[EXCLUSIVO] – Entevista Carin Marchiorato

São bento SP - Setor BigodeSem dúvida nenhuma, o estado do Paraná é um verdadeiro celeiro de escaladoras fortes e determinadas.

Não à toa, grandes nomes da escalada brasileira saíram de lá.

A paranaense Carin Marchiorato é um exemplo cristalino da afirmação acima.

Marchiorato possui uma coleção de feitos e marcas que faz inveja até mesmo a muito marmanjo.

Carin é a primeira mulher brasileira a encadenar um boulder de graduação V10.

Mesmo sendo uma escaladora fanática, está encarando o desafio de ser mãe este ano, e terá de conciliar o esporte com a maternidade.

Carin Marchiorato concedeu entrevista ao Blog de Escalada em que mostrou toda a educação e simpatia.

Carin, você é considerada uma das escaladoras mais fortes do Estado do Paraná, como é isso para você?

Na verdade o Paraná sempre teve muitos escaladores fortes e com destaque em diversas modalidades do montanhismo, e eu fico feliz por estar sendo reconhecida e fazer parte desse “seleto” grupo.432055_393039147417680_2041157895_n[1]

Depois de muitos anos de dedicação à escalada começo a colher alguns bons frutos, graças à algumas conquistas que acabaram tendo boa repercussão e reconhecimento no meio, principalmente do boulder.

Como é para uma mulher conviver em um ambiente predominantemente masculino como a escalada?

Por muito tempo a escalada foi praticada somente por homens, assim como outras modalidades esportivas.

Talvez pela exigência física que desde o início sempre foi um “pré-requisito” para prática do montanhismo.

Porém, com o passar dos anos, as mulheres começaram a ocupar mais espaço no mundo e em diversos setores, desde profissionais até esportivos, e com a escalada não foi diferente.

No meu caso quando iniciei, o cenário do boulder era predominantemente masculino, apesar de algumas mulheres de outros países já terem atingido feitos expressivos lá fora.

Florianopolis SC- Costão do santinhoHoje podemos perceber que as mulheres no Brasil vêm se destacando cada vez mais no cenário do montanhismo.

Pra mim foi um grande aprendizado escalar com os homens, pois de certa maneira aprendi muito em como ficar forte, pois a escalada masculino é uma escalada que predomina mais a força do que a técnica.

Quais as principais dificuldades de uma mulher em treinar de maneira dedicada a escalada esportiva?

Acredito que no geral, as dificuldades enfrentadas pela mulher são muito parecidas com as dos homens.

Temos que conciliar trabalho, estudo, família, falta de apoio ou patrocínio e no caso das mulheres muitas vezes alguns preconceitos.314673_218390621549201_1742495758_n[1]

Esses fatores externos são os que mais atrapalham, pois hoje podemos contar com academias e ginásios de escalada que possuem uma boa estrutura para os treinos, a internet e a informação estão aí também.

Podemos encontrar diversos artigos de treinos e alimentação publicados em blogs e sites especializados (claro que devemos sempre estar atentos com a qualidade dos artigos encontrados), com as redes sociais pode-se criar fóruns de discussão para os temas, enfim…

Basta se organizar, pesquisar e ter disciplina que os resultados irão aparecer no médio e longo prazo.

Foi assim que comecei a acompanhar meus treinos, planejando os exercícios em cima dos meus pontos mais fracos, ao mesmo tempo que anotava o que realmente era feito, sempre fazendo os ajustes necessários, uma vez que não basta planejar, é preciso principalmente executar.

Assim eu podia sentir se realmente estava valendo a pena o tempo investido nos treinos.

35820_100160066705591_4241893_n[1]Em cima dessas anotações e minhas experiências, eu faço uma pequena planilha de treinos para as meninas de todo o Brasil que queiram evoluir também.

Acho que é uma forma de ajudar quem não tem experiência com treinos e também uma forma de contribuir e ajudar na evolução feminina dentro do cenário esportivo da escalada.

O Estado do Paraná possui as melhores academias do Brasil, isso serve de incentivo para que cada vez mais mulheres treinem forte?

Sim, no Paraná existem várias academias com bastante tradição no cenário da escalada, apesar de se concentrarem mais na região metropolitana da capital Curitiba.

Cada uma com sua particularidade, atendendo assim diversos públicos e não somente os escaladores focados em treinos fortes e competitivos.

Eu por exemplo, treino na “Caverna – Ginásio de Escalada”, a qual tenho o apoio e que possui um trabalho mais focado para a escalada em boulder e treinos específicos.

Você foi a primeira mulher do Brasil a encadenar um boulder de graduação forte. Como foi a preparação para este desafio?

Devido ao pouco tempo disponível que tenho, não sigo um cronograma de treino adequado.

Tenho me focado34771_100157823372482_5480793_n[1] principalmente nos finais de semana na rocha e quando “rola”, algum dia durante a semana pela parte da manhã também.

Como moro próximo à Serra da Baitaca, onde se localiza o Morro do Anhangava e alguns bons setores de boulders, consigo acordar cedo e escalar um pouco pela manhã.

Às vezes, quando consigo chegar mais cedo em casa depois da faculdade, faço algum treino específico no “fingerboard” que tenho em casa, mas bem esporadicamente. Esse boulder especificamente fazia parte dessa “pequena” rotina de escalada.

Devido ao pouco tempo disponível que tenho, não sigo um cronograma de treino adequado.

