Crítica do filme “Rockin’ Cuba”

fb4d3b9384-disp[1]Um dos pontos mais cobiçados do planeta para que seja aberto sem restrições à escalada é a Ilha de Cuba.

Localizada na América Central, na região do Caribe, este pedaço de terra cercada de água por todos os lados está sujeita um pesado embargo econômico a aproximadamente 50 anos.

Embargo este instaurado em represália a um sistema de governo socialista e ditatorial.

No país decisões são tomadas de forma unilateral e a proibição da escalada por lá era algo natural de acontecer.

A restrição à prática da escalada é real e para mais detalhes consulte: http://www.cubaclimbing.com/

Ao que parece apenas em alguns locais é liberado à escaladores, e foi assim que os produtores de Baraka Films e a trupe de Enzo Oddo e Nina Caprez gravou por lá.

Após a produção de “Silbergeier” que decepcionou mostrando ser mais experimental do que outra coisa (e o resultado foi um filme não muito bom),  “Rockin’ Cuba” vem com uma proposta mais ambiciosa e ousada:  criar um estilo dentro dos  filmes outdoor.

A partir dos sons e músicas locais  tudo é são mixado e evoluído no decorrer do filme.

Uma proposta interessante, que tenta elevar o a produção a algo mais artístico, e menos documental.

O resultado sonoro é modelando uma maneira e linguagem únicas e, em teoria, não copiável.20e32759fe-disp[1]

Criar e desenvolver estilo próprio é algo que diretores como Quentin Tarantino(que dispensa explicações), Michael Bay (com as intermináveis cenas em câmera lenta), Peter Mortimer (preocupações com montar uma história após aprensentar o final) fazem constantemente.

Alguns marcam como qualidade (no caso de Tarantino e Mortimer) outros nem tanto (caso de Michael Bay)

10778_Picture67_1292356005[1]A assinatura de Baraka filmes seria seguramente a preocupação, às vezes excessiva, de executar um filme e trilha sonora como um trabalho único e indivisível.

Seu trabalho no vídeo sobre o Petzl Rock Trip é sensívelmente assim.

“Rockin’ Cuba” documenta de maneira curta a viagem da principal personagem de quase todos os filmes da produtora: Nina Caprez e seu namorado.

Os dois esão em busca de abrir vias e encontrar aventuras na ilha do ditador Fidel Castro.

Optando por não mostrar em demasia imagens da cidade, nem de prédios públicos e históricos, apenas imagens dos locais de escalada são retratados, o foco das imagens ficou para mostrar o Valle de Viñales e seus arredores.

Mostrando maturidade natural após realizar várias produções a fotografia é o destaque na produção.

Com imagens carregando em cores fortes transmite a exata sensação de clima quente e úmido encontrado pelos personagens na ilha.

Sob forte calor e umidade os escaladores, junto com a natural quantidade de mosquitos e insetos por causa do clima mais tropical que os Alpes, seguem abrindo vias e escalando em locais impressionantes.

Levados pela música resultada do ritmo típico da ilha de Cuba tudo é  mostrado rapidamente causa curiosidade a respeito da escalada cubana.

Pelo que foi apresentado ali o sentimento de ventos de liberdade soprem para escaladores para que a visita à ilha é inevitável.

O excesso de zelo com a mixagem de música  e menos com os personagens, o filme opta pela superficialidade se transforma em uma obra muito mais ilustrativa do que documental.

Por esta escolha, a duração do filme foi bastante enxugada, deixando assim o preço de download “salgado”.

Próximo ao fim, o filme que conduziu uma viagem à Cuba de maneira leve , mas que deixa um desejo em quem assiste a querer ver mais sobre a Ilha.

Alguns pontos da Ilha que não foram ser explorados não abordados com profundidade nem com maiores detalhes.

Itens que poderiam ser polêmicos como liberdade de expressão, situação vivida pela população entre outras coisas foram sabiamente deixadas de lado.

São mostrados no filme escaladas em Valle de Viñales, onde existem paredes de calcário com até 1000 metros de altura, com vários negativos e estalactites. Todos este espaço pouco explorado à espera de conquistadores.

Valle de Viñales é considerado patrimônio da humanidade e considerada a paisagem mais exuberante e fantástica de toda ilha.

Neste mesmo local há aproximadamente 250 grutas com até 280 metros de altura.

“Rockin’ Cuba” é um filme leve e despretencioso, mas que cumpre a sua premissa inicial, que é mostrar ecaladores abrindo vias em locais ainda intocados e não popularizados de escalada.

A produção está longe de ser apontada como uma das grandes produções do ano, entretanto também não decepciona.

Merece ser assistida pelo esmero em fazer um filme outdoor e música com mistura de ritmos.

Nota do Blog de Escalada:

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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