Crítica do filme “De Sangue e de Pedra – a Viagem”

Captura de tela 2013-10-10 às 07.29.06Quais são os verdadeiros motivos pelos quais procuramos sair da zona de conforto em escaladas e aventuras na natureza?

A minha resposta mais provável e genérica seria : para nos emocionar.

Caso não sentíssemos nada, ou pelo menos provássemos a sensação de rotina e tédio procuraríamos outra atividade a realizar.

Pelo mesmo motivo é que procuramos além de realizar atividades, procuramos fazer com as pessoas que mais temos afinidades,  isso para que a sensação de bem estar seja potencializada.Captura de tela 2013-10-10 às 07.30.22

Por estes motivos que muitas pessoas ao descrever o prazer de escalar, sempre acaba por citar os amigos e companheiros.

Por este motivo é tão importante quanto retratar um esporte de natureza, é também a valorização de cada ser humano e seus sentimentos.

Independente de qual o grau da via escalada , ou o nível que esteja.

Captura de tela 2013-10-10 às 07.34.12Apostando em uma linha de pensamento mais simplista e não megalomaníaca o fotógrafo mineiro Peruzzo produziu o filme “De Sangue e de Pedra – a Viagem”, em que arrisca a colocar sua irmã Karu como protagonista.

Peruzzo hoje é ,sem dúvida, o principal fotógrafo de escaladores do Brasil.

Conseguindo até mesmo agregar importância a qualquer escalador que é fotografado por ele.

Mérito de um profissional de talento e humildade singulares.

O filme “De sangue e de Pedra – a viagem” documenta o relato de viagem dos dois irmãos Peruzzo para a Serra do Cipó-MG, e quais foram suas impressões sobre o local que é conhecido, e reconhecido, como o suprassumo da escalada esportiva brasileira.

Captura de tela 2013-10-10 às 07.33.05

Baseando-se sempre na narração das impressões que sua irmã, e parceira, Karu Peruzzo, teve do lugar, o filme documenta suas atividades no lugar visto de sua ótica.

Com voz suave, boa dicção e sotaque típico de Uberlândia, Karu consegue facilmente envolver o espectador com suas declarações, e, de maneira emocionante conduz a um final que pode ser considerado inesperado e emocionante.

Captura de tela 2013-10-10 às 07.30.54Karu com suas declarações, em pouco mais de 15 minutos de exibição, faz com que o espectador fique com olhos marejados de lágrimas até mesmo ao mais “durão”.

O resultado de todos estes elementos é uma produção que impressiona pela alta qualidade apresentada já na estréia do fotógrafo Peruzzo em produção de vídeos.

Não é um filme perfeito, entretanto é bem superior ao que vem sendo produzido no Brasil e no exterior em termos de filmes outdoor.

Com boas tomadas dos detalhes de cada escalador somada à uma edição sem muita pirotecnia e que valoriza cada imagem captada, a produção flui com harmonia.

Com suas lentes mais preocupadas em documentar natureza e detalhes de escaladores, Peruzzo fez com que o mais cético dos espectadores ter curiosidade em saber mais dos autores, locais e prende a atenção até o final .Captura de tela 2013-10-10 às 07.32.11

Apenas na sequência que documenta Eduardo Barão, o filme tem uma pequena quebra de ritmo, que passa a sensação de não se encaixar no enredo do filme, mas que em nada compromete a qualidade de todo o conjunto da obra.

Um outro aspecto não explorado pelos produtores, e que poderia ter sido, foi o charme, sorrisos , trejeitos e gestos de Karu Peruzzo, que rouba a cena sempre que aparece.

Porém é importante lembrar que tropeços e deslizes  fazem parte da estréia de qualquer produtor.

Seguramente poucos filmes outdoor conseguem arrancar lágrimas do espectador como “De Sangue e de Pedra  – a Viagem” o faz com elegância e eficiência.

Mérito todo da dupla de irmãos que estreiam em uma produção madura, e de qualidade que deixa ansiedade para suas próximas produções.

Fica a expectativa de que Peruzzo siga em frente com seus projetos de filmes e o seu amadurecimento natural nos brinde com mais vídeos de qualidade como este de sua estréia.

Nota Blog de Escalada : 

Sobre o Autor

Luciano Fernandes

Luciano Fernandes

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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