Crítica do Filme “Los monos tambien flotan”

436244318_640[1]Diferente do idioma português, a palavra “mono” (macaco) em espanhol não contém necessariamente uma conotação preconceituosa.

Pode significar também pessoas inquietas, brincalhonas e que sobem pelos cantos, árvores, casas e vias de escalada.

Foi pensando nisso que os chilenos produziram curta “los monos tambien flotan” (Os macacos também flutuam em tradução livre) , uma produção que agradou público e crítica em festivais nos quais participou.

O filme documenta uma viagem de conquista de uma via por escaladores chilenos a uma falésia em alto mar na qual o acesso é feito somente por barco.

A via de escalada seria conquistada com proteções móveis e seria necessário um barco e operadores experientes em náutica para manejá-lo.436618396_640[1]

Optando por captação de pequenos detalhes muito bem elaborados, além de ter o mínimo de diálogo possível, o curta é ainda complementado por uma trilha sonora que parece ter sido feita sob encomenda para o filme.

Durante a exibição do curta nota-se que no Chile há uma geração de produtores independentes que tem uma visão para o universo de filmes outdoor bastante poética.

Provavelmente a consequência natural de um país que tem uma cultura de montanha consolidada por possuir diversos festivais de filmes de montanha a quase uma década.

433912789_640[1]Algumas produções chilenas como “El ultimo tango”, “ENCOMBIALSUR” e ” Sólo unos pocos” exemplificam muito bem que filmes de montanha chilenos estão alguns passos adiante de países da América do Sul.

Esta constatação se justifica pelas últimas produções vindas do Chile  mostrarem toda uma identidade própria de ângulos e cenas documentadas.

A produção “Los monos que flotan” mostra esta sensibilidade com uma visão minimalista de escaladores que impressiona o mais cético.

Com captação de imagens em câmera DSLR em tomadas e ângulos criativos o filme exala simpatia durante sua exibição.

O objetivo de fazer o expectador fazer parte da equipe é atingida com sucesso.

Mesmo tendo uma duração relativamente curta de 8 minutos consegue dissecar cada detalhe da viagem comunicando-se apenas com imagens, sons e diálogos pontuais.Header-peli-pancho1-300x180[1]

Próximo ao fim a escalada teve de ser abortada devido à algumas dificuldades encontradas, e por outros motivos mais nobres retratados.

“Los monos tambien flotan” é um curta demonstra qualidade e segurança de seus produtores.

Fica evidente ainda que seja possível se pode produzir filmes outdoor sem necessidade de diálogos ou feitos heroicos.

Por ter sido realizado em alto mar e em escaladas não deve ter sido fácil realizá-lo, porém dificuldade de realização não é fator de análise de filme.

Fatores como roteiro, qualidade de imagem e edição e trilha sonora sim, e isso “Los monos tambien flotan” possui de sobra.

Nota do Blog de Escalada:

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é aficionado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema” e jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.