Crítica do Filme “Chasing Winter”

chasingwinter[1]A escolha de fazer um filme de uma viagem é uma escolha ingrata.

Durante qualquer viagem o desejo principal é podermos sair da rotina, e aproveitar ao máximo este período no qual estamos longe de casa.

Há quem acredite que estamos “dando um tempo de nós mesmos”.

Exatamente por este motivo é que tarefas de filmar , seguir rotina de coleta de imagens e procurar ângulos ideais é algo molesto de executar.cw_220px[1]

Por “detalhe” particular alguns filmes realizados em viagens se perdem no decorrer de sua execução, e assim tornando-se vazios e cansativos.

Este não foi o caso do “Chasing Winter”, que além de um ótimo filme de boulder, é ,seguramente, um exemplo cristalino de como realizar um filme de uma viagem de escalada.

Produzido pela pela Prak Media, a produção mostra que aprendeu desde  “The Schegen Files”, “Welcome to The Hood”, “On The Circuit” realizados por ela mas não que não mereceram destaque frente a outras produções do gênero.

Com um amadurecimento, tando em narração como em roteiro, o escalador Paul Robinson mostra de maneira segura e consciente sua viagem até Rocklands em busca de escaladas e outros divertimentos.

tumblr_inline_mgio69Vqoz1qc78pe[1]O filme documenta uma viagem  até a o local de boulder mais popular da África do Sul (e do mundo) conhecido como “Rocklands”.

Nele Paul Robinson teve a preocupação de transmitir toda a diversão que houve no decorrer desta viagem.

Com edição bem feita , que teve uso justo e comedido de timelapses em todo o decorrer da execução, “Chasing Winter” possui também roteiro muito bem escrito e executado.

Mesmo tendo como objetivo principal retratar a escalada em boulder, há momentos descontraídos e interessantes como a procura por locais de surf (A África do Sul é conhecida como um dos melhores do mundo para este esporte), passeios pelas cidades, o que comeram, e como eram os dias mais chuvosos que encontraram por lá.cw_873px[1]

Mostraram ainda de maneira sutil qual foram a impressão que tiveram com o país.

Neste tipo de interesse está toda a alta qualidade técnica do filme, que o torna tão especial e diferenciado do que está se produzindo com este tipo de assunto.
A preocupação em mostrar como são interessantes os locais, as cidades e o quão prazeiroso é viajar faz o filme ser interessnte de ser assistido até mesmo por quem não pratica escalada.

O filme, entretanto, oscila nos momentos de cenas de boulder muito extensas e com música instrumental em violão.

Ground-Swell_Screen-950x530[1]Mas mesmo assim pode ser considerado como ponto positivo por optar por algo diferente do já tradicional techo.

Mesmo com cenas um pouco extensas e que poderiam ser mais curtas , “Chasing Winter” consegue o mérito de ter conseguido arrancar a quem assiste um desejo de também viajar.

O filme também destaca a partir de sua metade a pequena escaladora americana Ashima, que seguramente tem todo o potencial de ser uma das melhores escaladoras do mundo.

Na inclusão da pequena personagem de 11 anos, Robinson demonstrou  acerto em fazer com que sua produção sirva de documento histórico do crescimento da jovem escaladora.

Os produtores também mostraram amadurecimento na captação de imagens e fotografia, demonstrando um maior domínio de composição fotogrática. Mesmo não possuindo gruas, ou muitas câmeras, soube captar imagens de qualidade.

Sendo referência obrigatória a toda e qualquer pessoa que deseje realizar filmes sobre suas viagens “Chasing Winter” é desde já um dos melhores filmes outdoor do ano, mesmo em partes em que escaladas são mostradas em imagens ligeiramente extensas.

A produtora Prak Media mostrou que soube aprender e amadurecer desde a suas primeiras produções.

O mundo de filmes outdoor assim como a própria escalada ganha muito com isso.

Nota do Blog de Escalada:

Engenheiro e Analista de Sistemas, começou a escalar em 2001 e escalou no Brasil, Áustria, EUA, Espanha e Argentina. É totalmente dedicado ao esporte de escalada em rocha e é apaixonado em filmes Outdoor. Para aproveitar melhor esta paixão fez curso de documentário na Escola São Paulo, além dos cursos de “Linguagem Cinematográfica” e “Crítica de cinema”. Foi jurado do Rio Mountain Festival. Já viajou de mochilão pelo Brasil, EUA, Áustria, República Tcheca, República Eslovaca, Hungria, Eslovênia, Itália, Argentina, Espanha, Uruguai e Paraguai, Holanda, Alemanha e Canadá.

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