Crítica do Filme “K2: Siren of the Himalayas”

Dave-Ohlson-K2-BC-Night-Shot1[1]

Para o público leigo sobre assuntos de escalada fica difícil entender qual a diferença entre as dificuldades de uma via “a” de uma “b”.

Difícil para eles também compreender o porque uma montanha “x” não é “difícil” que “y” que é mais baixa.

A peculiaridade dos graus de dificuldade é talvez a primeira disciplina que se deve compreender , e internalizar, quando se inicia ao esporte.

Partindo deste princípio, os produtores do filme “K2: Siren of the Himalayas” documenta detalhadamente todos os sonhos, esperanças e dificuldades de uma escalada à montanha K2, localizada no Himalaia.433226554_6401[1]

Para quem não sabe o Monte K2 é uma montanha muito mais difícil de escalar que o Monte Everest.

O filme inicia descrevendo uma expedição ao local realizada em 1909 pelo italiano Luigi Amadeo(Duque de Abruzzi) na primeira grande expedição ao K2 a partir 232128df881b6235513c62c3edf3e3f4_large[1]do diário de seu viagem.

A partir daí os principais personagens do filme Fabrizio Zangrilli, Chris Szymiec, Jake Meyer, Gerlinde Kaltenbrunner são apresentados e já explicam qual a motivação de ir escalar a segunda montanha mais alta do mundo.

Para eles, escalar o Everest é um esporte enquanto subir o K2 é totalmente outro.

Esta diferença é dada a discrepância de dificuldade entre os dois locais.

A comprovação desta afirmação pode ser comprovado por dados fornecidos durante a exibição como: em 2009 no K2 tiveram aproximadamente 302 cumes alcançados, enquanto no Everest 4559.

Caso seja mostrada a mortandade nas tentativas de subir ao cume o Monte K2 se mostra ainda mais assustador: em 2009 25% que tentaram cume morreram  contra 5% do Everest.777d7bd2feee21f807f58e036410f807_large[1]

Na introdução explicam com riqueza de detalhes e imagens que por lá enfrentarão um desafio grande.

Não há muito espaço para o turismo em alta montanha que o Everest está se tornando.

O filme , entretanto, se esquiva de mostrar a “farofa” que se tornou o campo base do Everest procurando focar mais no que é a montanha K2.

Uma atitude madura e acertada.

A partir de uma introdução muito bem detalhada, com diversos gráficos e fotos em alta resolução, o filme procura a todo o tempo transmitir a apreensão de se chegar até mesmo ao campo base.


Neste aspecto o filme mostra cenas de fazer o mais valente dos aventureiros sentir frio na espinha: caminhos com pedras rolando e local remoto sem nenhuma possibilidade de acidentes.

k2_3-930x375[1]

Acompanhado por narração em voz pausada e neutra, que é permeada por declarações de cada um dos integrantes, a a real tensão que existe em uma expedição de alta montanha é facilmente percebida.548933_511587305520174_1018966775_n[1]

Ainda há tempo para se fazer brincadeiras com o péssimo “Limite Vertical” realizado no K2 em que até mesmo explosivos foram levados ao topo da montanha no longa estrelado por Chris O’Donnell e que terminou por afundar sua carreira.

Todos os maiores pesadelos do praticante de montanha começam a pontuar partes do filme como colegas escaladores mortos, tentativas frustadas de cume(e a poucos metros de chegar) e avalanches próximas ao campo base.

Todos os aspectos geográficos como localização da montanha, e campos base são mostrados em gráficos em gráficos tridimensionais.

Estes recursos gráficos realizam boa didatica a quem não conhece a região.

Por possuir uma cadência um pouco mais lenta permitiu que o filme fosse exibido com tanto detalhamento de cada etapa de uma escalada em alta montanha.

DO[1]Uma decisão tomada pelos produtores foi comparar a todo momento a escalada atual com os relatos da expedição de 1902 mostrou-se acertada.

Com ela, muitos detalhes de modernidade de equipamentos há entre hoje e a mais de 100 anos atrás, porém a dificuldade encontrada ainda é a mesma.

Apostando em realizar uma produção com uma trilha sonora discreta  apostando no silêncio, sons de ventos fortes e o próprio barulhos da montanha o espectador fica envolvido a ponto de considerar-se parte da história.

Com isso, os pouco mais de 70 minutos de filme parecem voar dada a qualidade de roteiro e edição que conseguiram realizar um filme envolvente em todos os aspectos.

Próximo ao final ainda há uma relativa reviravolta a final do filme, o que deixa a produção mais ainda interessante.

Um outro ponto que se destaca em toda a exibição é a excelente fotografia das imagens.

A qualidade ali apresentadas mostra a preocupação de permanecer sóbrio e pouco deslumbrado do captador de imagens.

Por este detalhe o filme já se destaca de muitos outros que documentam a a escalada de alta montanha.

k2_2-930x375[1]

O filme “K2: Siren of the Himalayas” é sem dúvida nenhuma um “peso pesado” a premiações em festivais de filmes de montanha por onde for participar neste ano de 2013.

Importante lembrar ainda que o diretor Dave Ohlson realizou o filme usando recursos captados em “Crowd founding”, e pela qualidade do que entregou às pessoas que bancaram seu projeto, abre portas para outros interessados em realizar suas produções independente de grandes marcas patrocinarem.

Para toda e qualquer pessoa que gosta de praticar escaladas na modalidade de alta montanha terá sem dúvida nenhuma este filme em qualquer lista “top 5” que documentaram o esporte de maneira digna, verdadeira, e principalmente, com excelência.

Nota do Blog de Escalada:

Comente agora direto conosco

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.