Crítica do filme “La Dura Dura”

ondra-la-dura-dura[1]A produtora de filmes outdoor “Sender Films” já realizou o que podemos considerar verdadeiros clássicos como “First Ascent”, “Sharp End” e “Alone in the Wall”.

Filmes que conseguiram mesclar ação de escaladas icônicas com história interessante e que fez tudo aquilo ter um sentido de ser assistido no decorrer da projeção.

Não que haja nada de errado em um filme recheado de cenas de escalada, porém para poder ser atrativo e ser merecedor do adjetivo “filme” é preciso um pouco mais.

Entenda por “algo mais” uma história a ser documentada.

Não fosse assim todos os videoclips da já quase extinta MTV seriam candidatos a prêmios de cinema pelo mundo afora (o que obviamente não acontece).

A “Sender Films” se destacou dentre as demais produtoras do ramo por sempre procurar documentar histórias interessantes  que fizessem o espectador fazer parte do filme.

Na tentativa de produzir outro clássico  “La Dura Dura” foi imaginado como uma disputa entre Adam Ondra e Chris Sharma em torno de uma via que ,até então, não havia sido encadenada.REEL_ROCK_7_Chris_Sharma_Vs_Adam_Ondra[1]

Os ingredientes de uma disputa de gerações e estilos estavam todas aí: Sharma com seus trinta e poucos anos e Ondra recém saído da puberdade.

Paralelo a isso há ainda a história do cotidiano entre as escaladoras e sua luta por marcas igualmente impressionantes.

Ingredientes imenso potencial para um filme interessante.

Entretanto a “necessidade” de reduzir a duração para pouco mais de 20 minutos e acabou (por este e outros motivos) por não ser “a grande produção” que todos esperam.

Grandes derrapadas de roteiro como insistir em comparar os escaladores como dois “pistoleiros” em um duelo ao por do sol e mulheres como anjos imaculados sem competição incomoda por ser recheado de clichês.

c3b3cc2293ea11e2a3e422000a1fbe39_7Os equívocos de escolhas seguem acontecendo: mesmo sendo todo gravado na Espanha, porém com escaladores americanos, uma escolha deselegante foi tomada pela produção do filme: as declarações de Daila Ojeda foram dubladas.

Uma gafe com Daila Ojeda (que escolheu falar o idioma nativo em seu país) e até mesmo com a comunidade americana que poderia assistir ao filme várias vezes e aprender um mínimo de espanhol , visto que não eram diálogos longos e cheio de nuances como nos filmes de Woody Allen.

Mesmo com estas várias derrapagens algumas qualidades foram apresentadas no filme , como as várias técnicas de filmagem que foram usadas para justificar os ares de superprodução.

Houve acertos como algumas cenas bem aproveitadas de quando mostra os estilos de administrar a frustração e explosão de movimentos de cada um dos escaladores protagonistas.

Entretanto a escolha de não aprofundar muito na vida de cada um dos personagens e procurar focar no glamour de suas realidades não empolga.1360309964_28

O filme “La Dura Dura” ainda guarda um final até certo ponto frustrante para quem torcia para qualquer um dos lados, mas mesmo assim não chega a decepcionar.

Fica a impressão de que a “Sender Films” passa por um período de pouca inspiração.

Nada a lamentar , claro, porque assim como em qualquer esporte de natureza é necessário respirar fundo para melhor raciocinar.

O mesmo deve fazer Peter Mortimer e sua equipe para voltar a produzir filmes que inspire como fez outrora.

Neste ele até que tentou, porém ficou distante de conseguir.

Nota Blog de Escalada:

Formado em Engenharia Civil e Ciências da Computação, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha, Argentina e Chile. Foi jurado do Rio Mountain Festival e já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Chile, Espanha, Uruguai, Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá. Realizou o Caminho de Santiago, percorrendo seus 777 km em 28 dias.

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