Crítica do filme “Strength in Numbers”

p5pb7930614[1]Realizar filmes outdoor sobre bicicletas muitas vezes pode ser uma tarefa ingrata.

Fica evidente por quem executa produções com esta temática a dificuldade em “esticar” por vários minutos sem ficar tedioso.

Muitas produções no desejo de mostrar o máximo de ação acabam por criar obras que a partir de sua metade se arrastam e ficam maçantes a quem assiste.

A marca austríaca de bebidas energéticas Red Bull vem investindo pesado na produções do gênero outdoor, especialmente com mountain bikes, tem tentado insistentemente mudar este paradigma.

Com o patrocínio de valores significativos suas produções vêm se preocupado mais em gerar imagens de impacto e menos com história.

Um exemplo disso é sua recente produção  “Where Trail Ends”.

Com “Strength in Numbers” é evidente uma maior preocupação de realizar um filme que além de contruir imagens “icônicas” em HD, também contar uma história mais bem elaborada.Strength-in-Numbers-whistler-downhill-mtb[1]

Esta peculiar preocupação com roteiro, história e personagens transforma o filme em algo interessante de assistir e retrata vários ambientes de mountain bike permeando entre provas de “downhill”, pista de manobras “cross” e até mesmo descidas de grandes montanhas de maneira recreativa.

Logo na introdução os produtores fazem referência a obras do cinema de Sérgio Leoni (que serviu também de inspiração para Quentin Tarantino em seu recente “Django Livre”) cristaliniza a intenção de ser algo diferenciado com  a ambição de ser uma referência “pop” para os praticantes de mountain bike.

arts_arts2[1]Mesclando imagens das provas de downhill, com de bastidores, “Strength in Numbers” transmite dinamicidade incomum em produções semelhantes, e faz boas e dinâmicas cenas de ação.

No decorrer da exibição algumas filmagens mais técnicas utilizam recursos como “traveling”, uso de várias GoPro´s para simular “Steadycam” e panorâmicas com gruas.

Recursos estes nada baratos, porém usados de maneira correta e sem exageros.

A edição de imagens merece um parágrafo à parte devido à sua qualidade apresentada ao longo do filme e contribui para o entretenimento.

Com uma qualidade altíssima, os editores conseguiram agregar vários tipos de câmeras mescladas com narração ao fundo na medida certa.Aptos-Crew-Grey-300dpi[1]

Não seria exagerado dizer que é ótimo exemplo de aglomerar grande volume de imagens, longas declarações de personagens e uso de câmera GoPro.

Insiração certa para não somente para filmes de bicicleta, como para qualquer outra modalidade.

Maioria das produções que usam excessivamente ângulos captados em GoPro podem se inspirar em “Strength in Numbers” e aprender que “menos é mais”.

Com tantos pontos positivos o filme é uma ótima opção de entretenimento não somente para ciclistas, como também para entusiastas de filmes outdoor.

Nota do Blog de Escalada :

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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