El Capitan” me ocupou por completo.

Foi muito desafiante neste verão onde eu trabalhei 18 dias seguidos. Mas era o que tinha de fazer, e eu fiz. Fui sortuda de ter suporte e apoio da família e amigos de todas as maneiras.

O aspecto mais difícil de filmar foi encontrar oportunidades para encontrar com as escaladoras, especialmente com o clima ruim que a o Reino Unido tem no verão, difícil também foi viajar até a Suíça!

O tempo era precioso e muitas das tomadas acabaram sendo canceladas devido ao tempo ruim.

Minha parte preferida em filmar foi Mina escalando boulder em “Magic Wood” e foi muito lindo lá e pode-se ser bem criativo quando filma boulder. Isso porque é mais fácil de movimentar-se com a câmera. Eu descobri que filmando escalada esportiva em Malham é mais difícil porque eu nunca filmei uma via antes com uma câmera e a rocha de cor branca fez o trabalho mais difícil de ver a cadena da via!

Mas foi muito engraçado a experiência de filmar este projeto, já que é maravilhoso e inspirador ver estas mocinhas arrasando na minha frente, porém eu também desejei estar escalando também. Especialmente quando eu estava treinando para Yosemite.

Então filmar no “El Cap” foi uma experiência interessante, claro… Idealmente eu deveria ter deixado uma outra pessoa filmando toda a ascensão, mas com orçamento limitado era impossível. Nós usamos uma GoPro e tentamos filmar algo todos os dias.

O que fez isso difícil foi que filmar era a última coisa que pensávamos, estar segura e seguir escalando era a prioridade. Em termos de edição, esta é uma das minhas partes favoritas de fazer filmes.

Eu sento no meu pequeno escritório que tenho em casa e nem vejo o tempo passar. Eu adoro ver o filme se construir, adicionar música, e moldar a coisa toda. Eu amo tudo isso, é a melhor parte.

Como você escolhei cada uma das personagens de seu filme?

Escolher diferentes personagens para meu filme foi divertido. Cada escaladora era uma heroína para mim antes do projeto.

Eu fui visitar Yosemite antes para me inspirar, então todo o projeto foi uma grande oportunidade para conhecer todas estas pessoas e adquirir conhecimento. Foi interessante ver como pessoas diferentes necessitam de coisas diferentes para ficarem pilhadas e tem diferentes maneiras de ver o esporte.

Eu me incluo e Jackie Sequeira aprendendo como colocar um “Big Wall” no filme, porque eu imaginei que assistindo o processo de aprendizado seria ver algumas pessoas e relaciona-las em “Big Wall” não era uma coisa que muitas garotas do Reino Unido fazem.

Provavelmente porque não existe “Big Wall” aqui. Então adicionei uma dimensão diferente ao filme e alguma aventura também.

Eu também pensei em fazer uma mescla de escaladores profissionais e pessoas normais no filme seria importante, então podemos admirar os profissionais e suas habilidades e relaciona-las com escaladores mais moderados que estão tentando melhorar.

Primeiramente eu vi a escaladora esportiva Natalie Berry escalando em uma competição local quando ela tinha 12 ou mais, detonando todos os garotos, e vi seu progresso desde então.

Então ela sempre foi uma inspiração para mim, assim como Vicki Mayes, que saiu de um 5sup para um 8a em escalada em móvel em apenas um ano. Inspirador por si só.

Vicky é também uma das pessoas mais pilhadas que eu já conheci, então eu quis incluir sua empolgação no filme.

Mina Leslie-Wujastyk foi incluída no último minuto. Eu tinha reservado as passagens para conhecer Shauna Coxsey em “Magic Wood” e tinha chovido por todo local, e dois dias antes fiquei sabendo que ela quebrou sua perna.

Então necessitava de alguém para filmar rapidamente.

Entrei em contato com Mina e já que estava ciente que estava disponível. Vou muito surpreendente em ver como ela treina sua escalada e o tanto que ela é boa nisso. Me fez querer treinar muito mais forte.

Qual o equipamento que você usa para filmar e editar seu trabalho?

Para filmar eu na maioria das vezes uso uma Canon 5D Mk II. Eu a comprei a cerca de um ano atrás e é a melhor câmera para filmar em muitas maneiras, eu adoro a qualidade de fotografia, sua versatilidade e é compacta.

Para o “EL Cap” eu usei uma GoPro, o que foi uma experiência nova para mim e demorou um pouco para eu me acostumar, mas foi foi ótimo ter algo tão compacto para trabalhar.

Então não precisamos nos preocupar muito com peso extra de equipamentos. Quando eu edito uso o Final Cut Pro, mas basicamente porque eu estou acostumada a ele.

Você vai vender seu filme? Ou irá só disponibiliza-lo na internet?

“Push It” será exibido em vários festivais de filmes outdoor pelo inverno, e estará disponível para compra e download em um futuro próximo no site da Posing Productions.

Posing Productios me deu a minha primeira oportunidade de me envolver com filmes de escalada com o “The Asgard Project” em 2009. Eu tenho trabalhando com eles desde então.

Eu tenho outros curtas de escalada que eu publiquei na internet como “Slice of Squam” sobre boulder em Squamish, porém “Push It” será o primeiro que irei vender.

Slice of Squam from Jen Randall, Light Shed Pictures on Vimeo.

Você tem algum projeto para futuros filmes?

Eu tenho muitas ideias para futuros filmes.

Quando eu estava fazendo o “Push It” eu gostaria de deixar os filmes de escalada de lado por um tempo e me dedicar mais a dramas ou algo do gênero, para meu tempo de escalada ser usado para literalmente escalar em vez de filmar outras pessoas escalando.

Mas agora que o “Push It” está finalizado e outras pessoas estão gostando, eu gostaria de fazer mais. Para ser honesta, eu quero muito, muito mesmo, fazer mais “Big Walls”

E sobre filmar e escalar no Brasil, ou América do Sul. Você tem algum plano?

Eu adoraria escalar na América do Sul, que é uma área que eu nunca tive a chance de explorar muito ainda. Patagônia parece incrível e intimidadora, e tenho visto fotos e filmagens fantásticas de pessoas escalando no Brasil.

Com certeza eu espero ter um tempo livre, e existem muitos lugares para ir.

Você assiste a muitos filmes outdoor? Quais são os seus favoritos?

Alguns de meus filmes favoritos são “First Ascent”, “he Asgard Project”, “Dark Side of the Lens”… e muitos outros.

Mas para mim um filme com uma história interessante é mais importante que um belo trabalho de câmera, apesar de ser legal também.

Eu acho que se o filme vem do coração é bem provável que seja bom.

Você também frequenta festivais de filmes de montanha? Quis você já foi?

Não vou a muitos festivais de filmes de montanha tanto quanto eu gostaria, mas eu realmente adoro quando consigo ir.

Já fui em festivais como os de Kendal, Edinburgh, Vancouver e Squamish e sempre saio com um sentimento de inspiração e pilhada para ver filmes irados, escutar conversas interessantes e me divertir um montão com as pessoas.

Espero que consiga a ir mais no futuro.

Para saber mais sobre o trabalho de Jen Randal visite: www.jenrandall.co.uk

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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