Crítica do filme “The Wildest Dream”

01-wildest-dream-climb-mallory-irvine_19160_600x450[1]Dentro do gênero de documentário, uma das práticas mais comuns é realizar biografias de alguma personalidade.

Reis, rainhas, heróis e exploradores já foram retratados das mais diversas maneiras, algumas mais ufanistas, outras de maneira neutra.

Intitulada como a “era de ouro das explorações ” o início do século XX foi marcada com “feitos nacionalistas” de países que estavam no fim de sua era de imperialismo.

Entenda-se n contexto de imperialismo países possuir colônias, e as explorar sem critério ou pudor.04-wildest-dream-climb-everest_19163_600x450[1]

Estes “feitos nacionalistas” consistiam em conquistas pessoais de algumas pessoas que os governos procuravam capitalizar a auto estima da nação.

Com isso surgiram grandes heróis de exploração a pontos até então inóspitos no mundo como a Antártida e o Everest, lugares até então não “conquistados” por nenhum homem (leia-se país fincar a bandeira do país).

05-wildest-dream-ice-climb-everset_19164_600x450[1]Diante deste cenário surgiu um dos exploradores mais emblemáticos da Inglaterra o Sir George Mallory.

Mallory é considerado por muitos como o primeiro homem a pisar no Monte Everest, após ter seu corpo encontrado a alguns anos.

Sir George antes disso foi considerado morto e desaparecido no Everest.

A produção da National Geografic Channel (em parceia com a BBC) documenta a reconstituição deste período e do que realmente aconteceu.

Reconstituindo com detalhes a vida, carreira e memórias de George Mallory o filme retrata ainda em paralelo a reconstituição, com equipamentos e roupas da época, feitas pelos escaladores Conrad Anker e Leo Holding.07-wildest-dream-expedition-team_19166_600x450[1]

Com fotos inéditas, leituras das cartas de Mallory para sua família e vice versa, o filme procura adicionar tons dramáticos e emocionantes ao filme.

Esta dramaticidade facilmente envolve o espectador e o filme vai tornando-se mais profundo.

Enquanto se preocupou em mostrar a fama e prestígio na carreira de Mallory, o filme transcorre de maneira fluida até pouco mais da sua metade.

Entretanto a partir de certo ponto algumas leituras, e simulações de Holding e Anker com roupas e equipamentos de época, o filme começa a se arrastar e tornar-se repetitivo.

Altitude Everest Film Project, 2007Perto do seu final algumas imagens repetidas, e leituras de cartas que poderiam ter sido suprimidas, começaram a afetar o ritmo fluido que apresentava até então.

No geral “Wildest Dream” é um filme que soube agrupar, apesar dos tropeços de roteiro e perder muito da qualidade ao seu final, uma história de montanhismo e reconstituição de boa qualidade.

Há de se destacar também que os produtores souberam respeitar como poucos o esporte de escalada e montanhismo  como poucas, sem procurar exagerar nas cores e declarações.

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O filme tem o mérito ainda de não apostar todas as fichas em imagens contemplativas, e sim em focar na narrativa e história a ser contada.

Para quem procura saber mais sobre história de acensões a alta montanha é um material obrigatório, para quem aprecia mais produções de ação e tensão nem tanto.

“Wildest Dream” é um filme que deve constar na videoteca de todos que queiram praticar alta montanha.

Nota do Blog de Escalada

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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