Crítica do filme “Red Bull Psicobloc”

20111018140208-240-fb78bd81f894244ee9ac198875d010ecExiste uma linha tênue entre filmes publicitários (voltado para a veiculação de anúncios em internet e televisão) e outdoor.

Isso ocorre por ter o patrocinador da produção uma presença muito próxima a quem realiza.

Além desta proximidade o objetivo de filmes publicitários é ,antes de tudo, promover o produto (qualquer um) acima da necessidade de  haver uma história.

Incluindo nesta fiosofia “voltada ao produto” cenas com closes em logotipos, pessoas bebendo da lata e assim por diante.

Importante salientar que não há nada de errado com filmes publicitários, até porque ele funciona bem na televisão a muito tempo.

Porém a abordagem em filmes outdoor é caracterizada acima de tudo pelo desejo de documentar um local, um atleta ou até mesmo um esporte. MM_200211_Psicobloc_6450

O principal objetivo , portanto, é documentar uma história e na maioria das  produções do gênero a marca não tem relevância na narrativa da história.

“Red Bull Psicobloc” é um filme que tem como objetivo documentar os bastidores do campeonato promovido pela marca austríaca de bebidas energéticas Red Bull no Rio São Francisco.

A história passa por detalhes de cada escalador convidado (não foi mostrado no filme que não houve uma seletiva) os quais deveriam escalar determinadas vias no estilo “psicobloc “.

Tendo o espanhol Iker Pou como juiz, ficou acertado que quem conseguisse subir mais alto (ou conseguisse chegar ao topo) seria o vencedor.

Com uma qualidade de imagem acima da média a produção esbanja técnicas cinematográficas.

MM_200211_Psicobloc_6866Porém a produção derrapa por possuir um roteiro raso e superficial que procurou adotar uma linha de filmagem  de “reality show”.

Muitas das tomadas que procuram ilustrar cada personagem e suas declarações lembram, e muito, o estilo “Big Brother” ou “Amazing Race”.

Houve closes desnecessários ,e até deselegantes, nos personagens bebendo o energético, denunciando o cunho mais publicitário da produção.

Repito: não é que seja errado, desde que seja levado com discrição e não com a mão pesada apresentada em “Red Bull Psicobloc”.

O citado recurso remete até mesmo a peças publicitárias dos “cigarros Hollywood” da década de 80 que usavam esportes de ação para vender o produto.

Uma outra derrapada foi que não foram exploradas devidamente como, por exemplo, a presença de diversos escaladores ilustres da escalada brasileira  como Janine Cardoso, César Grosso , Lucas ‘Jah’, Felipe Dallorto, Felipe Camargo e Ralf Cortês.

Cada um dos personagens são apresentados de maneira superficial e por adjetivos como “o forte”, “a mulher”, “o experiente” e assim por diante.190211FC01

O recurso de sintetizar uma pessoa com somente uma palavra  pega emprestado outro recurso de programas televisivos como  “Casa dos Artistas”, “Hipertensão” ou “Big Brother Brasil”.

Para tentar ajustar todos estes elementos, e colocar nos trilhos e padrões de um filme outdoor , foi usada uma narração em fundo que não teve a devida harmonia que se esperava.

O narrador procurou adotar uma voz neutra a todo momento mas a emoção não conseguiu ser transmitida quando necessário.

Por descrever momentos em que somente a imagem seriam suficientes passou forte sensação de “pasteurização” do que estava sendo mostrado.

Entretanto não o se pode negar que a qualidade de imagens captadas e edição eram altas e foram realizada por profissionais que sabem como fazê-las.

Neste aspecto está o ponto forte e inabalável do filme.

Entretanto detalhes não explorados sobre a escalada como conceitos básicos , histórico do esporte, histórico do estilo e , principalmente sobre a vida dos escaladores deixou forte  sensação de que na verdade era uma reportagem em estilo “publi” (conhecido como reportagem paga) dada a pouca profundidade.

Qualquer filme (outdoor ou não) não se baseia somente em cenas e sim no desejo de transmitir uma mensagem ou contar uma história, e isso “Red Bull Psicobloc” não faz.

O filme passa , portanto, a sensação de ser uma propaganda publicitária de  longa duração.

Como peça publicitária está muito bem executada , entretanto para ganhar status de um “filme outdoor”  necessitaria rever conceitos que ajudariam a difrenciar a produções semelhantes entre propaganda e documentário.

Nota do Blog de Escalada:

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é aficionado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema” e jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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