Crítica do Filme “Nord for Sola”(North of the Sun)

nord_of_sola_capaMuita gente acredita que quando uma pessoa está em sua juventude deva procurar viver “experiências únicas” para que as histórias destas vivências renda muitas conversas, e lembranças,  ao longo da vida.

Alguns optam por viagem a lugares diferentes, outros colaboram com alguma instituição de caridade, outros dispensam este tipo de aprendizado.

Obviamente estão sendo cortado desta listas aqueles que tem de trabalhar por alguma necessidade inadiável, e também a turma da inércia que sempre vão aos mesmos lugares fazer as mesmas coisas .

Na busca por este “algo diferente” os jovens dinamarqueses Inge Wegge com 25 anos e Jørn Ranum de  22 anos escolheram ficar em uma praia próximo ao círculo polar ártico para que o lixo levado pela maré fossem recolhido por eles, e coletado posteriormente por um helicóptero.

nord_of_sola_2Wegge e  Ranum são praticantes de surf, além de ter um plano mirabolante para ter economia nesta aventura pouco ortodoxa.

Desejam viver também de “sobras” e portanto até mesmo o carro que dirigem funciona com óleo de cozinha reciclado, e toda e qualquer comida que adquirem é “doada” pelo supermercado por estarem fora da validade de consumo.

Ao que o filme deixa a entender todo alimento que expirou pode ser adquirido gratuitamente pelo cliente.

Logo no início da aventura constroem uma espécie de abrigo com algum material trazido por eles, e outros aproveitando todo e qualquer lixo trazido pela maré.

Aproveitando o tempo livre entre uma coleta e outra surfam nas ondas do lugar, com imagens de fazer qualquer pessoa que não goste de água fria tremer.

A dupla tem como aliado o fato de que já possuírem o conhecimento de filmagem e roteiro, adquiridos na escola de cinema, onde os dois se conheceram.

Este tipo de conhecimento é visivelmente perceptível em todas as cenas do filme, que possui além de ótima qualidade de fotografia, elementos de composição de cena pouco usados em filmes outdoor.

Sua duração pouco usual para filmes outdoor (possui perto de 45 minutos) consegue equilibrar os elementos fundamentais para o filme.

Mesmo sem grandes tensões por parte dos jovens (que sequer discutiram em todo período de tempo que ficaram confinados) as cenas de surf sob neve forte é impressionante.nord_of_sola_4

O filme também possui um pouco das características de filmes europeus dramáticos os quais possuem um ritmo lento e cadenciado em toda a exibição, e “Nord for Sola” não é exceção.

Nesse aspecto o espectador que está acostumado a “uhuu!”, manobras em tubos e garotas de biquínis poderá se decepcionar com a produção que tem cunho mais artístico e explicitamente faz com que quem o assiste reflita.

A produção é mais “cerebral” do que contemplativa sem cair no lugar comum de filmes outdoor baseado em imagens.

nord_of_sola_3Entretanto alguns aspectos do filme parecem ter sido omitidos como as madeiras utilizadas na estrutura do abrigo não parecerem terem trazidas pela maré, e  a pele do rosto ao longo do tempo permanece intacta apesar de estarem surfando constantemente e viver em um lugar com frio abaixo de 0º.

Podem ser considerados tropeços também algumas cenas que poderiam ser cortadas na edição final como a prática de snowboard e as tentativas em parapente

Mas estes escorregões não afetam o produto final que é sem dúvida diferente e ousado.

“Nord for Sola” é uma produção que merece o título de “cult movie”, não arrebatando milhões de views (ou plateia delirando) mas é inspirador outros produtores a realizarem trabalhos mais fora da zona de conforto.

Nota do Blog de Escalada:

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Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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