Tenho me focado principalmente nos finais de semana na rocha e quando “rola”, algum dia durante a semana pela parte da manhã também.

Como moro próximo à Serra da Baitaca, onde se localiza o Morro do Anhangava e alguns bons setores de boulders, consigo acordar cedo e escalar um pouco pela manhã.

Às vezes, quando consigo chegar mais cedo em casa depois da faculdade, faço algum treino específico no “fingerboard” que tenho em casa, mas bem esporadicamente. Esse boulder especificamente fazia parte dessa “pequena” rotina de escalada.

Qual é a sua lista de metas e objetivos para 2013?

Bem, como muitos já sabem e/ou leram em outros artigos e entrevistas, este ano vou ficar um pouco afastada das escaladas devido a uma lesão séria que tive no ano passado.

Vou aproveitar para descansar bastante e me recuperar bem, assim posso voltar com “força total” aos treinos e à escalada em rocha.

No início deste ano descobri que estou grávida e quero me dedicar à minha gestação e ao meu bebê, estou muito feliz e realizada com isso, me trouxe muita motivação.

Na sua opinião, porque os campeonatos de escalada, em especial a categoria feminina, está tão esvaziado?

Na verdade não é que a categoria está com poucas competidoras, e sim a quantidade de competições realizadas ao longo do ano que se reduziu drasticamente.

Acho que a falta de competições a nível regional e local, faz com que tanto escaladores como escaladoras não se sintam preparadas(os) para participar de um evento de nível nacional.

Nos últimos anos tenho observado que as competições que acontecem são de uma ou duas etapas do ranking brasileiro, salvo o ano passado que pudemos contar com uma ótima iniciativa e organização que foi o Campeonato Brasileiro de Boulder, que contou com três etapas em três estados diferentes, e mais uma etapa única de dificuldade.

Hoje não vemos mais os circuitos estaduais que sempre tiveram destaque e tradição no meio da competição indoor, estados como o RJ, PR, RS, SP já carecem há algum tempo de etapas de seus rankings, e quando acontece, é realizado apenas uma etapa.

Alia-se tudo isso, mais a falta de apoio e boas premiações, mais o tempo e o dinheiro que o atleta gasta para poder se preparar e participar de uma competição, fica cada vez mais difícil de trazer esses atletas para competir.

Se fosse para você dar um conselho para as mulheres que estão começando a escalar, qual seria? E porquê?

A escalada é algo que vai muito além de um simples esporte.

Ela mexe com nossas emoções, desafia nossa mente nos colocando em prova o tempo todo, é um incessante trabalho de superação pessoal que nos permite ser pessoas cada vez melhores.

Muitas coisas podem ser conquistadas com a escalada, cada pessoa fará sua procura de acordo com sua necessidade, mas uma certeza é que todos irão encontrar um pouco mais de si mesmos, se sentirão mais vivos e passarão a ter dias mais felizes.

Você como muitos escaladores brasileiros não possui patrocínio apesar de boas marcas. A que você atribui este receio de marcas e empresas em patrocinar atletas?

Patrocínio realmente é algo muito difícil de se conseguir, o que se observa são alguns poucos apoios para um número muito pequeno de atletas.

Difícil de relacionar os motivos que levam a essa situação atual, mas acho que a falta de conhecimento e planejamento da maioria das empresas aliado à falta de bons projetos por parte dos atletas interessados seja uma dessas causas.

As empresas poderiam se beneficiar da LEI 11.438/06, ou simplesmente Lei de Incentivo ao Esporte, onde elas podem deduzir até 1% do Imposto de Renda devido, porém a própria Lei é um tanto complicada de interpretar por parte dos empresários, onde os mesmos deveriam recorrer à algum profissional da área de tributação, o que gera um custo adicional para a empresa.

A falta de mais competições expressivas com bons prêmios também fazem com que a marca das empresas não apareça tanto.

A marca precisa de visibilidade e isso é muito mais fácil de conseguir através das competições de alto nível, pois qualquer empresa visa o lucro e sem o lucro não acontece nada, nem mesmo o tão sonhado apoio/patrocínio.

Essas empresas (salva algumas pouquíssimas) têm ainda que competir com as pessoas e amigos que trazem equipamento de fora e com tecnologia superior, a um preço muito mais acessível.

Essas empresas vivem mais do público leigo do que de escaladores propriamente ditos.

Temos que incentivar mais o nosso mercado interno, hoje possuímos à disposição, ótimas marcas nacionais com equipamentos e produtos tão bons quanto a de marcas reconhecidas mundialmente, mas se nós não ajudarmos essas empresas, fica difícil para elas fazerem o mesmo por nossos atletas.

Caso alguma marca queira apoiar ou patrocinar você, como deve proceder?

Bem, se alguma marca ou empresa tiver o interesse em conversar comigo e apresentar uma proposta de apoio/patrocínio, basta enviar e-mail para [email protected] ou através da minha página social do facebook.

Queria aproveitar para agradecer mais uma vez pelo convite do Blog de Escalada em realizar essa entrevista e falar um pouco de mim e da minha visão como escaladora.

E também desejar um ano de muitas realizações para o esporte que está em franca ascensão e com muitos novos talentos aparecendo.

A atleta Carin Marchiorato conta com o apoio de:
Caverna Ginásio de Escalada, Território mountain shop e Alto Estilo Equipamentos.

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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